{"id":6084,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6084"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"muito-mais-que-5-ideias-para-ser-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/muito-mais-que-5-ideias-para-ser-feliz\/","title":{"rendered":"Muito mais que 5 ideias para ser feliz"},"content":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o tinha a no\u00e7\u00e3o de que escrevia tanto sobre felicidade\u201d, afirma Laurinda Alves, directora da revista Xis (suplemento do P\u00fablico, ao s\u00e1bado). \u201cTento escrever sobre a realidade tal como ela \u00e9, s\u00f3 que numa l\u00f3gica construtiva\u201d, acrescenta. Foi essa \u201cl\u00f3gica construtiva\u201d \u00e0 volta de cinco ideias para uma vida mais feliz (Verdade, Proximidade, Fidelidade, Realidade e Saber gerir o tempo) que seduziu o audit\u00f3rio superlotado do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, a 4 de Janeiro. Aqui fica o resumo de uma noite de ideia positivas que t\u00e3o cedo n\u00e3o ser\u00e1 esquecida.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas P\u00eas<\/p>\n<p>5 ideias s\u00e3o muitas. Devemos antes fazer como com os prop\u00f3sitos de in\u00edcio de ano: poucos, pequenos e poss\u00edveis. Se puderem ser 3, que n\u00e3o sejam 5. Se for apenas um, tanto melhor, porque esse \u00fanico, se for cumprido pode arrastar os outros. Se tivermos muitas ideias e imposs\u00edveis de alcan\u00e7ar, n\u00e3o concretizamos nenhuma.<\/p>\n<p>Verdade<\/p>\n<p>Se for verdadeira comigo pr\u00f3pria, serei verdadeira com os outros e a verdade espalha-se como as ondas conc\u00eantricas de um lago. \u00c9 muito dif\u00edcil uma pessoa ser verdadeira consigo pr\u00f3pria: Quem sou? Qual o meu papel? Quais os meus sentimentos? O meu papel no mundo \u00e9 \u00fanico e n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel com nenhum outro.<\/p>\n<p>A verdade sobre o pr\u00f3prio \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 mais f\u00e1cil uma pessoa escapar, passar ao lado, fingir que n\u00e3o sente o que sente. Enquanto pais, professores ou educadores, obviamente temos de ensinar a falar verdade. Mas essa verdade exterior centra-se nesta verdade interior. Quando n\u00f3s dizemos a nossa verdade, a verdade sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, mesmo que pare\u00e7amos um \u201calien\u201d, as pessoas respeitam. Tem-me acontecido isso como jornalista cat\u00f3lica, nos mais diversos ambientes.<\/p>\n<p>Proximidade<\/p>\n<p>A vida \u00e9 uma vertigem. O tempo voa. Por isso mesmo \u00e9 importante termos a no\u00e7\u00e3o de que a proximidade \u00e9 um bem escasso, raro, precioso. N\u00e3o s\u00f3 a proximidade f\u00edsica. A proximidade \u00e9 um fio condutor da vida. <\/p>\n<p>Apostar na verdade, na proximidade, \u00e9 ganhar \u00e0 partida. \u00c9 um euromilh\u00f5es experiencialmente ganho. \u00c9 uma vida de exc\u00eantricos de paz interior.<\/p>\n<p>Hoje falta o tempo para estar. Aparentemente \u00e9 mais f\u00e1cil por se mandarem sms, mails, se telefonar&#8230; H\u00e1 mais contactos, mas h\u00e1 menos proximidade. Tenho um privil\u00e9gio enorme de poder organizar o meu tempo de modo a estar com o meu filho. Cultivar a proximidade \u00e9 coisa para se fazer sempre e n\u00e3o apenas num momento.