{"id":6338,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6338"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"um-programa-para-toda-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-programa-para-toda-a-igreja\/","title":{"rendered":"Um programa para toda a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO amor \u00e9 poss\u00edvel, e n\u00f3s somos capazes de o praticar porque criados \u00e0 imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo: tal \u00e9 o convite que vos queria deixar com a presente Enc\u00edclica.\u201d Bento XVI <!--more--> \u201cDeus caritas est\u201d (Deus \u00e9 amor) \u00e9 a primeira enc\u00edclica do Papa Bento XVI, um te\u00f3logo h\u00e1 muito respeitado na Igreja, que agora vem mostrar aos crist\u00e3os e ao mundo o n\u00facleo da f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>O Papa procura apresentar uma \u201cf\u00f3rmula sint\u00e9tica da exist\u00eancia crist\u00e3\u201d: Deus \u00e9 amor e os crist\u00e3os acreditam nesse amor, fazendo dele a \u201cop\u00e7\u00e3o fundamental\u201d da sua vida.<\/p>\n<p>O texto \u00e9 estruturado em duas partes. A primeira, mais te\u00f3rica, unifica os conceitos de Eros (amor entre homem e mulher) e Agape (a caridade, o amor que se doa ao outro); a segunda, centra-se na ac\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja, que apresenta como mais do que uma mera forma de \u201cassist\u00eancia social\u201d, mas como uma parte essencial da sua natureza.<\/p>\n<p>Esta enc\u00edclica \u00e9 a primeira do Papa e, por isso, a mais aguardada. Todos esperavam ver nela uma esp\u00e9cie de \u201cprograma\u201d de pontificado, e, de certa maneira, ele est\u00e1 presente nas linhas da \u201cDeus caritas est\u201d.<\/p>\n<p>Como o pr\u00f3prio reconhece, \u201cnum mundo em que ao nome de Deus se associa, \u00e0s vezes, a vingan\u00e7a ou mesmo o dever do \u00f3dio e da viol\u00eancia\u201d, falar de Deus como amor \u201c\u00e9 uma mensagem de grande actualidade e de significado muito concreto\u201d.<\/p>\n<p>A enc\u00edclica parte de uma cita\u00e7\u00e3o da I Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cDeus \u00e9 amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele\u201d (1 Jo 4,16). Para Bento XVI, come\u00e7a aqui a desenhar-se o seu primeiro objectivo, devolver ao \u201camor\u201d o seu esplendor original.<\/p>\n<p>Hoje, como lembra o Papa, o amor \u00e9 utilizado por tudo e por nada, o que faz com que, na maioria dos casos, estejamos na presen\u00e7a de caricaturas e n\u00e3o do verdadeiro amor. Por isso, defende no seu documento que \u00e9 preciso regressar \u00e0 origem, \u201cao amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros\u201d.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 apresentado como \u201cuma \u00fanica realidade, embora com distintas dimens\u00f5es\u201d, desde o apaixonado \u201ceros\u201d que, passando por um caminho de \u201cpurifica\u00e7\u00e3o\u201d, desemboca na \u201cagape\u201d, no amor que renuncia a si mesmo, em favor do outro.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da enc\u00edclica, o Papa apresentou a rela\u00e7\u00e3o entre homem e mulher como o \u201carqu\u00e9tipo\u201d do amor. No n\u00famero 6, explica-se que o ser humano passa \u201cdo amor indeterminado e ainda em fase de procura\u201d para \u201ca descoberta do outro\u201d e que dessa evolu\u00e7\u00e3o do amor faz parte que ele procure um \u201ccar\u00e1cter definitivo\u201d: \u201cno sentido da exclusividade e no sentido de ser para sempre\u201d.