{"id":6251,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6251"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"falar-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/falar-em-publico\/","title":{"rendered":"Falar em p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do dia <!--more--> O sistema de ensino portugu\u00eas tem lacunas graves e n\u00e3o s\u00e3o apenas aquelas que nos habitu\u00e1mos a enunciar. Todos sabemos que a Matem\u00e1tica e a L\u00edngua Portuguesa s\u00e3o dois quebra-cabe\u00e7as complicados e que os programas s\u00e3o excessivamente extensos ou demasiado condensados. O meio-termo n\u00e3o existe e nem sempre o bom-senso impera, porque existem muitas condicionantes dentro e fora das escolas.<\/p>\n<p>Acontece que, para al\u00e9m das dificuldades cl\u00e1ssicas do sistema, existem alguns vazios por preencher; e um deles \u00e9 seguramente o da comunica\u00e7\u00e3o. Explico melhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe nas salas de aula um espa\u00e7o exclusivamente dedicado \u00e0 troca de ideias, ao ensaio do debate ou ao treino da argumenta\u00e7\u00e3o; e tamb\u00e9m n\u00e3o existe nas escolas portuguesas um tempo unicamente dedicado ao exerc\u00edcio da pol\u00e9mica.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 comum nas escolas inglesa, francesa e alem\u00e3 (para dar apenas tr\u00eas exemplos pr\u00f3ximos), onde h\u00e1 disciplinas de recitation, treino e improviso ret\u00f3rico, o sistema escolar portugu\u00eas n\u00e3o aposta na capacidade de comunica\u00e7\u00e3o dos seus alunos.<\/p>\n<p>Ora uma crian\u00e7a ou um adolescente que n\u00e3o aprende a falar em p\u00fablico, que n\u00e3o est\u00e1 habituado a expor as suas ideias perante os outros, que n\u00e3o treina a sua capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 estimulado no di\u00e1logo e \u00e9 permanentemente poupado ao confronto verbal, \u00e9 algu\u00e9m que corre o risco de ficar para sempre amputado de uma faculdade essencial.<\/p>\n<p>Saber comunicar n\u00e3o \u00e9 um dom de poucos, mas antes um direito e um dever de todos.<\/p>\n<p>Aprender a falar em p\u00fablico, seja perante a turma na sala de aulas ou numa plateia de especialistas, \u00e9 fundamental, pois n\u00e3o basta ter boas ideias, \u00e9 preciso saber comunic\u00e1-las. Acontece com demasiada frequ\u00eancia ouvir um conferencista falar e perceber que, apesar do empenho e esfor\u00e7o, n\u00e3o consegue prender a audi\u00eancia, por n\u00e3o ser suficientemente claro ou assertivo. Pior, muitos profissionais que n\u00e3o foram preparados para falar em p\u00fablico t\u00eam s\u00e9rias dificuldades em expor as suas ideias em reuni\u00f5es de trabalho e em marcar o seu ponto de vista perante os pares ou a hierarquia. E, no entanto, muitos s\u00e3o excelentes profissionais. Ou seja, conhecem a teoria e sabem aplic\u00e1-la na pr\u00e1tica mas n\u00e3o sabem exp\u00f4-la e, muito menos, sintetiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>A capacidade de sintese \u00e9 outra caracter\u00edstica que a maior parte dos portugueses n\u00e3o possui. Muitos alongam-se demasiado e n\u00e3o chegam ao essencial da quest\u00e3o. Outros dispersam-se e outros, ainda, perdem-se na argumenta\u00e7\u00e3o, enredando-se em mil e uma coisas completamente acess\u00f3rias e dispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Por tudo isto e porque em mat\u00e9ria de comunica\u00e7\u00e3o (como em tudo na vida) ningu\u00e9m nasce ensinado, valia a pena pensar no assunto e rever os curr\u00edculos escolares na pr\u00f3xima reforma do ensino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6251","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6251\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}