{"id":6311,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6311"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ha-por-ai-uma-lepra-contagiosa-que-nao-tem-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-por-ai-uma-lepra-contagiosa-que-nao-tem-cura\/","title":{"rendered":"H\u00e1 por a\u00ed uma lepra contagiosa que n\u00e3o tem cura!"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da Linha &#8211; (29 de Janeiro, Dia Mundial dos Leprosos) <!--more--> Ainda h\u00e1 cerca de15 milh\u00f5es de seres humanos, em estado desumano. \u00c9 verdade! S\u00e3o os leprosos. E a lepra, esta lepra, tem cura. Embora, em Portugal, ainda haja alguns leprosos, pode dizer-se que o problema est\u00e1 ultrapassado, prevendo-se, a breve trecho, a transforma\u00e7\u00e3o do Hospital da Tocha. Os doentes que ainda restam poder\u00e3o ser controlados pelas unidades de sa\u00fade locais. Por isso, o pedit\u00f3rio feito nas escolas, nas par\u00f3quias e nos locais p\u00fablicos n\u00e3o se destina a Portugal, mas t\u00e3o-somente aos pa\u00edses de \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Se, em \u00c1frica, o problema n\u00e3o est\u00e1 solucionado, isso deve-se aos n\u00edveis baix\u00edssimos de higiene e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias de assist\u00eancia m\u00e9dica e medicamentosa.<\/p>\n<p>Os Mission\u00e1rios Combonianos, a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Amigos de Raoul Follereau e outras institui\u00e7\u00f5es t\u00eam tido em suas m\u00e3os esta ingente tarefa de ajudar a acabar com a situa\u00e7\u00e3o, relativamente f\u00e1cil de resolver com medicamentos, mas que pressup\u00f5e o dif\u00edcil trabalho de criar condi\u00e7\u00f5es que impe\u00e7am o desenvolvimento da doen\u00e7a. Raoul Follereau, incans\u00e1vel ap\u00f3stolo dos leprosos, n\u00e3o deixou de afirmar bem alto que o nosso mundo est\u00e1 cheio de outra lepra: as desigualdades sociais, a desaten\u00e7\u00e3o permanente aos mais necessitados, a fome, a injusta distribui\u00e7\u00e3o das riquezas, os gastos sem medida em armas de guerra, a mis\u00e9ria real de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial a viver em condi\u00e7\u00f5es infra-humanas. Os homens, fechando os olhos a estas realidades, est\u00e3o a deixar-se contagiar por outra lepra bem mais perigosa que a lepra do corpo, uma vez que destr\u00f3i muitos mais seres humanos que a pr\u00f3pria doen\u00e7a f\u00edsica. Esta \u00e9 a lepra verdadeiramente perigosa: a lepra do ego\u00edsmo, dos interesses dos mais fortes e mais ricos, que continua a explorar a pobreza dos habitantes de pa\u00edses ricos em recursos naturais. Mas esta riqueza natural de nada lhes serve. Os poderosos controlam a situa\u00e7\u00e3o dos mais pobres, apesar de, bem alto, fazerem a proclama\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos. Os direitos humanos que parecem ser monop\u00f3lio somente de alguns!<\/p>\n<p>S\u00e3o, pois, estes leprosos os donos deste mundo, e destes ningu\u00e9m tem medo; ningu\u00e9m se preocupa com o cont\u00e1gio sempre crescente e dominador desta \u201cdoen\u00e7a\u201d. Pelo contr\u00e1rio, nota-se at\u00e9 um certo prazer e preocupa\u00e7\u00e3o em se deixar contagiar por esta lepra. Os outros, esses a quem a sociedade considera como leprosos, como asquerosos, h\u00e1 que marginaliz\u00e1-los, isol\u00e1-los, retir\u00e1-los do meio desta sociedade \u201ccivilizada\u201d. Eles s\u00e3o as crian\u00e7as indesejadas e inc\u00f3modas, os velhinhos rabugentos e doentes, as m\u00e3es solteiras desprezadas, os apanhados pelas malhas do v\u00edcio, da droga, do \u00e1lcool e da prostitui\u00e7\u00e3o, os deficientes f\u00edsicos ou mentais, os desempregados e ciganos, os delinquentes e outros, todos fruto maduro desta terr\u00edvel lepra que afecta profundamente os que se presumem s\u00e3os.<\/p>\n<p>Decretar a morte de inocentes, mesmo com ares de legalidade, abrir as portas \u00e0 guerra em nome do interesse dos \u201cgrandes\u201d, empurrar os idosos para fora do seu espa\u00e7o socio-afectivo, destruir vidas humanas indefesas, permitir que impunemente se mande algu\u00e9m para o outro mundo&#8230; \u00e9 lepra altamente contagiosa. Cuidado com ela, porque o cont\u00e1gio \u00e9 f\u00e1cil!<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e3o estes sintomas claros de uma doen\u00e7a que apodrece este mundo naquilo que ele tem de mais sagrado? Aquilo que se deseja com a aprova\u00e7\u00e3o da lei do aborto n\u00e3o ter\u00e1 nada a ver com isto? <\/p>\n<p>Por isso, atrevo-me a afirmar: H\u00e1 15 milh\u00f5es de leprosos, doentes do corpo que v\u00e3o apodrecendo vivos e morrem, e h\u00e1 milh\u00f5es e milh\u00f5es de leprosos de outro tipo: os que t\u00eam o corpo s\u00e3o, e, por isso, n\u00e3o morrem, mas j\u00e1 est\u00e3o mortos, porque t\u00eam a alma completamente podre. <\/p>\n<p>\u00c9 neste terreno fecundo que certos ide\u00f3logos habilidosos, \u00e0s claras ou \u00e0s escondidas, lan\u00e7am as sementes que criam as condi\u00e7\u00f5es para um crescimento descontrolado das inumer\u00e1veis podrid\u00f5es humanas, educativas, sociais e afectivas, do nosso mundo.<\/p>\n<p>E esta lepra s\u00f3 ter\u00e1 cura quando seriamente todos os seres humanos se empenharem na promo\u00e7\u00e3o dos verdadeiros valores e se tornem realmente capazes de respeitar a dignidade dos outros, para que todos, absolutamente todos, vejam respeitada a sua dignidade em toda a parte e em todas as circunst\u00e2ncias!<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o se deixe contagiar pelas lepras que corrompem o mais profundo de si pr\u00f3prio!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da Linha &#8211; (29 de Janeiro, Dia Mundial dos Leprosos)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6311","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6311"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6311\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}