{"id":6210,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6210"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"vivemos-perto-do-paraiso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vivemos-perto-do-paraiso\/","title":{"rendered":"&#8220;Vivemos perto do para\u00edso&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Encontro dos Jovens do Mediterr\u00e2neo <!--more--> Decorreu, em Setembro de 2005, a quinta edi\u00e7\u00e3o do \u00c1gora dos Jovens do Mediterr\u00e2neo. Nesse encontro de jovens de 24 na\u00e7\u00f5es (sul da Europa, Balc\u00e3s, Norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente) participaram dois jovens de Aveiro, a Carla Silva e o Pedro Martins. O encontro passou despercebido, mas a p\u00e1gina dos \u201cJovens\u201d do Correio do Vouga recupera-o, dando a palavra aos representantes portugueses. <\/p>\n<p>Correio do Vouga: O que \u00e9 o \u00c1gora?<\/p>\n<p>Pedro Martins: \u00c1gora \u00e9 uma palavra de origem grega que significa pra\u00e7a. \u00c9 o equivalente ao F\u00f3rum dos romanos. Portanto, este encontro \u00e9 um f\u00f3rum onde se re\u00fanem, durante uma semana, Jovens Cat\u00f3licos, animadores de Pastoral Juvenil e Pastoral Mission\u00e1ria dos Pa\u00edses do Mediterr\u00e2neo, que debatem tem\u00e1ticas actuais tais como F\u00e9, \u00c9tica, Economia e Pol\u00edtica. Decorre em Loreto, It\u00e1lia, no Centro Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p>Como come\u00e7aram esses encontros?<\/p>\n<p>Corria o ano de 2001, quando o Centro Jo\u00e3o Paulo II organizou o primeiro Encontro Internacional de Jovens do Mar Adri\u00e1tico. Tratou-se de uma iniciativa que n\u00e3o visava apenas a solidariedade com os Pa\u00edses de Leste, mas o aprofundar do patrim\u00f3nio comum de F\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia deu vida ao \u00c1gora dos Jovens do Mediterr\u00e2neo. A partir do ano seguinte, a Confer\u00eancia Episcopal Italiana, atrav\u00e9s do Servi\u00e7o Nacional de Pastoral Juvenil e do Departamento de Coopera\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria, passa a apoiar o encontro e alarga-se, tamb\u00e9m, a participa\u00e7\u00e3o aos diversos pa\u00edses do Mediterr\u00e2neo, aumentando desta forma a sua import\u00e2ncia. As Confer\u00eancias Episcopais de Portugal, Espanha e Fran\u00e7a, passam a ser co-organizadoras do encontro.<\/p>\n<p>Decidiu-se adoptar como tema de reflex\u00e3o as \u201cBem Aventuran\u00e7as\u201d, de modo a poderem-se confrontar assuntos actuais \u00e0 luz da palavra de Cristo.<\/p>\n<p>O que fizeram durante essa semana?<\/p>\n<p>O mote deste encontro, inspirado na \u201cadaptada\u201d bem-aventuran\u00e7a \u201cBem aventurados os que desejam ardentemente o que Deus quer; Deus cumprir\u00e1 os seus desejos\u201d, era a Justi\u00e7a. Desta forma, falou-se e reflectiu-se muito sobre a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e jur\u00eddica de cada pa\u00eds. Por exemplo, como eram os sistemas prisionais (popula\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es, penas de pris\u00e3o, etc.) ou o funcionamento dos tribunais. Tamb\u00e9m tivemos a oportunidade de conhecer um pouco das juventudes do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Todos os dias t\u00ednhamos Eucaristia, animada por todos. Verdadeiras festas de Deus!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos coube a dinamiza\u00e7\u00e3o da Ora\u00e7\u00e3o da Manh\u00e3 do \u00faltimo dia. Foi das experi\u00eancias que mais nos marcaram! Ainda hoje, nos mail\u2019s que vamos recebendo, falam da ora\u00e7\u00e3o da manh\u00e3 dos portugueses!<\/p>\n<p>A que conclus\u00f5es chegaram no tema em debate?<\/p>\n<p>A maior conclus\u00e3o \u00e9 que vivemos perto do para\u00edso! Os jovens da \u201cvelha Europa\u201d podem-se sentir uns felizardos, comparando com jovens do M\u00e9dio Oriente ou da antiga Jugosl\u00e1via! Mal ou bem, temos uma Justi\u00e7a que vai funcionando sem grandes arbitrariedades, temos um sistema pol\u00edtico que me permite dizer bem ou mal do partido A ou B. Quando me deito, tenho a certeza que, em condi\u00e7\u00f5es normais, acordo, e n\u00e3o tenho nenhuma bomba ou bala perdida a entrar no meu quarto, ao contr\u00e1rio do Ziyad da Palestina, por exemplo. Posso falar e expressar a minha F\u00e9 cat\u00f3lica, sem medo de ser morto s\u00f3 porque n\u00e3o sou mu\u00e7ulmano.<\/p>\n<p>O encontro passou despercebido na imprensa portuguesa, mesmo cat\u00f3lica. N\u00e3o corre o risco de ser inconsequente?