{"id":622,"date":"2010-04-15T11:26:00","date_gmt":"2010-04-15T11:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=622"},"modified":"2010-04-15T11:26:00","modified_gmt":"2010-04-15T11:26:00","slug":"na-poesia-e-na-liturgia-o-meu-trabalho-e-com-a-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/na-poesia-e-na-liturgia-o-meu-trabalho-e-com-a-palavra\/","title":{"rendered":"&#8220;Na poesia e na liturgia, o meu trabalho \u00e9 com a palavra&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Rodrigues Gamboa nasceu em 1939, em Peraboa, Covilh\u00e3. Licenciado em Filologia Rom\u00e2nica, foi professor de Franc\u00eas. \u00c9 casado, pais de tr\u00eas filhos, av\u00f4 de cinco netos. H\u00e1 37 anos que se dedica \u00e0 pastoral lit\u00fargica. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira <\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Lan\u00e7a no pr\u00f3ximo s\u00e1bado o livro \u201cNas asas da Liturgia e outros voos\u201d. De que fala?<\/p>\n<p>JO\u00c3O GAMBOA &#8211; O livro resulta de um trabalho ao longo de 37 anos na liturgia, sete na par\u00f3quia da Gl\u00f3ria e 30 em S. Bernardo. \u00c9 um apanhado do meu esfor\u00e7o em dar \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia um car\u00e1cter festivo e de qualidade, procurando a participa\u00e7\u00e3o da assembleia no que diz respeito ao canto. A primeira parte cont\u00e9m muitos subs\u00eddios para a celebra\u00e7\u00e3o dominical \u2013 n\u00e3o para todos os domingos \u2013 e para algumas festas e solenidades. Algumas dessas festas s\u00e3o momentos circunstanciais, como foram, por exemplo, a restaura\u00e7\u00e3o da S\u00e9, no Domingo de Ramos de 1976, a posse do novo p\u00e1roco, ent\u00e3o o P.e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, ou a homenagem ao P.e Arm\u00e9nio Costa.<\/p>\n<p>Recolhi tamb\u00e9m actos penitenciais, uns elaborados por mim, outros, do Secretariado da Liturgia, publicados nos anos 80 no Correio do Vouga. A segunda parte tem reflex\u00f5es sobre a liturgia e a necessidade de forma\u00e7\u00e3o para o bom canto lit\u00fargico \u2013 hoje a diocese tem ou-tros instrumentos neste campo. <\/p>\n<p>Na minha ac\u00e7\u00e3o, procurei sempre fugir ao populismo, isto \u00e9, \u00e0s cantiguitas que inflamam muito o exterior, mas n\u00e3o dizem nada ao interior. Procurei ser fiel ao pensamento e pr\u00e1tica da igreja: c\u00e2ntico com qualidade de m\u00fasica, qualidade de texto e boa execu\u00e7\u00e3o, quer do coro quer da assembleia.<\/p>\n<p>Considera que hoje as comunidades crist\u00e3s est\u00e3o a participar melhor na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia?<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o a generalidade das comunidades. Mas, por um ou outro motivo, tenho participado em algumas celebra\u00e7\u00f5es e creio que h\u00e1 dois movimentos: um que vai no bom caminho, mesmo com c\u00e2nticos simples mas de qualidade; e outro, que eu critico, que vai mais pelo exterior, muito barulho, percuss\u00f5es. Uma vez vi algu\u00e9m que utilizava a pedaleira do \u00f3rg\u00e3o para fazer ritmo. Pode entusiasmar exteriormente, mas n\u00e3o diz muito interiormente, nem tem rela\u00e7\u00e3o com os textos da liturgia. Numa celebra\u00e7\u00e3o, cantou-se um c\u00e2ntico de Janeiras como c\u00e2ntico de entrada. N\u00e3o sei se h\u00e1 alguma fundamenta\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica para certos c\u00e2nticos em celebra\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as e adolescentes\u2026 Que futuro ter\u00e1 isto? O que se prev\u00ea a seguir? Quando \u00e9 que se d\u00e1 o salto para a melhor liturgia?<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o actualmente as suas fun\u00e7\u00f5es na liturgia?