{"id":632,"date":"2010-02-17T10:11:00","date_gmt":"2010-02-17T10:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=632"},"modified":"2010-02-17T10:11:00","modified_gmt":"2010-02-17T10:11:00","slug":"antes-so-que-mal-acompanhado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/antes-so-que-mal-acompanhado\/","title":{"rendered":"Antes s\u00f3 que mal acompanhado"},"content":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu*<\/p>\n<p>* \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor. <!--more--> 1.\u00ba DOMINGO DA QUARESMA &#8211; Ano C<\/p>\n<p>Tinham sido um povo numeroso e bem considerado no Egipto, para onde haviam come\u00e7ado a migrar, por volta de 1700 a.C. Mas cedo descobriram, os descendentes de Abra\u00e3o, que o para\u00edso de Ad\u00e3o e Eva foi efectivamente eliminado do  cen\u00e1rio humano. De facto, n\u00e3o podemos confiar que sociedade alguma ponha o c\u00e9u ao nosso alcance: cada um de n\u00f3s \u00e9 que \u00e9 o \u00fanico construtor dos alicerces de um c\u00e9u \u00abfora do alcance da ferrugem e dos ladr\u00f5es\u00bb (Lucas 12,33). <\/p>\n<p>Quantas vezes o Antigo Testamento aponta o dedo contra a imprudente confian\u00e7a do \u00abpovo escolhido\u00bb na presumida alian\u00e7a com na\u00e7\u00f5es poderosas! Os poderosos, infelizmente, sucumbem facilmente \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de s\u00f3 quererem quem lhes preste um tributo cada vez mais pesado e frequentemente aviltante. <\/p>\n<p>Foram precisos 400 anos de muitos e repetidos desenganos (pois at\u00e9 nos habituamos a uma situa\u00e7\u00e3o de \u201cinfelizes\u201d\u2026) para que os Israelitas se unissem eficazmente contra a opress\u00e3o e largassem o Egipto. O seu l\u00edder era Mois\u00e9s e o caminho conveniente era o deserto. Longe da riqueza do Egipto, Israelitas e Deus pareciam seguir o prov\u00e9rbio: \u00abantes s\u00f3 que mal acompanhado\u00bb.<\/p>\n<p> Quanta gente n\u00e3o sente o desejo de conhecer o deserto? E n\u00e3o s\u00f3 como experi\u00eancia radical. \u00c9 o lugar sonhado de plena liberta\u00e7\u00e3o: de burocracias, guerras de poder, slogans de toda a ordem; dos hor\u00e1rios para comer, para dormir, para trabalhar, para descansar&#8230; \u00c9 a imagina\u00e7\u00e3o pura sobre lagos e tempestades de areia, sobre impressionantes rochedos \u00e1ridos, sobre venenos escondidos, sobre \u201cmoiras de encantar\u201d\u2026 \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o livre para criar miragens e falar com elas e perder-se nelas. <\/p>\n<p>O deserto \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia em que a pessoa se encontra s\u00f3 consigo e onde a fraqueza humana se transforma no desejo da solidez total. Os c\u00e9lebres \u00abpadres do deserto\u00bb, e grandes figuras ao longo dos s\u00e9culos, procuraram o deserto para a\u00ed poderem avaliar a autenticidade da sua for\u00e7a interior. <\/p>\n<p>O livro do Deuteron\u00f3mio (palavra que significa \u00absegunda lei\u00bb, referindo-se \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da espiritualidade do \u00abpovo de Deus\u00bb) estabelece que ao longo do ano haja dias de festa para lembrar a fidelidade do Deus libertador e fortificar a identidade hist\u00f3rica e cultural, contando-se \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es as experi\u00eancias radicais \u2013 desde uma \u00abluta com Deus\u00bb (G\u00e9nesis 32,23-33), at\u00e9 ser namorado por Deus durante \u00abquarenta anos\u00bb de deserto, cheios de promessas, desquites, amea\u00e7as e perd\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00abHei-de castig\u00e1-la (\u00e0 \u00abfilha de Si\u00e3o\u00bb, a na\u00e7\u00e3o eleita) por correr atr\u00e1s dos seus amantes e me esquecer. \u00c9 por isso que a vou seduzir, levando-a para o deserto e falando-lhe ao cora\u00e7\u00e3o. E ela se encantar\u00e1 comigo como nos tempos da sua juventude, e me chamar\u00e1 \u201cmeu marido\u201d\u00bb (Oseias 2, 15-18).<\/p>\n<p>Jesus Cristo veio-nos lembrar da necessidade deste namoro com Deus. No deserto, enfrentando todos os ventos. S. Lucas sublinha como Jesus teve que superar as normal\u00edssimas ambi\u00e7\u00f5es humanas de prazer, gl\u00f3ria, riqueza e poder. Ganhou assim credibilidade: deu prova do realismo e prud\u00eancia que devem acompanhar os mais incans\u00e1veis ideais; e forjou com seguran\u00e7a um projecto suficientemente s\u00f3lido para vencer as investidas do comodismo.<\/p>\n<p>O \u00caxodo \u00e9 uma narrativa em que n\u00e3o se descrevem factos com exactid\u00e3o, mas que nos faz compreender o que \u00e9 uma \u201cjoint-venture\u201d do Homem com Deus.<\/p>\n<p>Mas\u2026 ser\u00e1 que Deus \u00e9 boa companhia?<\/p>\n<p>A imagem de um Deus controlador e at\u00e9 castrador \u00e9 pr\u00f3pria daqueles que n\u00e3o compreendem o que levou Jesus a resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de sucesso imediato. Quando \u00e9 mesmo Deus que nos acompanha, o saldo \u00e9 a descoberta da for\u00e7a de cada um de n\u00f3s \u2013 \u00abcriados \u00e0 imagem do pr\u00f3prio Deus\u00bb (G\u00e9nesis 1,27). Sentimos Deus quando ele nos abre os olhos \u2013 para n\u00f3s pr\u00f3prios e para a vida.<\/p>\n<p>Para os Israelitas, o \u00caxodo era impens\u00e1vel. E mesmo quando come\u00e7ou a caminhada, parecia imposs\u00edvel o sucesso. A \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb \u00e9 impens\u00e1vel e o sucesso n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel. Mas por que \u00e9 que a Humanidade, como no \u00caxodo, n\u00e3o desiste de viver sempre mais?<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1rvore de Zaqueu* * \u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-632","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}