{"id":625,"date":"2010-03-31T10:37:00","date_gmt":"2010-03-31T10:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=625"},"modified":"2010-03-31T10:37:00","modified_gmt":"2010-03-31T10:37:00","slug":"ai-de-nos-se-nao-arrepiamos-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ai-de-nos-se-nao-arrepiamos-caminho\/","title":{"rendered":"Ai de n\u00f3s, se n\u00e3o arrepiamos caminho&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos leitores <!--more--> Portugal est\u00e1 prestes a bater no fundo. S\u00e3o os t\u00e9cnicos economistas sa\u00eddos da Universidade h\u00e1 30 ou mais anos e os analistas pol\u00edticos que o dizem.<\/p>\n<p>Pela experi\u00eancia de vida que tenho, incluindo pol\u00edtica, tamb\u00e9m o afirmo com frontalidade e coragem. Se n\u00e3o arrepiamos caminho, Portugal tem \u00e0 sua frente um futuro muito sombrio.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria e urgente uma grande reforma. Uma reforma, em primeiro lugar, de eventualidades e de valores. Em segundo lugar, uma reforma de estruturas e de servi\u00e7os no sector estatal e no sector privado.<\/p>\n<p>O ambiente que se vive justifica plenamente que cite o poeta que, com uma quadra altamente significativa e oportuna, indica-nos o caminho a seguir.<\/p>\n<p>\u201cO filho do carpinteiro <\/p>\n<p>foi um artista profundo <\/p>\n<p>com os pregos e um madeiro <\/p>\n<p>fez a reforma do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Que melhor apelo, conselho e orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para salvar o pa\u00eds querem os nossos governantes, os nossos pol\u00edticos e gestores empresariais?<\/p>\n<p>Que melhor e mais oportuna norma de vida querem os nossos trabalhadores, dirigentes sindicais e o povo portugu\u00eas em geral? <\/p>\n<p>Um pai que para sustentar a fam\u00edlia passou a vida inteira a trabalhar de sol a sol a fazer mesas e cadeiras, portas e janelas. Um filho que, durante trinta anos, n\u00e3o arredou p\u00e9 a ajudar o pai para que n\u00e3o faltasse aos seus compromissos e n\u00e3o faltasse o p\u00e3o em casa.<\/p>\n<p>Olhando para o mundo que o rodeava, teve pena dos que passavam fome \u00e0 sua volta, e esquecendo-se de si mesmo, sacrificou-se at\u00e9 ao fim, dando a sua pr\u00f3pria vida para que n\u00e3o s\u00f3 a sua terra, mas tamb\u00e9m o mundo inteiro tivessem uma vida melhor.<\/p>\n<p>Para isso bastou \u201cdois pregos e um madeiro\u201d. A reforma foi feita. Os homens \u00e9 que n\u00e3o foram capazes de a continuar.<\/p>\n<p>O que vemos em Portugal? Ningu\u00e9m est\u00e1 disposto a sacrif\u00edcios. E ningu\u00e9m mostra coragem (e porque n\u00e3o diz\u00ea-lo?) patriotismo para os pedir e exigir&#8230; Pelo contr\u00e1rio, consolidou-se a cultura dos direitos adquiridos da qual n\u00e3o fazem parte quaisquer deveres. O ego\u00edsmo estabeleceu-se. V\u00ea-se at\u00e9 no tom misericordioso com que se fala dos 650 mil desempregados.<\/p>\n<p>Mais, um Ministro chegou a afirmar h\u00e1 tempos que, neste andar, daqui a dez anos a Seguran\u00e7a Social entra em ruptura financeira, isto \u00e9, daqui a algum tempo, n\u00e3o h\u00e1 pens\u00f5es para ningu\u00e9m, se n\u00e3o forem tomadas medidas de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o est\u00e1 certo que sejam praticamente s\u00f3 os funcion\u00e1rios p\u00fablicos e os pensionistas a pagar a crise ou os mais sacrificados.<\/p>\n<p>Face a tanta desgra\u00e7a que atravessa o mundo que nos rodeia e, certamente, nos espera, o certo \u00e9 que, se n\u00e3o seguirmos o exemplo do \u201ccarpinteiro, pai do artista\u201d e o exemplo do pr\u00f3prio \u201cartista\u201d, isto j\u00e1 n\u00e3o vai l\u00e1 sem suor e sem l\u00e1grimas, e j\u00e1 ser\u00e1 muito bom se for sem sangue.<\/p>\n<p>Francamente, Portugal n\u00e3o merecia esse futuro, mas para isso precisava de n\u00e3o ter tido este presente.<\/p>\n<p>Como diz o historiador, e muito bem, n\u00f3s hoje n\u00e3o somos descendentes dos portugueses que foram \u00e0 \u00cdndia. Somos, sim, descendentes dos que c\u00e1 ficaram.<\/p>\n<p>Ai de n\u00f3s, se n\u00e3o arrepiamos caminho&#8230;<\/p>\n<p>Bas\u00edlio de Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-625","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/625\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}