{"id":6203,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6203"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"mitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mitos\/","title":{"rendered":"Mitos?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 das lembran\u00e7as mais recuadas que me povoam a mem\u00f3ria. No princ\u00edpio da escola prim\u00e1ria, cujo edif\u00edcio era \u00e0 margem da \u201cestrada real\u201d, a \u00fanica via que ligava o Porto a Lisboa, fomos mobilizados, com bata a rigor e bandeirinhas portuguesas e brasileiras, para bordejar a estrada nacional e aclamar a comitiva presidencial que iria passar.<\/p>\n<p>Tratava-se de uma visita de Estado do Presidente Caf\u00e9 Filho. Conhec\u00edamos bem o nosso Presidente da Rep\u00fablica de ent\u00e3o e sab\u00edamos ainda que l\u00e1 longe t\u00ednhamos um Pa\u00eds Irm\u00e3o, at\u00e9 porque da nossa terra bastantes pessoas tinham emigrado para o Brasil em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Cumprimos garbosamente a nossa obriga\u00e7\u00e3o de festejar a passagem das personalidades, convictos de que est\u00e1vamos a honrar dignos s\u00edmbolos da nossa p\u00e1tria e da segunda p\u00e1tria de parentes nossos. N\u00e3o nos sentimos em nada manipulados. Antes foi uma honra que nem todas as terras de Portugal puderam ter.<\/p>\n<p>Ainda sucedeu mais alguma vez essa chamada \u00e0 beira da estrada para cerimoniais semelhantes. Ali, onde nessa altura ainda se podia jogar \u00e0 bola, porque havia mais do que tempo para nos afastarmos e deixar passar os raros autom\u00f3veis, prest\u00e1mos guarda de honra &#8211; mesmo que n\u00e3o oficial &#8211; aos supremos magistrados da Na\u00e7\u00e3o e, ainda que timidamente, a candidatos que ousavam ser oposi\u00e7\u00e3o nesses tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>N\u00e3o eram mitos as figuras que povoavam as nossas cabe\u00e7as. Mas eram pessoas por quem nutr\u00edamos admira\u00e7\u00e3o, que &#8211; sem discutir por que raz\u00f5es e com que estrat\u00e9gias &#8211; se nos impunham como respeitosas e significativas para o andar da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em v\u00e9speras de elei\u00e7\u00e3o presidencial n\u00e3o me move qualquer saudosismo desses tempos. Mas sobra-me esta sensa\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o de que lid\u00e1vamos com pessoas s\u00e9rias. E essa eu gostaria de a ter a respeito de todos os candidatos ao voto do pr\u00f3ximo domingo. De alguns, fica-me a agrad\u00e1vel imagem de que se esfor\u00e7aram por isso, por se apresentar como gente respeit\u00e1vel. Faltou, porventura, agora que sou crescido e que podemos discutir livremente o perfil do Presidente, suficiente oferta de ideias para perceber bem o que se prop\u00f5em. De outros, francamente tenho pena que a democracia os produza!  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 das lembran\u00e7as mais recuadas que me povoam a mem\u00f3ria. No princ\u00edpio da escola prim\u00e1ria, cujo edif\u00edcio era \u00e0 margem da \u201cestrada real\u201d, a \u00fanica via que ligava o Porto a Lisboa, fomos mobilizados, com bata a rigor e bandeirinhas portuguesas e brasileiras, para bordejar a estrada nacional e aclamar a comitiva presidencial que iria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-6203","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6203\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}