<\/p>\n<p>Fidelidade<\/p>\n<p>Falo no sentido do compromisso com alguma coisa que nos leve mais longe como pessoas \u2013 compromisso social, c\u00edvico, familiar, amoroso&#8230; \u00c9 importante ter um compromisso como estrutura de vida, mais do que como prop\u00f3sito. Ser fiel aos princ\u00edpios, a algu\u00e9m, a Deus, \u00e9 uma conquista di\u00e1ria, como um caminho de mil quil\u00f3metros que come\u00e7a com um pequeno passo. Temos todos dificuldades no compromisso. Parece agrad\u00e1vel fugir ao compromisso. \u00c9 uma ilus\u00e3o de liberdade.<\/p>\n<p>Liberdade<\/p>\n<p>A verdadeira liberdade \u00e9 a liberdade interior. N\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de compromissos. Isso \u00e9 estar desligado. N\u00f3s somos rela\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio di\u00e1rio<\/p>\n<p>Preciso de um sil\u00eancio di\u00e1rio, para juntar o que em mim anda disperso; por isso vou \u00e0 missa todos os dias, desde h\u00e1 tr\u00eas anos. Preciso daquelas frases que d\u00e3o sentido ao dia. Sou eu que quero. Ningu\u00e9m me imp\u00f4s. \u00c9 um compromisso comigo pr\u00f3pria, que abre outras portas de fidelidade: ao que amamos, \u00e0queles com quem trabalhamos. Estas fidelidades contagiam-se.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio \u00e9 regenerador, cat\u00e1rquico, provocador. Quanto mais a vida profissional \u00e9 agitada, mais necessidade h\u00e1 de sil\u00eancio, para poder responder a todas as solicita\u00e7\u00f5es. O sil\u00eancio \u00e9 vital. Da\u00ed que eu sinta a necessidade, por exemplo, de fazer retiros de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Ajuda-me a viver, a recuperar, a enfrentar dificuldades familiares, a fazer caminho. O sil\u00eancio \u00e9 de in-trospec\u00e7\u00e3o mas \u00e9 muito mais de rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 quinze anos me dissessem que eu precisava de sil\u00eancio, eu pensava que estavam doidos. A vida vai-se desenhando e leva-nos por caminhos que n\u00e3o sonh\u00e1mos.<\/p>\n<p>Bem e mal<\/p>\n<p>O bem e o mal s\u00e3o igualmente contagiantes. A diferen\u00e7a \u00e9 que o bem \u00e9 infinitamente mais luminoso. <\/p>\n<p>Realidade<\/p>\n<p>Ser realista. Olhar a realidade como ela \u00e9, sem pretender pint\u00e1-la, dour\u00e1-la ou p\u00f4-la cor-de-rosa ou mais negra. N\u00e3o \u00e9 verdade que esteja tudo mal, cada vez pior. Sempre houve e haver\u00e1 pessoas p\u00e9ssimas e pessoas \u00f3ptimas; cat\u00e1strofes; pessoas que se dedicam a fazer o mal e outras a fazer o bem. Gera\u00e7\u00f5es perdidas n\u00e3o existem. Existem gera\u00e7\u00f5es com pessoas mais perdidas e pessoas encontradas.<\/p>\n<p>Pessimismo e optimismo<\/p>\n<p>O filho pessimista olha para o rel\u00f3gio caro que o pai lhe deu e s\u00f3 v\u00ea problemas: roubo, acidente, vidro partido e cravado na pele, hospital&#8230; O optimista olha para a ferradura e diz que o pai lhe deu um cavalo. A ferradura j\u00e1 chegou; a seguir vem o cavalo. <\/p>\n<p>\u00c9 preciso ser optimista, mas no sentido realista. N\u00e3o \u00e9 ser tipo \u201ccontentinho da vida\u201d. Por vezes, tudo \u00e0 nossa volta nos leva a ficar \u201cdown\u201d. \u00c9 o 11 de Setembro, a pedofilia, Entre-os-Rios, o \u201cKatrina\u201d, o sofrimento de amigos. \u00c9 muito dif\u00edcil sobreviver ao pessimismo. Mas \u00e9 poss\u00edvel e desej\u00e1vel. \u00c9 preciso olhar para o lado bom da vida. Alguns, para isso, usam um recado no bolso, um post-it mental, o