{"id":643,"date":"2010-01-28T09:59:00","date_gmt":"2010-01-28T09:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=643"},"modified":"2010-01-28T09:59:00","modified_gmt":"2010-01-28T09:59:00","slug":"a-guerra-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-guerra-da-vida\/","title":{"rendered":"A guerra da vida"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu*<\/p>\n<p>*\u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4)<\/p>\n<p>Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor. <!--more--> IV Domingo do Tempo Comum &#8211; C<\/p>\n<p>O texto de S. Paulo ficou c\u00e9lebre na hist\u00f3ria como \u00abhino \u00e0 caridade\u00bb ou, ao estilo moderno, \u00abhino ao amor\u00bb. Tanto pela riqueza do conte\u00fado como pela beleza liter\u00e1ria. Mas nunca o poderia ter escrito, se n\u00e3o tivesse escutado o convite daquele Jesus que ao princ\u00edpio lhe parecia execr\u00e1vel e que, entre outras coisas nada liter\u00e1rias, atacou a dureza de ouvidos dos judeus do seu tempo e especialmente dos chefes religiosos. Jesus n\u00e3o podia ser recomend\u00e1vel para um fariseu educado e coerente como S. Paulo. Mas Paulo era educado e s\u00e9rio \u2013 de outro modo n\u00e3o seria capaz de mudar as ideias e m\u00e9todos de ac\u00e7\u00e3o, preferindo o terreno f\u00e9rtil mas penoso de n\u00e3o adormecer na busca da verdade.<\/p>\n<p>E assim descobriu uma for\u00e7a que consegue romper as correntes mais pesadas, a f\u00faria das \u00e1guas e a f\u00faria dos homens. Ser\u00e1 que S. Paulo conhecia a famosa obra de Arist\u00f3teles \u00ab\u00c9tica a Nic\u00f3maco\u00bb? A\u00ed se l\u00ea que \u00aba virtude est\u00e1 no meio\u00bb \u2013 n\u00e3o no aconchego de dois bra\u00e7os amorosos mas num cume de escarpas \u00edngremes e escorregadias (onde tamb\u00e9m se podem encontrar aqueles dois bra\u00e7os!). O que importa \u00e9 procurar manter-se longe do abismo. E que vista panor\u00e2mica, de tal altura! Por\u00e9m, de que me vale o cume se n\u00e3o souber olhar?<\/p>\n<p>S\u00f3 o sabe quem se afoita a olhar as rea-lidades do mundo \u2013 do cume da benigni-dade, da paci\u00eancia, da justi\u00e7a, da verdade, enla\u00e7adas pela prud\u00eancia e \u00abbom senso\u00bb. E s\u00f3 o amor sabe dar rem\u00e9dios amargos, com o objectivo honesto do \u00abbem comum\u00bb.<\/p>\n<p>Os judeus do evangelho ficaram \u00abchocados\u00bb por um simples filho de carpinteiro se arrogar tanta liberdade e sabedoria \u2013 e quiseram impedir Jesus de \u00abseguir o seu caminho\u00bb. Mas Jesus era o perfeito exemplo de amor equilibrado, e calmamente \u00abcontinuou\u00bb. Se olharmos para Jeremias, vemos como ele receava enfrentar o povo; mas Deus avisou-o de que, se n\u00e3o se preparasse para defender a verdade, seria a primeira v\u00edtima da mentira. E tamb\u00e9m Jeremias se lan\u00e7ou \u00e0 aventura.<\/p>\n<p>Jeremias e Jesus foram chamados a defender corajosamente uma vida cada vez mais humana, onde ningu\u00e9m \u00e9 um projecto in\u00fatil.<\/p>\n<p>Quando somos conscientes de que h\u00e1 projectos a morrer, somos n\u00f3s que \u00absomos chamados\u00bb a dar sentido a essas mortes precoces \u2013 particularmente \u00e0 morte dos chamados \u00abinocentes\u00bb, \u00abdesprotegidos\u00bb ou que nem sequer tiveram tempo de ter um nome. Cada um desses, cada um de n\u00f3s, \u00e9 de facto insubstitu\u00edvel. Todas as flores murcham e algumas nem chegam a abrir. Precisamos de n\u00e3o ter medo de enfrentar esta realidade, ganhando for\u00e7as e sabedoria para melhorar um ambiente prop\u00edcio a uma humanidade colorida e saud\u00e1vel. Quantas vezes as nossas atitudes e pol\u00edticas reflectem uma deser\u00e7\u00e3o cobarde perante as exig\u00eancias do amor? <\/p>\n<p>Se n\u00e3o nos dispusermos a ajudar-nos uns aos outros, ca\u00edmos no descalabro de enviar, sem a devida reflex\u00e3o, muitos projectos originais, nessa medida insubstitu\u00edveis, para a linha de morte da guerra da vida.  <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>\u201cCaridade\u201d ou \u201camor\u201d?<\/p>\n<p>\u201cCaridade\u201d ou \u201camor\u201d? O hebreu, grego e latim j\u00e1 misturam diferentes radicais, mas sobressai uma ideia central: o afecto entre os seres humanos e entre estes e o pr\u00f3prio Deus, implicando um movimento de aproxima\u00e7\u00e3o e carinho. O grego \u00abcharis\u00bb aponta para aquilo que brilha, \u00e9 belo, alegra e d\u00e1 prazer, e o radical indo-europeu \u00abgher\u00bb evidencia o amor e o desejo. At\u00e9 que ponto \u00e9 que os \u00abgrandes padres do cristianismo\u00bb foram v\u00edtimas do manique\u00edsmo, juntando o \u00abamor\u00bb ao \u00abdiab\u00f3lico prazer carnal\u00bb, e pintando a \u00abcaridade\u00bb de cores s\u00f3 \u00abang\u00e9licas\u00bb? A teologia moderna j\u00e1 conquistou \u00aba vis\u00e3o panor\u00e2mica do amor\u00bb \u2013 mas S. Paulo j\u00e1 sabia juntar sentimento e raz\u00e3o (1 Cor\u00edntios,14): \u00abCantarei com todo o entusiasmo, mas igualmente com a intelig\u00eancia\u00bb. S\u00f3 o amor inteligente, culto e educado \u00e9 que \u00e9 eficiente. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu* *\u00abPorque era de baixa estatura, subiu a uma \u00e1rvore para ver Jesus\u00bb (Lucas 19,3-4) Se treparmos at\u00e9 ao cimo, todas as coisas da vida servem para ver melhor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}