{"id":6174,"date":"2006-05-25T10:23:00","date_gmt":"2006-05-25T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6174"},"modified":"2006-05-25T10:23:00","modified_gmt":"2006-05-25T10:23:00","slug":"ameaca-ou-sintoma-e-oportunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ameaca-ou-sintoma-e-oportunidade\/","title":{"rendered":"Amea\u00e7a ou sintoma e oportunidade?"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito de &#8220;O C\u00f3digo da Vinci&#8221; <!--more--> Estreou na semana passada, nos cinemas, \u201cO C\u00f3digo da Vinci\u201d, filme baseado no romance hom\u00f3nimo de Dan Brown que em Portugal vendeu de 470 mil exemplares e no mundo ter\u00e1 vendido 40 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O filme segue a par e passo o livro, que, como foi algumas vezes referido no Correio do Vouga, tem basicamente o seguinte enredo: H\u00e1 um segredo que vai mudar a hist\u00f3ria da humanidade. A Opus Dei manda matar, mas n\u00e3o consegue impedir que se venha a conhecer aquilo que a Igreja escondeu durante s\u00e9culos. E o que a Igreja escondeu \u00e9: Jesus e Madalena casaram e tiveram filhos. A protagonista do livro\/filme \u00e9 descendente directa de Jesus e Maria de Magdala.<\/p>\n<p>Obviamente, a obra \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. Uma fic\u00e7\u00e3o que os cr\u00edticos t\u00eam denegrido enquanto obra liter\u00e1ria (talvez por ter vendido muito), mas que os leitores t\u00eam devorado como poucas. A linguagem \u00e9 simples; os cap\u00edtulos s\u00e3o curtos; o enredo, misturando hist\u00f3ria, religi\u00e3o, arquitectura, pintura, matem\u00e1tica e segredos \u00e9 fascinante; e o tema central, tocando em Jesus, toca no centro da cultura em que vivemos. Mais: a fic\u00e7\u00e3o \u00e9 constru\u00edda com factos, meio-factos e n\u00e3o-factos, provocando frequentemente um sentimento de indigna\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 minimamente por dentro dos assuntos. Indigna\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m admira\u00e7\u00e3o pelo engenho do autor. Pode n\u00e3o ser grande literato, mas sabe prender com mestria o leitor, relacionando os factos mais improv\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pouca pol\u00e9mica, afinal<\/p>\n<p>Alguns sectores da Igreja (n\u00e3o s\u00f3 Cat\u00f3lica) n\u00e3o v\u00eam com bons olhos a obra (passemos a designar assim o livro\/filme), pelos claros erros hist\u00f3ricos que encerra, mas a verdade \u00e9 que a pol\u00e9mica nem tem sido tanta como desejariam os promotores do filme, para al\u00e9m de a cr\u00edtica ter sido p\u00e9ssima. Num jornal di\u00e1rio portugu\u00eas, escreve-se: \u201c\u2018O C\u00f3digo da Vinci\u2019 j\u00e1 come\u00e7ou a incendiar multid\u00f5es\u201d. Onde? N\u00e3o se diz, porque a resposta \u00e9: em lado nenhum. Uma leitura atenta de v\u00e1rios jornais permite descortinar dois casos de insignificante pol\u00e9mica: uns deputados italianos que contestam o filme e umas manifesta\u00e7\u00f5es na&#8230; Bielorr\u00fassia. Muito pouco para quem desejava uma pol\u00e9mica a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o ser\u00e1 saber at\u00e9 que ponto uma obra deste tipo pode influenciar negativamente as pessoas que a v\u00eaem\/l\u00eaem. O Cardeal Angelo Amato, sucessor de Joseph Ratzinger na Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, diz que o livro \u00e9 um \u201cromance perversamente anticrist\u00e3o\u201d, enquanto uma sondagem do jornal La Croix, di\u00e1rio cat\u00f3lico franc\u00eas, diz que 30 por cento dos franceses acreditam que as teorias de Dan Brown s\u00e3o verdadeiras. E os portugueses?