{"id":6428,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6428"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"pobreza-a-nossa-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pobreza-a-nossa-porta\/","title":{"rendered":"Pobreza \u00e0 nossa porta"},"content":{"rendered":"<p>Descoberta em tempo de Natal <!--more--> O grupo de Catequese do 12\u00ba ano da par\u00f3quia da Vera Cruz,  fez uma descoberta, no \u00faltimo Natal, que nega a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 pobreza e obriga a pensar na maneira de ser verdadeiramente crist\u00e3o. Bem perto, h\u00e1 pessoas que vivem em condi\u00e7\u00f5es desumanas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi em \u00c1frica, na Am\u00e9rica ou na \u00c1sia. N\u00e3o foi num pa\u00eds de Leste, numa long\u00ednqua China ou num dos bairros problem\u00e1ticos da Grande Lisboa. Foi em Aveiro, bem no centro, numa das mais agrad\u00e1veis e hist\u00f3ricas partes da cidade. Foi l\u00e1 que encontr\u00e1mos a mais profunda mis\u00e9-ria e desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era Natal. Aquela altura do ano em que, por uma vez, nos lembramos que n\u00e3o vivemos sozinhos; em que partilhamos este mesmo mundo com pessoas que vivem com dificuldades, infelizes, sem dinheiro e sem f\u00e9. N\u00e3o sabemos se \u00e9 o nascimento de Jesus, t\u00e3o pobre, t\u00e3o fr\u00e1gil, t\u00e3o nu, que nos impele a lembrar de quem sofre. Mas, se \u00e9 assim, porque \u00e9 que s\u00f3 o fazemos em meados de Dezembro? N\u00e3o deveria aquele Menino tocar-nos todos os dias?<\/p>\n<p>Abstra\u00eddos do corrupio das compras, das filas, das multid\u00f5es nas lojas, todos nos concentr\u00e1mos num \u00fanico prop\u00f3sito: levar a uma fam\u00edlia um pouco mais do verdadeiro Natal. N\u00e3o sab\u00edamos quem e o que ir\u00edamos visitar. N\u00e3o sab\u00edamos at\u00e9 que ponto ia a sua pobreza. E foi assim, de cabaz em punho, que sa\u00edmos do nosso mundo para entrarmos no deles.<\/p>\n<p>Pelos caminhos da nossa cidade, \u00edamos dissertando sobre aquilo que esper\u00e1vamos encontrar. Encontr\u00e1-mos uma fam\u00edlia que vivia parada no tempo. Ali n\u00e3o tinha chegado o Portugal do s\u00e9culo XXI, com habita\u00e7\u00f5es luxuosas, est\u00e1dios de futebol e parques de lazer. Ali s\u00f3 se via um projecto inacabado de um lar. Via-se lixo, moscas, mas sobretudo, des\u00e2nimo e desespero. Era gente que precisava de mais do que de um simples cabaz. Precisavam de uma casa que substitu\u00edsse aquele aglomerado de contraplacado e cart\u00e3o e de algo que lhes devolvesse a vontade de viver. Viviam em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis, numa barraca feita de alcatifas podres, onde acolhiam quatro pessoas, duas delas doentes. Foram cheiros, sons e imagens que nos impregnaram de um desconforto atroz, de uma sensa\u00e7\u00e3o de culpa e remorso e que nos fizeram voltar a questionar se estar\u00edamos em Aveiro ou se algu\u00e9m nos tinha transportado para uma realidade de \u201cTerceiro Mundo\u201d.<\/p>\n<p>Pergunt\u00e1vamos-nos como seria poss\u00edvel nunca ningu\u00e9m ter feito nada para ajudar a mudar a situa\u00e7\u00e3o daquela fam\u00edlia. Como \u00e9 que nunca se lhes proprocionou uma casa digna, numa cidade de tanto pr\u00e9dio? Como \u00e9 que cada um de n\u00f3s pode viver, tendo a percep\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 gente que passa por verdadeiras priva\u00e7\u00f5es? Como \u00e9 poss\u00edvel? <\/p>\n<p>O nosso objectivo, conjuntamente com a boa vontade dos Vicentinos, era oferecer um modesto cabaz para o Natal. No entanto, perante o que observ\u00e1mos, a nossa simples oferenda n\u00e3o saciaria as grandes necessidades existentes. De acordo com as informa\u00e7\u00f5es cedidas pelos Volunt\u00e1rios do servi\u00e7o prestado pelos Vicentinos, esta situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria extrema foi levada j\u00e1 ao conhecimento das autarquias locais, nomeadamente Junta de Freguesia e Presid\u00eancia de C\u00e2mara, e tamb\u00e9m aos pol\u00edticos em momentos de campanha eleitoral. Contudo, a situa\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se, h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas. Afinal, de \u201cMoles\u201d esta fam\u00edlia s\u00f3 tem o nome, porque, na nossa opini\u00e3o, eles s\u00e3o muito fortes, para resistirem ao seu drama arrastado. Esta realidade contradiz as estat\u00edsticas publicadas h\u00e1 algum tempo, por um departamento da Universidade de Aveiro, onde se afirma n\u00e3o existirem barracas nem pobreza extrema na nossa freguesia da Vera Cruz. Esta mis\u00e9ria globalizada e tridimensionada (ma-terial, \u00e9tico-moral e social), j\u00e1 para n\u00e3o falar da dimens\u00e3o espiritual, n\u00e3o teve ainda resposta, nem para o problema, nem t\u00e3o pouco, o \u201cresgate\u201d, a promo\u00e7\u00e3o das pessoas, que se alimentam de uma caridade f\u00fatil e est\u00e9ril.<\/p>\n<p>Enfim, mais do que naquelas pessoas, a verdadeira metamorfose deu-se em n\u00f3s. De uma maneira terr\u00edvel, descobrimos o qu\u00e3o ingratos somos por tudo aquilo que Deus nos d\u00e1. Descobrimos que talvez Aquele Menino pobre e d\u00e9bil n\u00e3o se sinta bem no meio dos luxos e das nossas extravag\u00e2ncias, da comodidade que enche o nosso cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixando espa\u00e7o para Ele nascer e crescer.<\/p>\n<p>De facto, o Natal do grupo do 12\u00ba ano de catequese foi diferente este ano. Foi o Natal junto dos pobres. O verdadeiro Natal!<\/p>\n<p>Pena foi que o tiv\u00e9ssemos descoberto de forma t\u00e3o crua e angustiante. Mas ningu\u00e9m disse que seria f\u00e1cil a tarefa. Contudo, talvez seja essa a beleza de se ser Crist\u00e3o&#8230;!<\/p>\n<p>O Grupo de Catequese do 12\u00ba ano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descoberta em tempo de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-6428","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6428\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}