{"id":6139,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6139"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"preocupacoes-que-sao-problemas-da-gente-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/preocupacoes-que-sao-problemas-da-gente-nova\/","title":{"rendered":"Preocupa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o problemas da gente nova"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, tenho reunido frequentemente com pequenos grupos de jovens, uns a terminar o secund\u00e1rio, outros j\u00e1 nas escolas superiores e, tamb\u00e9m, alguns rec\u00e9m licenciados. Estou mais para ouvir do que para falar, ou para s\u00f3 falar depois de ouvir.<\/p>\n<p>Abrem facilmente o di\u00e1logo quando se trata das suas preocupa\u00e7\u00f5es e dos problemas que as mesmas v\u00e3o gerando. Sentem-se muito solid\u00e1rios, porque as nuvens que encobrem o sol da esperan\u00e7a tocam \u00e0 maioria dos presentes.<\/p>\n<p>Falam da inseguran\u00e7a frente ao futuro, do pouco que vale ter um diploma de curso em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho, do adiamento que se imp\u00f5e de projectos de vida, com os anos a passar, como \u00e9 o de constituir fam\u00edlia\u2026 Interrogam-se sobre o que vale a pena, quando o futuro n\u00e3o sorri ou quando n\u00e3o h\u00e1 sentido para a vida e para o esfor\u00e7o que esta exige\u2026 Queixam-se por ver que a sociedade, que fala tanto dos jovens, por fim, pouco ou nada faz por eles e nivela-os todos como se todos fossem banais e irrespons\u00e1veis\u2026 Contam factos de portas que se fecham, de pais que nem sempre os compreendem, de muitos conselheiros que mais precisam eles pr\u00f3prios de conselhos\u2026 Sentem satisfa\u00e7\u00e3o por algu\u00e9m os ouvir at\u00e9 ao fim e tomar a s\u00e9rio o que dizem e lhes d\u00f3i.<\/p>\n<p>Alguns problemas v\u00e3o-se resolvendo quando se verbalizam. Ent\u00e3o, a palavra de quem escuta pode agora ouvir-se com algum acolhimento. Ningu\u00e9m tem a resposta que soluciona tudo, mas nem \u00e9 essa que se espera.<\/p>\n<p>Dou ent\u00e3o por mim a dizer, serenamente, que um jovem que est\u00e1 na universidade ou j\u00e1 concluiu um curso foi protagonista de muitas vit\u00f3rias, ultrapassou muitos obst\u00e1culos, tem experi\u00eancia de que \u00e9 capaz de muita coisa v\u00e1lida. Ent\u00e3o, uma coisa \u00e9 agora certa: n\u00e3o se pode desistir, nem dar lugar ao des\u00e2nimo que desmotiva e mata. A vida n\u00e3o \u00e9 vida quando se pensa que todas as portas devem estar abertas \u00e0 nossa chegada e que se pode ter vit\u00f3rias sem lutas e esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>Viver \u00e9 desejar viver e fazer pela vida. Um curso n\u00e3o d\u00e1 apenas um diploma, d\u00e1 ainda capacidade para ser criativo, inovador. Na escola, tamb\u00e9m se faz experi\u00eancia do grupo, que se completa e procura em comum, como d\u00e1 elementos para analisar situa\u00e7\u00f5es e procurar caminhos. No fundo, o que se pode e deve dar nestas circunst\u00e2ncias \u00e9 mostrar e sublinhar o valor da esperan\u00e7a. A verdadeira esperan\u00e7a nunca \u00e9 v\u00e3. S\u00f3 ela permite lutar e esperar resultados sem marcar prazos. Ent\u00e3o, podem relatar-se casos, nossos e de outros, em que os obst\u00e1culos foram desafios que redundaram em sucesso.<\/p>\n<p>H\u00e1 que insistir: quem hoje lida com a gente nova tem de acender os far\u00f3is m\u00e1ximos para n\u00e3o tirar luz ao que est\u00e1 perto, mas mostrar horizontes largos e long\u00ednquos, capazes de fascinar e impelir a ir mais longe. E assim acontece a uns que diversificam os estudos j\u00e1 feitos, a outros que arrega\u00e7am mangas e deitam m\u00e3o a servi\u00e7os que n\u00e3o envergonham ningu\u00e9m, ainda a outros que se decidem a fazer grupo para criarem o seu mundo de trabalho e mostrar o que s\u00e3o capazes. Olhos abertos para a realidade e cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para querer ir mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>Mais complicada \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da gente mais nova que diz que a sua vida n\u00e3o tem sentido: porque estudar, porque trabalhar, porque privar-se de gozar, se isso aparece como o que mais solicita e onde se encontra mais gente a pensar do mesmo modo e a querer o mesmo? Lamentavelmente, o ambiente que nos cerca favorece este vazio sem presente nem futuro. Um desafio a todos os educadores que n\u00e3o podem mais ser repetidores de conselhos, mas mestres a favorecer aprendizagens de vida. N\u00e3o se \u00e9 um protagonista um dia de coisas grandes, se n\u00e3o se aprender a s\u00ea-lo todos os dias nas coisas pequenas e acess\u00edveis. Educar n\u00e3o \u00e9 iludir a vida, mas ensinar a viver em todas a situa\u00e7\u00f5es de vida. S\u00f3 gente com sentido na vida \u00e9 capaz de ajudar outros a dar sentido \u00e0  pr\u00f3pria vida. A gente nova anda no vento. Precisa cada vez mais de gente com os p\u00e9s no ch\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, tenho reunido frequentemente com pequenos grupos de jovens, uns a terminar o secund\u00e1rio, outros j\u00e1 nas escolas superiores e, tamb\u00e9m, alguns rec\u00e9m licenciados. Estou mais para ouvir do que para falar, ou para s\u00f3 falar depois de ouvir. 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