<\/p>\n<p>\u201cUma coisa \u00e9 a fic\u00e7\u00e3o, outra a realidade\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 porta de uma sala de cinema de Aveiro, o Correio do Vouga interrogou algumas pessoas que assistiram \u00e0s primeiras exibi\u00e7\u00f5es do filme, todos jovens, supostamente mais vulner\u00e1veis \u00e0 fic\u00e7\u00e3o. M\u00e1rio Tavares, 23 anos, de Aveiro, gostou do filme. \u201cEst\u00e1 como o livro\u201d, disse. Educado na f\u00e9 cat\u00f3lica, este tripulante de cruzeiro n\u00e3o \u00e9 praticante, mas reconhece que \u201cse estudar mais um bocado\u201d pode \u201crefutar as ideias do livro\u201d. Diogo Vieira, 17 anos, estudante de Oliveira do Bairro, \u00e9 cat\u00f3lico e viu o filme porque gostou muito do livro. Interrogado sobre se as ideias do livro\/filme p\u00f5em em causa a sua f\u00e9, responde sem hesita\u00e7\u00f5es: \u201cDe forma alguma. N\u00e3o tem nada a ver. Uma coisa \u00e9 a fic\u00e7\u00e3o, outra a realidade\u201d. Opini\u00e3o parecida tem Rita Santos, 18 anos, da mesma localidade bairradina, estudante: \u201cN\u00e3o li o livro, mas gostei do filme. N\u00e3o \u00e9 por causa de um filme que se deixa a Igreja\u201d.<\/p>\n<p>Pe J\u00falio Franclim Pacheco, professor de disciplinas b\u00edblicas em Coimbra e no Iscra (Aveiro) disse ao Correio do Vouga que n\u00e3o vai ver o filme. \u201cE o que diz a quem lhe pedir uma opini\u00e3o?\u201d \u2013 perguntou-lhe o Correio do Vouga. Ao que ele respondeu: \u201cSe \u00e9 influenci\u00e1vel e quiser ficar confuso, v\u00e1 ver. Se n\u00e3o \u00e9 influenci\u00e1vel, pode ver [ou ler] \u00e0 vontade\u201d. Para este biblista, autor de um artigo sobre este romance no n\u00ba 2 da Praxis, revista do Iscra, o que pode induzir o leitor em erro \u00e9 o aviso que Dan Brown coloca no in\u00edcio do seu livro: \u201cTodas as descri\u00e7\u00f5es de obras de arte, edif\u00edcios, documentos e rituais secretos que aparecem neste romance s\u00e3o exactas\u201d. N\u00e3o s\u00e3o, como variados artigos e livros t\u00eam demonstrado. Mas seduzem o leitor. Tal sedu\u00e7\u00e3o coloca uma quest\u00e3o \u00e0 Igreja, muito bem definida nas palavras de Constan\u00e7a Cunha e S\u00e1, nas p\u00e1ginas do P\u00fablico (19-05-06): \u201cA \u2018verosimilhan\u00e7a\u2019 que grande parte dos leitores encontrou no livro (&#8230;), para al\u00e9m de mostrar o grau de estupidifica\u00e7\u00e3o e de superficialidade a que se chegou, entre n\u00f3s, confirma uma confrangedora ignor\u00e2ncia sobre o cristianismo e as suas origens. O problema n\u00e3o est\u00e1 no desconhecimento dos evangelhos gn\u00f3sticos e dos textos her\u00e9ticos (&#8230;); est\u00e1 no desconhecimento absoluto de tudo; dos evangelhos gn\u00f3sticos e dos evangelhos can\u00f3nicos; dos textos her\u00e9ticos e dos textos ortodoxos; da hist\u00f3ria da Igreja e da doutrina cat\u00f3lica\u201d. Ter-se-\u00e1 a Igreja apercebido disto?<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana: <\/p>\n<p>Os erros hist\u00f3rico-teol\u00f3gicos do C\u00f3digo<\/p>\n<p>Dar a volta por cima<\/p>\n<p>Como algumas vozes t\u00eam vindo a afirmar, \u201cO C\u00f3digo da Vinci\u201d talvez n\u00e3o seja uma amea\u00e7a, mas um sintoma de que algo est\u00e1 mal: a maior parte das pessoas aprendeu muito pouco com a sua educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Ora, em alguns casos, o \u201cC\u00f3digo\u201d est\u00e1 a transformar-se numa oportunidade de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, a Jesus Cristo e at\u00e9 \u00e0 Opus Dei. Na Inglaterra, os respons\u00e1veis de uma catedral onde foram rodadas algumas cenas aplicaram o dinheiro do aluguer numa exposi\u00e7\u00e3o e num ciclo de confer\u00eancias. Nos EUA, os bispos cat\u00f3licos criaram um op\u00fasculo, um site (www.jesusdecoded.com) e um document\u00e1rio sobre \u201co verdadeiro Jesus\u201d. Em Portugal, o Opus Dei, que no filme \u00e9 o \u201cmau da fita\u201d, parece, paradoxalmente, beneficiada pela exposi\u00e7\u00e3o. Pe Jos\u00e9 Rafael Esp\u00edrito Santo, vig\u00e1rio-geral do Opus Dei dizia na semana passada \u00e0 revista Vis\u00e3o: \u201cPara j\u00e1, tem subido o n\u00famero de pedidos de informa\u00e7\u00e3o sobre o Opus Dei, sobretudo na Net\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito de &#8220;O C\u00f3digo da Vinci&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-6174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}