{"id":626,"date":"2010-02-17T09:25:00","date_gmt":"2010-02-17T09:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=626"},"modified":"2010-02-17T09:25:00","modified_gmt":"2010-02-17T09:25:00","slug":"justica-plena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/justica-plena\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a plena"},"content":{"rendered":"<p>O tema da Mensagem do Papa para a Quaresma \u00e9 t\u00e3o importante quanto surpreendente. As palavras de Santo Agostinho que o Pont\u00edfice cita bem podem considerar-se a s\u00edntese das reflex\u00f5es que nos prop\u00f5e: se \u201ca justi\u00e7a \u00e9 a virtude que distribui a cada um o que \u00e9 seu\u2026 n\u00e3o \u00e9 justi\u00e7a feita ao homem aquela que o subtrai ao verdadeiro  Deus\u201d (De Civitate Dei, XIX, 21).<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a grande quest\u00e3o que atormenta e enrola as sociedades do nosso tempo. A justi\u00e7a, zelosa de dar a cada um o que \u00e9 seu, por causa da miopia que sofre sobre a vis\u00e3o da pessoa humana, pensa que lho d\u00e1 com uma teia de leis externas, mas deixa o vazio que permite todas as pervers\u00f5es individualistas, a promiscuidade de interesses, a nebulosidade de argumentos, perpetuando e complexificando o caudal das injusti\u00e7as &#8211; o vazio da aus\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o atrofiada da pessoa, n\u00e3o permite ela mesma perceber-se como ser em rela\u00e7\u00e3o &#8211; com Deus e, por virtude disso, porque Sua imagem e semelhan\u00e7a, com o outro. E, nessas circunst\u00e2ncias, \u201ca justi\u00e7a distributiva n\u00e3o restitui ao ser humano todo o \u2018suo\u2019 que lhe \u00e9 devido &#8211; como diz Bento XVI.<\/p>\n<p>Esta perspectiva truncada da rela\u00e7\u00e3o impede equilibrar-se a tens\u00e3o entre a afirma\u00e7\u00e3o da identidade pessoal e os deveres da mesma rela\u00e7\u00e3o. As leis externas n\u00e3o transformam o \u00edntimo, para despertar a verdadeira identidade e o reconhecimento de que, apesar da abertura existencial ao \u201cfluxo livre da partilha\u201d, o ego\u00edsmo, consequ\u00eancia do pecado, leva o homem a \u201cdobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 a f\u00e9 abre a este horizonte total da pessoa humana. Iluminados por ela, percebemos que a rela\u00e7\u00e3o de Deus connosco &#8211; amor total, universal e incondicional &#8211; projecta a nossa rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo como express\u00e3o da nossa resposta ao mesmo Deus. \u00c9 nessa luz que perceberemos a necessidade de um profundo \u2018\u00eaxodo\u2019. \u201cPara entrar na justi\u00e7a \u00e9 portanto necess\u00e1rio sair daquela auto-sufici\u00eancia, daquele estado profundo de fecho, que \u00e9 a pr\u00f3pria origem da injusti\u00e7a\u201d &#8211; continua o Santo Padre.<\/p>\n<p>\u201cO an\u00fancio crist\u00e3o responde positivamente \u00e0 sede de justi\u00e7a do homem\u201d. O tempo da Quaresma, pelos exerc\u00edcios que nos prop\u00f5e &#8211; da interioriza\u00e7\u00e3o, da sobriedade, da partilha -, \u00e9 tempo oportuno para nos abrirmos \u00e0 presen\u00e7a de Deus na nossa vida, que far\u00e1 brilhar sobre n\u00f3s a sabedoria da justi\u00e7a divina, feita caridade e dom sem reservas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema da Mensagem do Papa para a Quaresma \u00e9 t\u00e3o importante quanto surpreendente. 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