{"id":6050,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6050"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"eu-te-vi-quando-estavas-sob-a-figueira-jo-1-48-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eu-te-vi-quando-estavas-sob-a-figueira-jo-1-48-parte-iii\/","title":{"rendered":"\u201cEu te vi quando estavas sob a figueira\u201d (Jo 1, 48) &#8211; Parte III"},"content":{"rendered":"<p>Li e meditei num testemunho com interesse; nele as minhas v\u00edsceras acusaram o golpe: \u201cFalo em termos gerais. Sei que h\u00e1 grupos espirituais que acolhem o sacerdote e que podem consol\u00e1-lo e confort\u00e1-lo. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a situa\u00e7\u00e3o, mais ou menos des\u00e9rtica, que algu\u00e9m pode viver \u00e9 vivida de modo diferente quando se est\u00e1 bem, por dentro, quando se est\u00e1 \u201clubrificado\u201d. A pr\u00f3pria realidade me fala de diferentes maneiras segundo eu esteja afinado ou n\u00e3o. Lembro-me de um amigo que me veio dizer que ia deixar o minist\u00e9rio porque &#8211; disse-me ele &#8211; a Igreja est\u00e1 muito mal. \u201cOlha, por essas mesmas raz\u00f5es eu continuo\u201d, lhe respondi. Por qu\u00ea? Porque isso depende do clima vital e espiritual que se est\u00e1 vivendo\u201d (URIARTE, Juan Maria, A espiritualidade do ministro presbiteral, Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2000, p.41). Concordo e discordo, da an\u00e1lise paradoxal, porque j\u00e1 a vivi, em sofrimentos pessoais e pastorais, comigo e com outros; por essa raz\u00e3o, esta reflex\u00e3o e o apuramento das causas ainda est\u00e1 para durar. Ou se aprende com Amor, ou na Dor. <\/p>\n<p>H\u00e1 um senso de humor que s\u00f3 pode ser sentido quando se est\u00e1 al\u00e9m da mente, do bem e do mal. \u00c9 a experi\u00eancia de \u201cficar emburrado\u201d; a pura \u201cmixagem\u201d na sucess\u00e3o destes \u201ccausos\u201d humanos e suas \u201ccausas\u201d complexas, deixaram-me \u201cemburrado\u201d (mais \u201cerudito\u201d, non-sense) e por isso, agora, preciso de \u201cdesopilar mais\u201d, isto \u00e9, confessar-me melhor, isto \u00e9, converter-me, mais dentro e fundo. E converter \u00e9 querer s\u00f3 o Evangelho, dom maior, de quarta-feira de cinzas. N\u00e3o o Evangelho \u201ctravestido\u201d de magist\u00e9rio. Mas o Evangelho que se fez-faz-far\u00e1 tradi\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria prof\u00e9tica de Jesus, que foi considerado o Cristo. O Evangelho que me con-verte afirma para o diagn\u00f3stico em causa um progn\u00f3stico terap\u00eautico grave e natural: \u201cNada h\u00e1 de encoberto que n\u00e3o venha a ser revelado, nem de oculto que n\u00e3o venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito \u00e0s escuras, ser\u00e1 ouvido \u00e0 luz do dia, e o que houverdes falado ao ouvido nos quartos, ser\u00e1 proclamado sobre os telhados\u201d(Lc 12,2-3). O \u201csob a figueira\u201d, \u00e9 estar sob as Escrituras (pormenor significativo na ordena\u00e7\u00e3o dos bispos!?), dar-lhe o primeiro e o maior Sentido em nossas vidas cristificadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho essa Voca\u00e7\u00e3o para ser m\u00e1rtir dos homens ou palha\u00e7o de Deus; Ele n\u00e3o me permitiria. S\u00e3o as atitudes existenciais que acumulam grande tens\u00e3o de compro-misso, que geram a Vida abundante. Os \u201cabandonos\u201d n\u00e3o s\u00e3o de \u201contem\u201d, nem muito menos de \u201camanh\u00e3\u201d; s\u00e3o feitos num presente opres-sivo e libertador. Ao telefone imagino que me foi dito: \u201cN\u00e3o est\u00e1 aqui na par\u00f3quia, n\u00e3o adianta ligar mais tarde&#8230;n\u00e3o est\u00e1 aqui\u201d. Pronto, n\u00e3o est\u00e1 aqui! \u00c9 porque ressuscitou, verdadeiramente, Deus o segurou para lhe dar a vida por inteiro!<\/p>\n<p>Termino com uma hist\u00f3ria. Passeio por um caminho solit\u00e1rio. Desfruto do ar, do sol, dos p\u00e1ssaros e do prazer de ser levado pelos meus p\u00e9s para onde quer que eles me levem. De um lado do caminho, encontro um escravo a dormir. Aproximo-me e descubro que est\u00e1 a sonhar. Pelas suas palavras e express\u00f5es adivinho&#8230; Sei o que sonha: O escravo est\u00e1 a sonhar que \u00e9 livre. A express\u00e3o do seu rosto reflecte paz e serenidade. Pergunto-me&#8230;Devo acord\u00e1-lo e mostrar-lhe que \u00e9 apenas um sonho, para que saiba que continua a ser um escravo? Ou devo deix\u00e1-lo dormir o tempo todo que puder, desfrutando, nem que seja apenas em sonhos, da sua realidade fantasiada? (Cfr. Sofisma socr\u00e1tico citado por L. Klicksberg). Qual \u00e9 a resposta correcta? Sua resposta? Nossa resposta de Igreja? Se eu for o ESCRAVO SONHADOR, por favor, acordem-me! Serenamente, n\u00e3o deixemos mais, que o Rei v\u00e1 (continue) NU! Pior cego \u00e9 o que n\u00e3o quer ver!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li e meditei num testemunho com interesse; nele as minhas v\u00edsceras acusaram o golpe: \u201cFalo em termos gerais. Sei que h\u00e1 grupos espirituais que acolhem o sacerdote e que podem consol\u00e1-lo e confort\u00e1-lo. 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