{"id":6413,"date":"2007-02-15T10:28:00","date_gmt":"2007-02-15T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6413"},"modified":"2007-02-15T10:28:00","modified_gmt":"2007-02-15T10:28:00","slug":"notas-de-um-estagio-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/notas-de-um-estagio-em-angola\/","title":{"rendered":"Notas de um est\u00e1gio em Angola"},"content":{"rendered":"<p>Acordando durante a noite, estava um calor tremendo. Apenas me cobria com um simples len\u00e7ol, dado que por aqui existem mosquitos chatos e maliciosos.<\/p>\n<p>\u00c0s 6h45, era hora de ora\u00e7\u00e3o. Apesar de ter acordado cedo v\u00e1rias vezes, chegou o momento e passei pelo sono. Acordei \u00e0s 7h20; e vesti-me rapidamente, para ainda ir rezar as Laudes, tomar o pequeno-almo\u00e7o e depois estar, \u00e0s 8h00, na Delega\u00e7\u00e3o Salesiana (DS), que fica sensivelmente a uns 200 mts de dist\u00e2ncia da Par\u00f3quia de S\u00e3o Paulo. O pequeno-almo\u00e7o foi um belo caf\u00e9 com leite em p\u00f3, com um pouco de p\u00e3o com manteiga. Depois fui ent\u00e3o rezar, sem me esquecer de pegar nos cadernos e agenda para usar na reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Vendedor de pipocas<\/p>\n<p>A caminho da delega\u00e7\u00e3o, encontrei o Afonso, um rapaz que na altura do Ver\u00e3o (nosso), Inverno (deles), vendia pipocas. J\u00e1 era h\u00e1bito, quando algu\u00e9m vinha para o campo da par\u00f3quia, trazer na sua m\u00e3o umas ricas pipocas. Ele pertence agora \u00e0 Igreja Universal, e as coisas n\u00e3o lhe t\u00eam corrido muito bem\u2026 At\u00e9 aqui, ele vendia pipocas \u00e0 entrada da CEAST (Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9), aqui agarradinho \u00e0 par\u00f3quia. S\u00e3o centenas os jovens que passavam por aqui\u2026 N\u00e3o estando naquele s\u00edtio, deve ter mais dificuldades. No entanto, pelo que deu a entender, esfor\u00e7a-se bastante. O dinheiro n\u00e3o fica para ele\u2026 Disse-lhe que apenas poderia ajud\u00e1-lo escutando-o e rezando, para que tudo fique bem e a situa\u00e7\u00e3o melhore.<\/p>\n<p>Na Editora, fiquei a conhecer melhor como funcionava, e quem l\u00e1 trabalha, pois tinha alguns membros novos desde a minha estadia por c\u00e1! Cativa-me o desafio que tenho de enfrentar com eles\u2026 Vou crescer profissionalmente na \u00e1rea em que me formei.<\/p>\n<p>J\u00e1 passava da hora de estar na par\u00f3quia. Apressei-me a regressar; no entanto, ainda fui tirando d\u00favidas, principalmente ao Paulo. S\u00f3 depois \u00e9 que as minhas sand\u00e1lias deram uso ao caminho cheio de p\u00f3, areia, carros, e povo. A confus\u00e3o do tr\u00e2nsito j\u00e1 previs\u00edvel. As ruas cheias de lama. Junto \u00e0 casa, temos um enorme lago cinzento-escuro, fruto das fortes chuvas que aqui j\u00e1 aconteceram.<\/p>\n<p>Mam\u00e3 Susana e mam\u00e3 Helena<\/p>\n<p>Quando cheguei, j\u00e1 tinham terminado a ora\u00e7\u00e3o da hora interm\u00e9dia.<\/p>\n<p>Fui ao primeiro andar cumprimentar as minhas meninas grandes da casa, que para muitos passam despercebidas, mas de quem eu gosto muito: mam\u00e3 Susana e mam\u00e3 Helena. S\u00e3o elas que lavam, passam e p\u00f5em a roupa nos i\u2019s. Como trabalham no terra\u00e7o da casa, raramente se v\u00eaem na parte de baixo. A mam\u00e3 Susana nem acreditava que era eu\u2026 Pensava que n\u00e3o voltasse mais. Enganei-a!!! Disse-me que eu estava diferente. Vamos ver\u2026 Almocei rapidinho, para n\u00e3o fazer com que os padres demorassem muito \u00e0 mesa, dado que eles estavam quase a terminar.<\/p>\n<p>Depois, estive um pouco com o Vivaldo e o F\u00e9lix a conversar; talvez ainda hoje tenhamos oportunidade de ir \u00e0 praia. Ainda n\u00e3o est\u00e1 definido.<\/p>\n<p>O Pe. Cassoma, o companheiro de viagem e \u201cVig\u00e1rio Paroquial do Mota\u201d (brincadeira), regressou do retiro do Po\u00e7o, que durou at\u00e9 segunda. Muito bem disposto, mas sempre a trabalhar. Vive para ajudar e ver o seu povo a crescer na f\u00e9 e na for\u00e7a do trabalho. O Pe. Cassoma tem consci\u00eancia que tudo cresce, se for com esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o. Admir\u00e1vel!<\/p>\n<p>Retomando\u2026 N\u00e3o cheg\u00e1mos a ir \u00e0 praia. Aproveitei e fui ao bairro do Mota com o Pe. Cassoma. Mais uma alegria: encontrei alguns meninos que n\u00e3o tinha visto no dia anterior, e a Mana Berta. Grande alegria.