{"id":6004,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6004"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"valor-educativo-indispensavel-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/valor-educativo-indispensavel-da-historia\/","title":{"rendered":"Valor educativo indispens\u00e1vel da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Desprezar a hist\u00f3ria, al\u00e9m de uma triste manifesta\u00e7\u00e3o de incultura, \u00e9 voltar, de modo claro, \u00e0 barb\u00e1rie. Os b\u00e1rbaros de outros s\u00e9culos, que os h\u00e1 em todos os s\u00e9culos, fizeram isso mesmo: destru\u00edram monumentos, incendiaram bibliotecas, perseguiram pessoas de saber e com saber, deixaram a humanidade mais pobre, apagaram as refer\u00eancias e  iludiram os apelos de reconhecimento e de criatividade.<\/p>\n<p>Em tempos passados, e mesmo ainda em tempos recentes, porque um s\u00e9culo ou dois pouco significam, quando se queria perpetuar a mem\u00f3ria de uma pessoa \u00e0 qual a sociedade ficara devedora, erigia-se-lhe uma est\u00e1tua em lugar p\u00fablico e bem vis\u00edvel. Outras vezes, foram acontecimentos que valia a pena perpetuar. Nada melhor que um monumento art\u00edstico comemorativo, que expressasse gratid\u00e3o, proporcionasse visitas de estudo, evoca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, enriquecimento educativo. Eram marcos de valor cultural e moral que serviriam de apelo \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras, livros abertos de grande saber, ao alcance de todos. Neste tempo vimos destru\u00eddos alguns destes monumentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 hoje uma atitude positiva que \u00e9 preciso aplaudir e se traduz nas visitas frequentes de alguns professores\/educadores com os seus alunos, \u00e0s vezes ainda pequeninos, a encher salas de museus e de outras riquezas do nosso patrim\u00f3nio hist\u00f3rico e art\u00edstico. A\u00ed se ouvem explica\u00e7\u00f5es, se fazem descobertas, confrontando o que dizem as p\u00e1ginas frias dos livros de estudo, enriquecidos agora pelo que se v\u00ea e se aprende a  admirar.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria que n\u00e3o tenha projec\u00e7\u00e3o no tempo, presente e futuro. Sempre na hist\u00f3ria est\u00e1 a raiz do projecto, para quem sabe ver, perceber e consciencializar.<\/p>\n<p>Vale a pena recordar, da famosa e t\u00e3o falada obra de Cervantes, D. Quixote, em comemora\u00e7\u00f5es jubilares, esta senten\u00e7a de profunda dimens\u00e3o cultural: \u201c A Hist\u00f3ria \u00e9 rival do tempo, dep\u00f3sito de ac\u00e7\u00f5es, testemunha do passado, exemplo e aviso no presente, advert\u00eancia para o futuro.\u201d<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia, ao entrevistarem-se pessoas de responsabilidade social, pelo que s\u00e3o e pelo que t\u00eam de decidir, sobre o que est\u00e3o lendo, se ouve falar de livros de hist\u00f3ria e de biografias de gente que marcou o tempo. Essas as suas leituras do dia a dia.<\/p>\n<p>As pessoas incultas, prisioneiras de um transit\u00f3rio inconsistente, e que n\u00e3o s\u00e3o, nem de longe, os iletrados, muitas vezes, por ignor\u00e2ncia e preconceito, desfiguram a hist\u00f3ria e destroem os valores que ela comporta, como patrim\u00f3nio cultural de e para toda a humanidade. O preconceito \u00e9, pelo seu reducionismo, uma manifesta\u00e7\u00e3o de pobreza cultural. Ningu\u00e9m pode pensar que com uma peneira se tapa o sol. As pessoas livres abrem-se, avidamente, \u00e0 luz revigorante da realidade e da verdade, venha ela de onde vier, porque sabem que, pela luz recebida, se pode ser, tamb\u00e9m, luz repartida.<\/p>\n<p>O Natal \u00e9 a Hist\u00f3ria entretecida pelo divino e o humano, tornada vis\u00edvel no rosto luminoso de uma Crian\u00e7a ador\u00e1vel, que deu sentido definitivo ao tempo, porque marcou o ponto mais alto da hist\u00f3ria humana. O salto do C\u00e9u \u00e0 Terra \u00e9 a grande maravilha que, em cada Natal, a hist\u00f3ria guarda e a f\u00e9 professa e perpetua. De Bel\u00e9m ao Calv\u00e1rio, \u00e9 a hist\u00f3ria confirmada de uma Pessoa com projecto, permanente e eterno, que a P\u00e1scoa traduz por d\u00e1diva de vida abundante, ao alcance de todos. <\/p>\n<p>O crist\u00e3o ser\u00e1 sempre um cultor da Hist\u00f3ria. Nela est\u00e1 a sua raz\u00e3o de ser e de existir, nela o seu valor, presente e futuro, que lhe permite poder dar tamb\u00e9m a tudo, o seu valor pr\u00f3prio. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 nostalgia nem saudosismo, mas ponto de apoio indispens\u00e1vel, e, por isso, tem sempre grande valor educativo. Ela \u00e9 e ser\u00e1 para todos, a grande \u201cmestra da vida\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desprezar a hist\u00f3ria, al\u00e9m de uma triste manifesta\u00e7\u00e3o de incultura, \u00e9 voltar, de modo claro, \u00e0 barb\u00e1rie. 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