{"id":6094,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6094"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-persistencia-da-linguagem-religiosa-nas-paginas-dos-jornais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-persistencia-da-linguagem-religiosa-nas-paginas-dos-jornais\/","title":{"rendered":"A persist\u00eancia da linguagem religiosa nas p\u00e1ginas dos jornais"},"content":{"rendered":"<p>Dias positivos <!--more--> A quest\u00e3o dos crucifixos na sala de aulas fez correr muita tinta, mas ficou esvaziada num \u00e1pice. Uma frase certeira de D. Carlos Azevedo, secret\u00e1rio da confer\u00eancia dos bispos portugueses arrumou a pol\u00e9mica: \u201cA Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o vai exigir que os crucifixos permane\u00e7am nas escolas, porque n\u00e3o foi ela quem exigiu que eles l\u00e1 fossem colocados\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, por ter surgido, despertou a minha aten\u00e7\u00e3o sobre o uso e a presen\u00e7a de sinais especificamente religiosos na linguagem de todos os dias e principalmente nas p\u00e1ginas dos jornais. Podemos retirar os sinais religiosos das paredes, mas n\u00e3o podemos tirar a religi\u00e3o da cultura.<\/p>\n<p>As express\u00f5es de origem religiosa abundam na imprensa \u201claica\u201d portuguesa, em usos que nada t\u00eam a ver com a religi\u00e3o. Afinal, os jornalistas, cronistas ou fazedores de opini\u00e3o sabem bem que essas met\u00e1foras e express\u00f5es podem abrir as portas da compreens\u00e3o dos leitores. Vou dar alguns exemplos dos \u00faltimos dias. O espa\u00e7o n\u00e3o me permite referir as dezenas de recortes de jornais que tenho em m\u00e3os, nem o uso que os pol\u00edticos t\u00eam feito de termos ou figuras religiosas.<\/p>\n<p>* \u201cBastaram duas missas para converter os incr\u00e9dulos. Na primeira, celebrou-se o aeroporto da Ota, na segunda, o Plano Tecnol\u00f3gico. Os chamados agentes econ\u00f3micos, que, na sua grande maioria, pareciam rebeldes sem f\u00e9, perante an\u00fancios, miraculosos do Governo, acabaram rendidos \u00e0s evid\u00eancias\u201d, escreveu Vicente Jorge Silva, no Di\u00e1rio de Not\u00edcias (26-11-05).<\/p>\n<p>* \u201cQuem nos liberta desta cruz\u201d, pergunta Henrique Monteiro (Expresso, 19-12-05), a prop\u00f3sito das reformas sobre reformas na educa\u00e7\u00e3o, sem resultados aparentes. \u201cReligi\u00e3o baseada num incontrol\u00e1vel relativismo \u00e9 o \u00abeduqu\u00eas\u00bb\u201d, diz o agora director do Expresso.<\/p>\n<p>* \u201cO pa\u00eds e a par\u00f3quia\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de um texto de Jo\u00e3o Miguel Tavares (Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 07-10-05), a prop\u00f3sito da campanha das elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. \u201cO que temos visto \u00e9 Portugal no seu pior: um pa\u00eds paroquial e desconfiado\u201d, escreve o cronista. (De onde ter\u00e1 vindo o sentido pejorativo da palavra par\u00f3quia e seus derivados? Porque \u00e9 cada vez mais comum usar o adjectivo \u201cparoquial\u201d para dizer que algo\/algu\u00e9m \u00e9 mesquinho, tem vistas curtas, \u00e9 irrelevante? Seria interessante que um linguista se debru\u00e7asse sobre esta quest\u00e3o.)<\/p>\n<p>* \u201cO bom pastor\u201d, afirma, num t\u00edtulo, Eduardo Prado Coelho sobre o m\u00e9dico Jo\u00e3o Lobo Antunes e o seu livro \u201cSobre a M\u00e3o e Outros Ensaios\u201d (P\u00fablico, 31-12-05). O mesmo Prado Coelho escreve sobre o corpo do doente acamado num hospital e invoca a express\u00e3o \u201ccorpo glorioso\u201d (P\u00fablico, 03-01-16) , que tem necessariamente conota\u00e7\u00f5es religiosas (algu\u00e9m ainda se lembra dos \u201cdotes do corpo glorioso\u201d?). <\/p>\n<p>* Finalmente, no suplemento econ\u00f3mico do jornal P\u00fablico (Dia D, de 2 de Janeiro de 2006), afirma-se: \u201cOs sete pecados capitais foram enunciados para os males do corpo e do esp\u00edrito, mas s\u00e3o igualmente bons para descrever os males da sua vida financeira. A cada um destes pecados financeiros corresponde uma virtude que, quando praticada, o coloca no caminho para a multiplica\u00e7\u00e3o do seu dinheiro. Em cinco anos, estas virtudes podem lev\u00e1-lo a acumular at\u00e9 100 mil euros. E olhe que isto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 conversa\u201d. Os sete pecados financeiros s\u00e3o aqueles que se aprendiam na catequese embora por outra ordem: lux\u00faria, gula, avareza, pregui\u00e7a, ira, inveja, vaida-de. As sete virtudes financeiras: castidade, temperan\u00e7a, liberalidade, dilig\u00eancia, paci\u00eancia, caridade e humildade. Um exemplo de lux\u00faria: uso e abuso do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, gastando aquilo que se tem e o que se h\u00e1-de ter. Ao longo de dez p\u00e1ginas o leitor tem imensas sugest\u00f5es para gerir as suas finan\u00e7as com base em pecados\/virtudes.<\/p>\n<p>Quem diria que aquelas quase lenga-lengas outrora memorizadas na catequese serviriam para sugerir uma boa administra\u00e7\u00e3o do dinheiro?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6094","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6094\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}