<\/p>\n<p>Se calhar. \u00c9 como em tudo. As coisas da Igreja, se n\u00e3o forem pol\u00e9micas, n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcia! V\u00ea-se nos jornais, nas televis\u00f5es\u2026 quantos acontecimentos sem import\u00e2ncia e s\u00f3 para encher minutos de antena, n\u00e3o foram noticia? Em It\u00e1lia, este encontro faz parte dos Media. Por exemplo, no primeiro em que participei, fui entrevistado pela RAI e por uma r\u00e1dio. Estavam l\u00e1 dezenas de fot\u00f3grafos, cadeias de televis\u00e3o\u2026 Este ano, diversos jornais publicaram not\u00edcias. Por c\u00e1, s\u00f3 o Correio do Vouga teve interesse! (risos) Como membro co-organizador, a CEP, atrav\u00e9s do DNPJ, est\u00e1 motivada para este assunto: no entanto, tamb\u00e9m reconhe\u00e7o a dificuldade de divulga\u00e7\u00e3o do encontro e das suas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>O que mais te impressionou nas pessoas com quem contactaste? Podes contar algum caso?<\/p>\n<p>N\u00e3o foi com jovens, mas h\u00e1 uma hist\u00f3ria que me marcou. O senhor era padre. Contava ele que, dias depois de ser ordenado, o bispo mandou-o para os \u201cconfins do mundo\u201d. Quando l\u00e1 chegou, constatou que n\u00e3o tinham escola prim\u00e1ria. A primeira luta estava para come\u00e7ar. Papel para aqui, papel para ali, recusas, indeferimentos; ele resolve construir, mesmo sem licen\u00e7as. Parede constru\u00edda hoje, destru\u00edda amanh\u00e3. Mas ele n\u00e3o desiste e leva a dele avante; e, depois de muitos sacrif\u00edcios, l\u00e1 conseguiu construir a escola.<\/p>\n<p>Hoje est\u00e1 a acabar a constru\u00e7\u00e3o de uma universidade! O extraordin\u00e1rio disto n\u00e3o s\u00e3o as constru\u00e7\u00f5es, mas o local, Bel\u00e9m. Os israelitas deitavam abaixo, os palestinianos constru\u00edam. Ele nunca desistiu! <\/p>\n<p>Pensei muitas vezes\u2026 e eu o que faria? E os nossos p\u00e1rocos como v\u00e3o reagindo \u00e0s adversidades? Quantas \u201cescolas\u201d deixaram de construir? Quantas paredes deixaram que deitassem abaixo, sem nada mais fazerem?<\/p>\n<p>S\u00e3o importantes os contactos com jovens de outros pa\u00edses?<\/p>\n<p>Sempre! Pelas raz\u00f5es que j\u00e1 fui elencando. Penso que n\u00e3o se notam muitas diferen\u00e7as entre os jovens de Fran\u00e7a, Portugal, Espanha e It\u00e1lia! Notam-se sim, diferen\u00e7as nos jovens de Leste e M\u00e9dio Oriente. Para os primeiros, o come\u00e7ar a caminhar na Democracia e na Liberdade; para os segundos, os climas de tens\u00e3o, de guerra\u2026 N\u00e3o s\u00f3 os da Terra Santa, mas tamb\u00e9m os outros de que n\u00e3o se fala por c\u00e1, como s\u00e3o os casos da S\u00edria, da L\u00edbia, do L\u00edbano, por exemplo. Aquela zona est\u00e1 sempre em ebuli\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Estas reuni\u00f5es \u00e0s vezes valem mais pela partilha de experi\u00eancia do que pelos conhecimentos adquiridos. Foi o caso?<\/p>\n<p>Um pouco dos dois e juntando, ainda, os \u201cprogramas B\u201d. Isto \u00e9, tudo o que vivemos fora do programa do encontro. As anedotas, as conversas, os desabafos, os sil\u00eancios\u2026 <\/p>\n<p>Existe uma juventude europeia? Ou uma juventude mediterr\u00e2nica? \u00c9 toda igual?<\/p>\n<p>No in\u00edcio da nossa conversa, falava de juventudes. Penso que assim \u00e9 mais correcto. N\u00f3s somos diferentes uns dos outros. Quer pelas nossas experi\u00eancias, quer pelas nossas \u201cliberdades\u201d. Mas \u00e9 esta diversidade que cria a unidade! Todos juntos sent\u00edamos a presen\u00e7a de Deus! Parecia um novo Pentecostes!<\/p>\n<p>Os jovens s\u00e3o diferentes, mesmo a forma de vermos Cristo \u00e9 diferente. Uma das minhas grandes discuss\u00f5es foi com um jordano que dizia que temos de aceitar tudo o que vem de Deus. Por exemplo, numa queda. Segundo ele, dev\u00edamos ficar ca\u00eddos, porque Deus fez com que ca\u00edssemos. De certeza que Deus n\u00e3o quer que fiquemos prostrados! Temos de nos levantar e continuar a caminhar! Mais tarde, ele veio a concordar comigo. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 sintom\u00e1tica da cultura que eles vivem!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro dos Jovens do Mediterr\u00e2neo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-6210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6210\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}