<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, as minhas fun\u00e7\u00f5es eram difusas. Mais tarde, dirigi os Pequenos Cantores da Gl\u00f3ria [coro infantil], depois de o P.e Arm\u00e9nio sair da Gl\u00f3ria. Nos anos 80, Dirigi um grupo que chegou a ter bateria e instrumentos Orff [instrumentos t\u00edpicos da sala de aula, geralmente de percuss\u00e3o, com excep\u00e7\u00e3o da flauta de bisel], toquei \u00f3rg\u00e3o e dirigi coro e assembleia. Na actualidade, em S. Bernardo, participo em duas celebra\u00e7\u00f5es: a vespertina, que tem um coro, e a das 8 da manh\u00e3 de domingo, que n\u00e3o tem coro. Esta \u00e9 a assembleia que canta mais, porque sente que tem de participar. Desde h\u00e1 seis\/sete anos, animo a celebra\u00e7\u00e3o dominical da Miseric\u00f3rdia. Convidaram-me; vi, por exemplo, que em Julho se cantava o \u201cAv\u00e9 Maria\u201d, em domingos sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com Nossa Senhora; e aceitei, para dar alguma qualidade ao canto, relacionando-o com as leituras. Procuro sempre ensaiar uns c\u00e2nticos com a assembleia, mesmo que sejam conhecidos, porque isso anima e desperta.<\/p>\n<p>Dedica o livro a v\u00e1rios padres, nomeadamente, Mons. An\u00edbal Ramos, com quem estudou Liturgia, Jo\u00e3o Paulo Ramos e Fausto de Oliveira, que integraram a equipa de liturgia da Gl\u00f3ria, e aos p\u00e1rocos com que trabalhou, Arm\u00e9nio e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, na Gl\u00f3ria, e F\u00e9lix de Almeida, Alberto Nestor e Lu\u00eds Barbosa, em S. Bernardo. <\/p>\n<p>Dedico-lhes porque tenho este dever, estando tamb\u00e9m no Ano Sacerdotal. Ter\u00e1 essa dimens\u00e3o na apresenta\u00e7\u00e3o. Convidei estes sacerdotes, excepto, naturalmente, o Mons. An\u00edbal Ramos e o P.e Arm\u00e9nio, que j\u00e1 faleceram. O coro cantar\u00e1 \u201cTu es sacerdos\u201d [\u201cTu \u00e9s sacerdote\u201d], como sinal de afecto crist\u00e3o e eclesial por com esses sacerdotes. Sem sacerdotes n\u00e3o h\u00e1 liturgia, n\u00e3o h\u00e1 igreja. \u201cTu es sacerdos\u201d foi composto por mim em 1979, para os Pequenos Cantores, quando o P.e Fausto [actual p\u00e1roco de \u00cdlhavo] foi ordenado presb\u00edtero.<\/p>\n<p>Preocupa-se com a qualidade do canto lit\u00fargico, que \u00e9 tamb\u00e9m um objectivo da EDMUSA. Tem alguma rela\u00e7\u00e3o com a escola diocesana de m\u00fasica lit\u00fargica?<\/p>\n<p>Embora desde os anos 70 e 80 defenda forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica feita por gente que sabe, n\u00e3o estou relacionado com a EDMUSA. A minha rela\u00e7\u00e3o com o Prof. Domingos Peixoto [um dos respons\u00e1veis da EMDUSA] nasce de eu ser representante da Igreja da Miseric\u00f3rdia na Associa\u00e7\u00e3o Musical Pro Organo, de que ele era presidente at\u00e9 h\u00e1 poucos meses [actualmente \u00e9 Edite Rocha]. Esteve muito ligado \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o de tubos da Miseric\u00f3rdia, levada a cabo no tempo do Dr. Amaro Neves. Fez um trabalho muito merit\u00f3rio \u00e0 frente da Pro Organo.<\/p>\n<p>Este livro, sendo edi\u00e7\u00e3o de autor, \u00e9 um investimento seu. Custa-lhe dinheiro.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Paguei sempre do meu bolso a edi\u00e7\u00e3o dos livros e poucos s\u00e3o vendidos. Ofere\u00e7o aqui e acol\u00e1. Deixo em bibliotecas, ofere\u00e7o a amigos. \u00c9 uma caracter\u00edstica minha. Vou proporcionando alguns eventos culturais e isso d\u00e1-me felicidade. Sou um bocadinho independente e n\u00e3o gosto de pedir nem de insistir junto de editoras.<\/p>\n<p>O livro que vai ser lan\u00e7ado custa 10 euros. Estar\u00e1 \u00e0 venda na sess\u00e3o de lan\u00e7amento. O que for vendido reverte para a par\u00f3quia da Gl\u00f3ria. E tamb\u00e9m vai estar \u00e0 venda na Livra-ria Santa Joana.<\/p>\n<p>Podemos dizer que tem duas paix\u00f5es, a liturgia e a literatura. O que o leva a escrever?