<\/p>\n<p>Igreja e justi\u00e7a<\/p>\n<p>O Cristianismo, escreve o Papa, nasce do encontro com um acontecimento, \u201ccom uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, um rumo decisivo\u201d. N\u00e3o h\u00e1, aqui, nada de abstracto; e \u00e9 por isso que Bento XVI dedica a segunda parte da sua enc\u00edclica ao que denomina \u201cA pr\u00e1tica do amor pela Igreja, enquanto \u00abcomunidade de amor\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>A enc\u00edclica deixa claro que esta ac\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mera assist\u00eancia social, um \u201cservi\u00e7o meramente t\u00e9cnico de distribui\u00e7\u00e3o\u201d ou uma forma de activismo pol\u00edtico-ideol\u00f3gico. \u201cToda a actividade da Igreja \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o dum amor que procura o bem integral do homem\u201d, pode ler-se.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o para com os mais necessitados \u00e9 uma resposta ao amor que vem Deus e exprime uma dimens\u00e3o fundamental da Igreja, \u201cum dos seus \u00e2mbitos essenciais\u201d, t\u00e3o intr\u00ednseco \u00e0 sua natureza como a pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos ou o an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p>Nenhuma destas dimens\u00f5es pode estar separada uma da outra, como sublinha o Papa: \u201cSe na minha vida negligencio completamente a aten\u00e7\u00e3o ao outro, importando-me apenas com ser \u00abpiedoso\u00bb e cumprir os meus \u00abdeveres religiosos\u00bb, ent\u00e3o definha tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o com Deus. Neste caso, trata-se duma rela\u00e7\u00e3o \u00abcorrecta\u00bb, mas sem amor\u201d.<\/p>\n<p>O Papa n\u00e3o esquece que a globaliza\u00e7\u00e3o da economia continua a criar massas inumer\u00e1veis de pobres, mesmo no seio da Igreja, e pede mudan\u00e7as concretas, porque quem tem fome n\u00e3o pode esperar. \u201cAqui e agora\u201d s\u00e3o as indica\u00e7\u00f5es precisas para a ac\u00e7\u00e3o caritativa da Igreja.<\/p>\n<p>\u00c9 o amor de Deus que se apresenta como \u201crem\u00e9dio\u201d para os males do mundo, n\u00e3o se deixando sufocar por interesses econ\u00f3micos ou de poder. A universalidade da caridade \u00e9 o maior dom que a Igreja, respondendo a Deus Amor, pode oferecer \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n<p>Coment\u00e1rios e reac\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>\u201cNa linha da tradi\u00e7\u00e3o das primeiras comunidades, o Papa afirma que n\u00e3o \u00e9 toler\u00e1vel que continue a haver, nas nossas comunidades, pessoas a quem falta o indispens\u00e1vel para uma vida digna\u201d.<\/p>\n<p>Manuela Silva, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n<p>\u201cPode ser muito atractiva para os intelectuais\u201d.<\/p>\n<p>Aura Miguel, <\/p>\n<p>jornalista no Vaticano<\/p>\n<p>\u201cDocumento corajoso que n\u00e3o foge a quest\u00f5es melindrosas e sens\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Henrique Noronha de Galv\u00e3o, te\u00f3logo<\/p>\n<p>\u201cA linguagem \u00e9 l\u00facida, breve, profundamente b\u00edblica e com argumentos da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa<\/p>\n<p>Saiu a primeira carta enc\u00edclica de Bento XVI: Tudo no seu lugar, como num artigo de enciclop\u00e9dia. N\u00e3o se destina a fazer estremecer o mundo, onde os ricos s\u00e3o cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.<\/p>\n<p>Bento Domingues, dominicano<\/p>\n<p>Umas das frases mais liberais (em todas as dimens\u00f5es do termo) da semana (&#8230;) prov\u00e9m de um documento que ainda n\u00e3o li com a devida aten\u00e7\u00e3o, mas que suspeito dar\u00e1 muito que falar. A frase \u00e9: \u201cN\u00e3o precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconhe\u00e7a e apoie, segundo o princ\u00edpio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas for\u00e7as sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda.\u201d O documento citado \u00e9 a primeira enc\u00edclica de Bento XVI.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Fernandes, director  do \u201cP\u00fablico\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO amor \u00e9 poss\u00edvel, e n\u00f3s somos capazes de o praticar porque criados \u00e0 imagem de Deus. 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