{"id":6118,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6118"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ritos-de-iniciacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ritos-de-iniciacao\/","title":{"rendered":"Ritos de inicia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje <!--more--> 1. Dantes, a melhor forma de incutir a no\u00e7\u00e3o de responsabilidade era, por exemplo, atrav\u00e9s da aten\u00e7\u00e3o que um animal dom\u00e9stico requer: c\u00e3o, peixe, tartaruga ou hamster. Actualmente, estes animais s\u00e3o substitu\u00eddos por tamagochis1 ou ovos. Sim, ovos! Para inculcar a ideia da responsabilidade subjacente a criar um filho, numa s\u00e9rie televisiva de grande aceita\u00e7\u00e3o pela nossa camada adolescente, prop\u00f4s-se que cada casal de personagens (de 18 anos ou menos) acompanhasse dois ovos. Mas chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que era complicado n\u00e3o os partirem, tendo mesmo havido quem os comesse (n\u00e3o h\u00e1 animais que comem os pr\u00f3prios filhos?)!<\/p>\n<p>Em tempo escolar, a no\u00e7\u00e3o de responsabilidade n\u00e3o deveria ser fomentada de acordo com as tarefas de cada um: estudar n\u00e3o \u00e9 tarefa suficientemente respons\u00e1vel? Quem faz os trabalhos de casa? Talvez seja mais interessante tomar conta de um ovo. Ser\u00e1 esse um projecto de vida compar\u00e1vel aos estudos?! Partiu-se? N\u00e3o h\u00e1 problema: deita-se fora, ou come-se. V\u00e1 l\u00e1 que o desperd\u00edcio n\u00e3o ser\u00e1 assim t\u00e3o grande! Quanto aos estudos: reprovou? N\u00e3o h\u00e1 problema: no pr\u00f3ximo ano, repete-se.<\/p>\n<p>E n\u00e3o pense que as telenovelas n\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia na vida real: j\u00e1 h\u00e1 meninas de 12 anos a tomar conta de ovos\u2026 e a parti-los!<\/p>\n<p>2. Para conseguir o t\u00e3o almejado telem\u00f3vel, deixou desenhos no quarto dos pais, nas almofadas da cama aberta para uma noite de descanso, na cozinha, na sala e noutros s\u00edtios que os seus oito anos lhe ditavam como os mais frequentados pelos progenitores em ambiente dom\u00e9stico. E, na noite de 24 de Dezembro, p\u00f4de telefonar do seu novo brinquedo, gra\u00e7as aos desenhos e \u00e0s repetidas manifesta\u00e7\u00f5es de afecto, com que presenteava os pais, desde beijos e abra\u00e7os, passando por declara\u00e7\u00f5es verbais de \u201cGosto muito, muito de ti!\u201d. A hist\u00f3ria repetiu-se pouco tempo depois: ele j\u00e1 n\u00e3o quer viver naquele pr\u00e9dio, pelo que os desenhos agora s\u00e3o de vivendas com jardim. Re-petem-se beijos, abra\u00e7os e declara\u00e7\u00f5es de afecto. De repente, temos um casal preocupado com as atitudes interesseiras do filho. Como lhe explicar que a estrat\u00e9gia, que os enterneceu e levou a comprar o telem\u00f3vel, perdeu o interesse agora que o alvo \u00e9 uma casa?!<\/p>\n<p>3. Nas sociedades ditas primitivas, para se tornar homem, um rapaz tem de passar por uma fase inici\u00e1tica. De entre as m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es existentes, destaco uma que vi, numa reportagem, que consistia no seguinte: toda a comunidade masculina constru\u00eda uma alta torre, feita de troncos e lianas; depois, os adultos atiravam-se do mais alto poss\u00edvel. Os rapazes participavam na constru\u00e7\u00e3o da torre, mas s\u00f3 se atiravam quando estivessem preparados. Enquanto n\u00e3o o fizessem, n\u00e3o se tornavam homens. Por\u00e9m, s\u00f3 o faziam quando estavam preparados. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na nossa sociedade se d\u00e1 o salto para o mundo dos adultos de muitas formas, cada vez mais cedo. E parece estar a desaparecer uma conquista dos tempos moder-nos, o respeito pela inf\u00e2ncia e pela adolesc\u00eancia, privilegiando-se antes do tempo atitudes pr\u00f3prias do adulto. Se estudar veio estender o tempo da depend\u00eancia parental, por que raz\u00e3o se atribuem, cada vez mais cedo, \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes ac\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de uma vida econ\u00f3mica e mentalmente aut\u00f3noma?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}