{"id":608,"date":"2010-02-10T11:47:00","date_gmt":"2010-02-10T11:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=608"},"modified":"2010-02-10T11:47:00","modified_gmt":"2010-02-10T11:47:00","slug":"verdade-e-interesses-proprios-e-de-grupos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/verdade-e-interesses-proprios-e-de-grupos\/","title":{"rendered":"Verdade e interesses, pr\u00f3prios e de grupos"},"content":{"rendered":"<p>Diz a sabedoria popular que a garantia de o edif\u00edcio resistir \u00e0s tempestades \u00e9 estar constru\u00eddo sobre rocha firme. At\u00e9 as crian\u00e7as sabem isto, de tal maneira \u00e9 claro, e aprendido, praticamente, por intui\u00e7\u00e3o normal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que para crian\u00e7as \u00e9 claro, nem sempre o \u00e9 para pessoas crescidas que se gastam a construir coisas que d\u00e3o nas vistas, esquecendo que, mais tarde ou mais cedo, vir\u00e1 ao de cima a pobreza de n\u00e3o se ter sabido cuidar do essencial.<\/p>\n<p>\u00c9 assim em muitos sectores da vida: da pol\u00edtica ao desporto, da gest\u00e3o empresarial \u00e0 economia do Estado, do privado ao p\u00fablico. Por vezes n\u00e3o ficam de fora nem sequer projectos de cariz religioso. <\/p>\n<p>Temos assistido, ao longo dos \u00faltimos anos, \u00e0 derrocada de bancos, clubes desportivos, partidos pol\u00edticos, empresas e institui\u00e7\u00f5es. Tudo isto, porque parece que contaram mais os interesses imediatos ou s\u00f3 de alguns, em vez da verdade e do compromisso com o bem social e de todos, \u00fanico alicerce firme que n\u00e3o pressagia desmoronamentos nem ru\u00ednas do edif\u00edcio social.<\/p>\n<p>Quando se pretende ou se deve recome\u00e7ar, nem sempre a li\u00e7\u00e3o anterior foi aprendida e considerada como aviso, para n\u00e3o se cair num logro repetido.<\/p>\n<p>H\u00e1 erros irrecuper\u00e1veis que deixam v\u00edtimas sem conta como perda de bens, projectos incompletos, desist\u00eancias for\u00e7adas, aproveitamentos desonestos, malabarismos pol\u00edticos, cegueiras inc\u00f3modas, inimizades de estima\u00e7\u00e3o, truques vergonhosos, rela\u00e7\u00f5es encrespadas. Tudo isto e mais ainda, s\u00e3o destro\u00e7os que cobrem o campo aberto das batalhas perdidas e dos esfor\u00e7os malbaratados e sem futuro, sempre que falta a verdade que gera honestidade e compromisso.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de verdade na decis\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es, concretiza\u00e7\u00e3o dos projectos e avalia\u00e7\u00e3o dos meios que levaram \u00e0 derrocada, n\u00e3o admite cr\u00edticas, dirigidas \u00e0queles que a n\u00e3o respeitaram. Os culpados s\u00e3o sempre os outros, o ambiente, os ventos de fora, a famosa crise exterior. Assim, at\u00e9 que tudo fique claro e se veja que afinal, a mentira do orgulho que nega e n\u00e3o aceita a culpa, atraiu outras mentiras, vergonhosas e prejudiciais.  <\/p>\n<p>A vida social de hoje permite esta lament\u00e1vel invers\u00e3o de valores objectivos, com muita gente a calar-se por ter medo das pedras que possam cair no seu telhado. Quando algu\u00e9m tem a coragem da verdade, tem logo, pela frente, a certeza de cr\u00edticas destrutivas, amea\u00e7as eminentes, vingan\u00e7as sofisticadas. <\/p>\n<p>Quem luta na verdade e pela verdade n\u00e3o teme. A seu tempo, esta protege e defende aqueles que a respeitaram e serviram.<\/p>\n<p>Neste momento, parece que toda a gente teme pelo futuro do pa\u00eds. Por motivo n\u00e3o das dificuldades, que sempre as ouve e se foram superando, mas da m\u00e1 constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio social que, por via dos interesses, pessoais, de grupos e de partidos pol\u00edticos, se apresenta cada vez mais d\u00e9bil, desconjuntado e inseguro.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio aberto e correcto da democracia n\u00e3o devia permitir que as coisas chegassem a este ponto lament\u00e1vel, de retrocesso dif\u00edcil, sen\u00e3o mesmo imposs\u00edvel. Acontece, por\u00e9m, que a democracia j\u00e1 muitos a meteram na gaveta, como em tempos se fez ao socialismo pol\u00edtico, por se tornar incapaz de entender a realidade e agir segundo as suas exig\u00eancias. \u00c9 mais f\u00e1cil e mais r\u00e1pido olhar para o umbigo e para o bolso da carteira do que para as pessoas, com seus direitos, e para situa\u00e7\u00f5es por resolver a pedir aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando a pol\u00edtica n\u00e3o funciona numa base de verdade e de uma democracia a s\u00e9rio, tudo se complica mais. Caminhos mais obstru\u00eddos, problemas que se arrastam, pessoas que desistem, outras, sem escr\u00fapulos, que se aproveitam da confus\u00e3o.<\/p>\n<p>A Europa e v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica, mais pr\u00f3ximos da nossa compreens\u00e3o, mostram o descalabro da sobreposi\u00e7\u00e3o dos interesses \u00e0 verdade objectiva. E os tribunais, mesmo os internacionais, n\u00e3o resolvem tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz a sabedoria popular que a garantia de o edif\u00edcio resistir \u00e0s tempestades \u00e9 estar constru\u00eddo sobre rocha firme. At\u00e9 as crian\u00e7as sabem isto, de tal maneira \u00e9 claro, e aprendido, praticamente, por intui\u00e7\u00e3o normal. 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