<\/p>\n<p>Apesar de licenciado em Filologia Rom\u00e2nica e de ter sido professor de Franc\u00eas, dediquei-me \u00e0 liturgia desde 1971\/72. S\u00f3 mais tarde, numa circunst\u00e2ncia muito especial senti necessidade de me virar para dentro, para equilibrar o meu mundo interior. Comecei ent\u00e3o a escrever um di\u00e1rio. Mas a gente nunca diz tudo. O primeiro livro chamou-se \u201cInvoca\u00e7\u00e3o de Deus\u201d. Foi publicado em 1993, com um atraso de 20 anos, porque era o que eu na juventude sentia necessidade de dizer. No fundo, o meu trabalho tem sido com a palavra, quer na poesia quer na liturgia. Trabalho com a palavra escrita e a palavra musicada.<\/p>\n<p>Na sua escrita, sente a influ\u00eancia de autor?<\/p>\n<p>Miguel Torga influenciou-me muito. Quando lemos os textos dele, ficamos com a ideia de que era um homem de f\u00e9, embora n\u00e3o a assumisse. Tem nostalgia daqueles que t\u00eam f\u00e9 e que a vivem. E \u00e9 um homem que vive muito ligado \u00e0 terra e \u00e0s paix\u00f5es e dificuldades do ser humano. A mulher dele foi minha professora em Coimbra. Gosto tamb\u00e9m de Eug\u00e9nio de Andrade, mas o seu nome n\u00e3o teve influ\u00eancia no meu pseud\u00f3nimo.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a origem do pseud\u00f3nimo Eug\u00e9nio Beir\u00e3o, com que assina as obras liter\u00e1rias?<\/p>\n<p>Eug\u00e9nio \u00e9 uma homenagem \u00e0 minha m\u00e3e, que se chamava Eug\u00e9nia. J\u00e1 faleceu. \u201cBeir\u00e3o\u201d refere-se \u00e0 Beira, a minha prov\u00edncia, a Beira Baixa, aquela que considero mais Beira. Sou de Peraboa, no concelho da Covilh\u00e3, embora tenha sa\u00eddo de l\u00e1 aos dez anos, para o semin\u00e1rio dos Mission\u00e1rios da Boa Nova. O pseud\u00f3nimo \u00e9 uma maneira humilde de assumir a obra, porque nunca me considerei nem escritor nem compositor.<\/p>\n<p>Quantos livros publicou?<\/p>\n<p>No dom\u00ednio da literatura, s\u00e3o 11 (poesia, contos e cr\u00f3nicas). Tenho depois mais quatro que escrevi enquanto fui presidente da ARM \u2013 a associa\u00e7\u00e3o dos antigos alunos da Sociedade Mission\u00e1ria da Boa Nova. E dois sobre a liturgia: \u201cC\u00e2nticos para a liturgia\u201d, de 2000, e o que vai ser lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Tem projectos para o futuro?<\/p>\n<p>Penso num livro de mem\u00f3rias, num outro que re\u00fana o que foi escrito sobre as minhas obrazitas e textos que eu escrevi sobre personalidades da literatura e da m\u00fasica e num romance \u2013 chamemos-lhe assim. Poder\u00e1 ter como t\u00edtulo \u201cUm anjo na cidade\u201d, com quadros sobre a cidade, um romance de amor em que uma jovem acaba por optar por um caminho de interioridade, e uma terceira parte sobre um sem-abrigo poeta, algu\u00e9m que existiu, que eu encontrava quando ia para a escola. Mas isto ainda s\u00e3o ideias, mais na cabe\u00e7a do que nos pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento: \u201cNas asas da Liturgia e outros voos\u201d<\/p>\n<p>O livro \u201cNas asas da Liturgia e outros voos\u201d \u00e9 lan\u00e7ado no dia 17 de Abril, \u00e0s 16h, no Espa\u00e7o-Museu da S\u00e9 de Aveiro (entrada pela Av. 5 de Outubro). A obra ser\u00e1 apresentada pelo P.e Jo\u00e3o Paulo Henriques. O prof. Domingos Peixoto intervir\u00e1 a prop\u00f3sito da m\u00fasica lit\u00fargica e ser\u00e3o lidos alguns excertos. Participa tamb\u00e9m o Coro de Milheir\u00f3s de Poiares.<\/p>\n<p>No mesmo dia, \u00e0s 21h30, a obra ser\u00e1 apresentada no Centro Paroquial de S. Bernardo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Rodrigues Gamboa nasceu em 1939, em Peraboa, Covilh\u00e3. Licenciado em Filologia Rom\u00e2nica, foi professor de Franc\u00eas. \u00c9 casado, pais de tr\u00eas filhos, av\u00f4 de cinco netos. 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