{"id":6350,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6350"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"e-agora-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-agora-2\/","title":{"rendered":"E agora?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O inesperado, por todos, incluindo os pr\u00f3prios militantes, aconteceu: um movimento radical, que se reclama promotor de mais de quinhentos atentados, com milhares de mortos e feridos, saltou para a ribalta dos eleitos em sufr\u00e1gio popular. \u00c9 um facto: por via eleitoral, o Hamas \u00e9 poder na Palestina!<\/p>\n<p>A mis\u00e9ria imerecida, o massacre das injusti\u00e7as continuadas, a corrup\u00e7\u00e3o daqueles que prometem para\u00edsos&#8230; revolvem sentimentos profundos, consolidam princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es, que podem irromper, abruptamente,  em lavas sociais avassaladoras, traduzidas em resultados eleitorais imprevis\u00edveis. Os palestinos, descontentes com as suas miser\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es de vida, com 65% da popula\u00e7\u00e3o a viver abaixo do limiar da pobreza, sonharam com uma sociedade diferente&#8230; e desafiaram quem lha possa proporcionar.<\/p>\n<p>Recentemente, na Am\u00e9rica do Sul, v\u00e1rios povos optaram tamb\u00e9m por cores pol\u00edticas que lhes oferecessem perspectivas diferentes. A bra\u00e7os com graves crises sociais e econ\u00f3micas, as pessoas procuram sinais de uma vida mais digna, n\u00e3o apenas pelas condi\u00e7\u00f5es materiais, mas por todo um conjunto de factores que lhes permitam redescobrir e reassumir a sua dignidade.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que n\u00e3o cabe \u00e0 Igreja organizar o social de modo a superar estas situa\u00e7\u00f5es degradantes e explosivas. Mas \u00e9 sua miss\u00e3o anunciar a Boa Nova, que restitui \u00e0 pessoa humana a consci\u00eancia do seu valor e da sua ess\u00eancia de ser-em-rela\u00e7\u00e3o, que ilumina as pr\u00e1ticas sociais. Sem estas incid\u00eancias comportamentais, \u00e9 in\u00f3cuo o an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p>A civiliza\u00e7\u00e3o ocidental percorre caminhos que, em nome de sagrados princ\u00edpios de liberdade, esquecem a diversidade de horizontes culturais e religiosos. Olhando para o seu umbigo, fascinada pelos \u00eaxitos do progresso, atropela os sentimentos mais \u00edntimos das pessoas e dos povos, acirrando fundamentalismos de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. Herdeira de um falso endeusamento da raz\u00e3o, diverte-se ridicularizando uma vertente essencial da vida do homem &#8211; o religioso.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a liberdade de express\u00e3o \u00e9 um bem precioso. Mas \u00e9 precisamente na teia das rela\u00e7\u00f5es pessoais, e tamb\u00e9m civilizacionais, que se entrecruzam os direitos e deveres, as liberdades individuais, cujos limites s\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria cruzada com o benef\u00edcio dos outros. Sempre que se n\u00e3o respeitam os fundamentos da dignidade pessoal e da identidade cultural corre-se o risco de atear inc\u00eandios cuja extens\u00e3o e preju\u00edzos n\u00e3o se podem calcular. Tamb\u00e9m aqui, a luz do Evangelho pode alicer\u00e7ar convic\u00e7\u00f5es e induzir atitudes preventivas e curativas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O inesperado, por todos, incluindo os pr\u00f3prios militantes, aconteceu: um movimento radical, que se reclama promotor de mais de quinhentos atentados, com milhares de mortos e feridos, saltou para a ribalta dos eleitos em sufr\u00e1gio popular. \u00c9 um facto: por via eleitoral, o Hamas \u00e9 poder na Palestina! 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