<\/p>\n<p>Ao bater ao port\u00e3o da casa Magone, o Jorgito abre-me o port\u00e3o, mas vira logo costas dirigindo-se ao refeit\u00f3rio. Mas pensou e voltou a olhar para tr\u00e1s. Num tom euf\u00f3rico disse: \u201cPedroooo, Pedrooo\u201d; e saltou para cima de mim, cheio de g\u00e1udio. Os outros rapazes aproveitavam um bom joga\u00e7o contra o grupo de jovens ADS (Amigos Domingos S\u00e1vio). Fiquei por l\u00e1 um pouco, mas n\u00e3o joguei. Fui conhecendo meninos novos que foram para a casa Magone. Depois, estive a conversar um pouco com o Pe. Cassoma sobre assaltos que ocorreram no Centro Profissional do Mota, levando todo o dinheiro que ele tinha no escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Uma mulher batalhadora<\/p>\n<p>Regress\u00e1mos por volta das 18h00 para S\u00e3o Paulo, indo \u00e0 missa \u00e0s 18h30. A celebra\u00e7\u00e3o corria muito bem, com o Pe. Agnaldo a celebrar. Na altura da comunh\u00e3o, aproximando-me do ministro, uma pessoa toca-me ao de leve. Era a Tia Chica, a minha mam\u00e3 angolana, com quem j\u00e1 tinha falado por telefone. Sempre sorridente e alegre. Uma mulher batalhadora. Admiro-a pelo esfor\u00e7o que faz\u2026 Trabalha muito para sustentar os filhos que est\u00e3o em Portugal, principalmente a filha (Carina), que estuda na universidade, em Lisboa. Imagino as saudades que tem deles, e que transparecem quando falamos desse mesmo assunto. Para al\u00e9m disso, ainda acumula bastantes responsabilidades nos Salesianos, onde \u00e9 respons\u00e1vel por tratar dos vistos e por tudo o que se relacione com os volunt\u00e1rios a n\u00edvel de documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 sa\u00edda da missa encontrei um amigo que, surpreendido ao ouvir pronunciar o meu nome, n\u00e3o estava a acreditar. Era o Adolfo, um paroquiano que estava numa altura dif\u00edcil, a quando da minha perman\u00eancia em Agosto. Desabafou muito comigo. Fiquei sem contacto com ele, desde que saiu da empresa onde trabalhava [Novembro]. Pusemos a conversa toda em dia\u2026 e sei que ele agora est\u00e1 bem melhor. Um pai babado.<\/p>\n<p>Dei uma passagem no grupo da comunica\u00e7\u00e3o; e mant\u00e9m-se igualzinho desde que fui. \u00c9 um bom grupo, apesar de algumas desaven\u00e7as entre os membros que a ele pertencem. Isto acontecia e ainda acontece. Rezo por eles.<\/p>\n<p>Prepar\u00e1vamo-nos para fechar o port\u00e3o \u00e0s 21h00, a fim de rezarmos as V\u00e9speras e em seguida jantar. O Pe. Mila faz 50 anos que se encontra ao servi\u00e7o de Deus e dos Jovens na Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana. Vamos festejar, no dia 31 de Janeiro. Tamb\u00e9m far\u00e3o a renova\u00e7\u00e3o dos votos, no Mota, o Vivaldo e o F\u00e9lix, que se encontram a fazer pastoral de f\u00e9rias aqui na comunidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Temos c\u00e1 o Steffan, italiano, que estava a fazer a forma\u00e7\u00e3o de Salesiano no Qu\u00e9nia. A sua adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o correu muito bem, tendo sido enviado novamente para c\u00e1, onde j\u00e1 esteve a fazer experi\u00eancia mission\u00e1ria durante 2 anos, na Lixeira. Agora, aguarda para ver o que decidem.<\/p>\n<p>Ana Laura a caminho <\/p>\n<p>de Lwena<\/p>\n<p>Soube ontem que a Ana Laura, que n\u00e3o est\u00e1 comigo, mas sim nas Escravas do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o [as irm\u00e3s que ela adora e que a acolheram muito bem desde a sua primeira viagem a Angola], partir\u00e1 para Lwena nesta quinta-feira, 1 de Fevereiro. Deve estar a ser dif\u00edcil para ela ir t\u00e3o cedo para Lwena. Ela ainda queria dizer um \u201cOl\u00e1\u201d a muita gente. Ainda n\u00e3o falei com ela hoje. Deve estar desesperada. Tem sido dif\u00edcil arranjar voos para Lwena. Ela tem de aproveitar o primeiro, dado que pode n\u00e3o voltar a haver t\u00e3o cedo. Espero ainda dar-lhe um beijo de despedida.<\/p>\n<p>Ah\u2026 J\u00e1 coloquei o mosquiteiro no quarto. Que emo\u00e7\u00e3o! Nunca gostei muito de o ter das outras vezes em que c\u00e1 estive, ignorando-o mesmo. Mas este ano tem que ser\u2026 O calor \u00e9 demais; e a praga do mosquito ainda maior. Se correr uns cinco metros, fico a transpirar litros de \u00e1gua. Mas um banhito de \u00e1gua fresca, ao final do dia, cura tudo.<\/p>\n<p>Pedro Barros, em Angola<\/p>\n<p>29 Janeiro 2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acordando durante a noite, estava um calor tremendo. Apenas me cobria com um simples len\u00e7ol, dado que por aqui existem mosquitos chatos e maliciosos. \u00c0s 6h45, era hora de ora\u00e7\u00e3o. Apesar de ter acordado cedo v\u00e1rias vezes, chegou o momento e passei pelo sono. 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