{"id":6003,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6003"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"eleicoes-presidenciais-7-discursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eleicoes-presidenciais-7-discursos\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es presidenciais (7) &#8211; discursos"},"content":{"rendered":"<p>1. O poder potencial do Presidente da Rep\u00fablica (PR)tamb\u00e9m se exerce atrav\u00e9s de discursos. Tal como as mensagens, \u00e9 desej\u00e1vel que eles sejam t\u00e3o consistentes, precisos, concisos e claros, quanto poss\u00edvel. Tamb\u00e9m \u00e9 desej\u00e1vel que, por via da regra, n\u00e3o se dirijam ao Governo nem a outras entidades, mas sim a todo o pa\u00eds. E desej\u00e1vel \u00e9 tamb\u00e9m que n\u00e3o alimentem o jogo de transfer\u00eancia de responsabilidades, mas promovam a cultura da responsabilidade partilhada, sem esquecer, naturalmente, a do pr\u00f3prio Presidente.<\/p>\n<p>O n\u00famero excessivo de discursos encerra quatro riscos, dignos de pondera\u00e7\u00e3o: o de redu\u00e7\u00e3o do acto pol\u00edtico presidencial \u00e0 actividade discursiva; o de inger\u00eancia na esfera governativa ou partid\u00e1ria; o da sobranceria, ou afirma\u00e7\u00e3o demi\u00fargica do PR, com mais ou menos alijamento de responsabilidades para outrem; e, enfim, o risco de banaliza\u00e7\u00e3o e irrelev\u00e2ncia dos pr\u00f3prios discursos.<\/p>\n<p>2. \u00c9 razo\u00e1vel a exist\u00eancia de discursos institucionais, embora tamb\u00e9m se justifiquem os discursos de circunst\u00e2ncia. Os discursos de circunst\u00e2ncia, muitas vezes menosprezados, podem ser relevantes, sobretudo quando, atrav\u00e9s deles, se fa\u00e7am afirma\u00e7\u00f5es pertinentes e profundas, de maneira sint\u00e9tica. <\/p>\n<p>Quatro discursos institucionais obtiveram j\u00e1 uma consagra\u00e7\u00e3o bastante solidificada. S\u00e3o eles os discursos do in\u00edcio do ano, do 25 de Abril, do 10 de Junho e do 5 de Outubro. Em maior ou menor grau, todos t\u00eam sido aproveitados partidariamente, a favor ou contra o Governo. O esfor\u00e7o dos PR para salvaguardarem o equil\u00edbrio consistente tem sido interpretado, frequentemente, como express\u00e3o de equilibrismo, articulado com a transmiss\u00e3o de \u201crecados\u201d mais ou menos misteriosos. <\/p>\n<p>3. Os discursos do 25 de Abril, no Parlamento, tornaram-se num caso particular dos riscos a que os discursos presidenciais se encontram expostos. O enquadramento da cerim\u00f3nia \u00e9 propiciador de uma verdadeira humilha\u00e7\u00e3o do Governo (qualquer que ele seja). Na verdade, a maior parte dos discursos tem-se posicionado contra os diferentes governos em fun\u00e7\u00f5es, e alguns t\u00eam contestado todos os governos constitucionais e as maiorias de que emanaram. Nestas sess\u00f5es parlamentares, o Governo limita-se a ouvir os discursos e a ser contestado, sem qualquer direito de intervir.<\/p>\n<p>Neste contexto, os discursos presidenciais prestam-se a ser interpretados como refor\u00e7o da oposi\u00e7\u00e3o generalizada aos governos, independentemente dos esfor\u00e7os feitos pelos PR para evitarem essa interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O poder potencial do Presidente da Rep\u00fablica (PR)tamb\u00e9m se exerce atrav\u00e9s de discursos. 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