sil\u00eancio, a lembran\u00e7a de um amigo&#8230;<\/p>\n<p>Poder dos Media<\/p>\n<p>Os telejornais insistem no lado negativo. Ficamos com um olhar bovino, passivo, a olhar para as not\u00edcias. Esse poder e fasc\u00ednio s\u00e3o usados de forma descalibrada. A l\u00f3gica das not\u00edcias continua a ser \u201cas boas not\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcia\u201d. \u00c9 perversa, mas \u00e9 a que vigora. Mas h\u00e1 pessoas extraordin\u00e1rias \u00e0 nossa volta. Pessoas para quem tudo podia ser motivo de infelicidade, amargura, revolta interior, mas que vivem com um sorriso enorme. H\u00e1 pessoas que fazem da adversidade exemplos luminosos.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor perguntar \u201cpara qu\u00ea?\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 tempo desperdi\u00e7ado pergun-tar pelos \u201cporqu\u00eas\u201d da vida, do sofrimento, as perplexidades&#8230; Nunca teremos resposta. Mas podemos perguntar pelo \u201cpara qu\u00ea\u201d. \u201cOnde \u00e9 que isto me pode levar?\u201d \u201cO que me quer dizer Deus com isto?\u201d \u201cPara onde \u00e9 que a vida me leva?\u201d<\/p>\n<p>Gerir o tempo<\/p>\n<p>No trabalho, quanto mais se faz, mais h\u00e1 para fazer. O tempo para o essencial n\u00e3o sobra. Mas tem de ser gerido a nosso favor. \u00c0s vezes, temos de saber dizer que n\u00e3o; temos que arranjar meia hora s\u00f3 para n\u00f3s, desligar o telefone, n\u00e3o estar para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 importante encontrar um tempo para si, seja ele qual for, onde for. \u00c9 importante ter tempo para n\u00f3s para podermos ser para os outros.<\/p>\n<p>Empresas respons\u00e1veis<\/p>\n<p>H\u00e1 empresas que reconhecem a necessidade de os seus funcion\u00e1rios terem mais tempo para a fam\u00edlia e praticam a pol\u00edtica das luzes apagadas a partir de certa hora, ou ent\u00e3o surge no computador a mensagem \u201cgo home\u201d (\u201cv\u00e1 para casa\u201d), ou n\u00e3o permitem que se marquem reuni\u00f5es de trabalho a partir das 17h. <\/p>\n<p>Minoria e maioria<\/p>\n<p>Somos uma minoria, mas as minorias \u00e9 que fazem mudar o mundo. As maiorias deslocam-se em massa. S\u00e3o acr\u00edticas e ac\u00e9falas. Apoiam coisas inenarr\u00e1veis. As minorias que acreditam na \u00e9tica ou no ser humano \u00e9 que mudam a hist\u00f3ria. \u00c0s vezes, \u00e9 preciso ser excessivo, como o Lech Walesa ou o Bob Gelodof. \u00c9 preciso desiquilibrar o equil\u00edbrio. O equil\u00edbrio pode confundir-se com as \u00e1guas paradas, com a paz podre. <\/p>\n<p>Escolhas<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o as tuas qualidades que te definem, mas as tuas escolhas\u201d (frase de um dos livros do Harry Potter).<\/p>\n<p>O F\u00f3rum::Universal acontece na primeira quarta-feira de cada m\u00eas, no CUFC, e pretende ser um espa\u00e7o de partilha e debate, com um convidado, sobre uma quest\u00e3o da actualidade. A pr\u00f3xima sess\u00e3o \u00e9 no dia 1 de Fevereiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o tinha a no\u00e7\u00e3o de que escrevia tanto sobre felicidade\u201d, afirma Laurinda Alves, directora da revista Xis (suplemento do P\u00fablico, ao s\u00e1bado). \u201cTento escrever sobre a realidade tal como ela \u00e9, s\u00f3 que numa l\u00f3gica construtiva\u201d, acrescenta. 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