{"id":6313,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6313"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"rede-de-servico-solidario-um-bem-a-nao-desvirtuar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rede-de-servico-solidario-um-bem-a-nao-desvirtuar\/","title":{"rendered":"Rede de servi\u00e7o solid\u00e1rio, um bem a n\u00e3o desvirtuar"},"content":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros dizem muito pouco, quando comparados com a realidade que se vive por esse pa\u00eds fora. Refiro-me \u00e0 rede extraordin\u00e1ria das institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social, que actuam nas diversas comunidades, possibilitando respostas sociais, necess\u00e1rias e urgentes, que o Estado nunca, por si s\u00f3, poderia dar, com igual dedica\u00e7\u00e3o e os mesmos gastos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma reflex\u00e3o a que os cidad\u00e3os sem preconceitos t\u00eam de se habituar: verificar que h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para muitos problemas das pessoas no campo social, agora s\u00f3 falamos neste, que as institui\u00e7\u00f5es particulares, dentro das regras e das normais exig\u00eancias, fazem melhor e mais economicamente que os servi\u00e7os do Estado. <\/p>\n<p>Alguns, que n\u00e3o abdicam do ideal do Estado provid\u00eancia e permanecem nost\u00e1lgicos de um Estado colectivista centralizador, irm\u00e3os g\u00e9meos de h\u00e1 muito falidos, continuam a lutar contra as institui\u00e7\u00f5es particulares, distorcendo conceitos e dados, como se a vida em democracia fosse de sentido \u00fanico ou apenas calibrada pela vis\u00e3o estr\u00e1bica de pessoas e de grupos, mais barulhentos e teimosos para os quais h\u00e1 sempre p\u00falpito aberto.<\/p>\n<p>Quando se fala do contributo financeiro a estas institui\u00e7\u00f5es, para realizarem uma miss\u00e3o que \u00e9 da responsabilidade do Estado, pois \u00e9 ele que arrecada os impostos para obviar \u00e0s necessidades gerais dos cidad\u00e3os e \u00e0s exig\u00eancias normais do bem comum, soltam-se gritos indignados, como se se tratasse de sanguessugas a chupar, para proveito pr\u00f3prio ou s\u00f3 de alguns, o dinheiro de todos. Procurem saber, se o conseguirem, quanto gasta o Estado com as poucas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade que ainda teima em manter sob a sua direc\u00e7\u00e3o; e comparem com o que recebem, com igual n\u00famero de beneficiados, as institui\u00e7\u00f5es particulares. Depois, falem, porque o facto d\u00e1 argumento que chegue e sobre para tal. Neste e noutros campos.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es de solidariedade s\u00e3o, no seu conjunto, o maior empregador, mormente em concelhos sem ind\u00fastria significativa. E s\u00e3o o maior benfeitor das pessoas socialmente mais carecidas, em virtude das condi\u00e7\u00f5es de trabalho de muitos casais com filhos e pais dependentes, da do crescente n\u00famero de idosos, das muitas formas de exclus\u00e3o social, da aten\u00e7\u00e3o qualificada a grupos sociais mais vulner\u00e1veis, da possibilidade de ocupar e de tirar da rua muitas crian\u00e7as, cujos pais est\u00e3o presos a rigorosos hor\u00e1rios de trabalho. <\/p>\n<p>Quando se visita uma zona que tinha h\u00e1 uma d\u00fazia de anos duas ou tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade e hoje as tem em todas as freguesias do concelho, sejam elas da iniciativa da Igreja ou de cidad\u00e3os volunt\u00e1rios que se associaram para o efeito, ent\u00e3o se v\u00ea a diferen\u00e7a, em n\u00famero e qualidade, das respostas sociais que foi poss\u00edvel implementar para problemas que j\u00e1 existiam e iam apodrecendo aos poucos. Os governantes, em momentos festivos, que controlam ao mil\u00edmetro at\u00e9 no dizer da placa de inaugura\u00e7\u00e3o ou de simples visita, v\u00eam ver, embora sempre \u00e0 pressa. Desfazem-se, depois, em elogios simp\u00e1ticos, porque nunca imaginaram que, numa aldeia escondida, se pudesse fazer tanto bem e com tanto amor e dedica\u00e7\u00e3o. Raramente, por\u00e9m, isto chega para dar outra orienta\u00e7\u00e3o \u00e0s leis e outro sentido \u00e0 administra\u00e7\u00e3o dos dinheiros p\u00fablicos e at\u00e9 outro teor da comunica\u00e7\u00e3o oficial que mais pretende fazer passar a ideia de um favor que se faz \u00e0s pessoas e institui\u00e7\u00f5es, que de um dever que se cumpre, e nem sempre bem, nem atempadamente. <\/p>\n<p>Agora, entram as C\u00e2maras no concerto. Vale a pena reflectir sobre a colabora\u00e7\u00e3o pedida e o esp\u00edrito que parece animar a mesma. As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o pol\u00edticas, nem pode ser pol\u00edtico o servi\u00e7o social a quem dele precisa. Saber\u00e1 isto a gente da capital?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros dizem muito pouco, quando comparados com a realidade que se vive por esse pa\u00eds fora. 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