{"id":6436,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6436"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"excluir-ou-acolher-em-nome-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/excluir-ou-acolher-em-nome-de-deus\/","title":{"rendered":"Excluir ou acolher em nome de Deus?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra &#8211; VI Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano B <!--more--> A liturgia deste domingo revela-nos o verdadeiro rosto do nosso Deus, na pessoa de Jesus. \u00c9 um Deus que se compadece da mis\u00e9ria humana e que nos \u201ctoca\u201d com ternura, bondade e amor, para nos libertar e nos associar \u00e0 sua fam\u00edlia. N\u00e3o exclui ningu\u00e9m e reprova todos os sistemas de discrimina\u00e7\u00e3o, mesmo que, porventura, sejam constru\u00eddos em seu nome. <\/p>\n<p>A primeira leitura fala-nos de uma antiga lei, relativamente aos procedimentos a ter com os leprosos, e abre-nos o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade radical da pr\u00e1tica de Jesus. Esta lei choca-nos, pela sua desumanidade face aos doentes de lepra, que, segundo ela, deviam ser enviados para fora do acampamento e entregues \u00e0 sua triste sorte. Se, por um lado, podemos perceber nesta lei que se podia tratar de uma regra de sa\u00fade p\u00fablica, por outro lado, inquieta-nos perceber a imagem deturpada de Deus, que as pessoas s\u00e3o capazes de inventar, segundo a l\u00f3gica dos seus mecanismos de discrimina\u00e7\u00e3o e de rejei\u00e7\u00e3o, em nome do pr\u00f3prio Deus. O texto denuncia esta atitude e convida-nos a repensar os nossos comportamentos face aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Ser\u00e1 que os meus preconceitos, a minha obsess\u00e3o pela lei e pelo politicamente correcto est\u00e3o a criar marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s? <\/p>\n<p>O evangelho narra-nos a atitude de Jesus para com um leproso, exactamente ao inverso do que a lei prescrevia. \u00c9 uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceita\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o est\u00e1 preocupado com o que \u00e9 pol\u00edtica ou religiosamente correcto, ou com a \u201cimpureza\u201d da pessoa, ou com o perigo que ela representa para a sa\u00fade p\u00fablica. Jesus apenas v\u00ea no leproso um irm\u00e3o que Deus ama e a quem \u00e9 preciso estender a m\u00e3o com amor. Neste seu gesto, revela-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que se faz pessoa e que desce ao encontro dos seus filhos e filhas, que lhes apresenta propostas de vida nova e que os convida a integrar a sua fam\u00edlia. Um Deus que n\u00e3o exclui ningu\u00e9m e que n\u00e3o aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discrimina\u00e7\u00e3o ou de marginaliza\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s. \u00c9 este Deus, revelado em Jesus Cristo, que somos convidados a descobrir, a amar, a testemunhar no mundo. <\/p>\n<p>Procuro integrar e acolher os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os \u201cdiferentes\u201d ou colaboro com os mecanismos de exclus\u00e3o e de discrimina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A segunda leitura convida-nos a dar prioridade \u00e0 gl\u00f3ria de Deus e ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Neste texto, Paulo deixa claro que, para os que seguem Jesus, o amor \u00e9 o valor absoluto, ao qual tudo deve ser submetido e que, em certas circunst\u00e2ncias, podem ser convidados a renunciar aos pr\u00f3prios direitos, \u00e0 pr\u00f3pria liberdade, aos pr\u00f3prios projectos, quando o amor ou o bem dos irm\u00e3os e irm\u00e3s, assim o exigirem. O supremo exemplo h\u00e1-de ser o de Cristo, que viveu na obedi\u00eancia incondicional aos projectos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o das pessoas. Como encaro os meus direitos? Sujeito-os ao amor para com Deus e para com o pr\u00f3ximo, ou defendo-os acima de tudo, como um valor absoluto?<\/p>\n<p>Leituras do Domingo VI do Tempo Comum \u2013 Ano B: Lv 13,1-2.44-46; Sl 32 (31), 1-2.5.7.11; 1 Cor 10,31\u201311,1; Mc 1,40-45<\/p>\n<p>Deolinda Serralheiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra &#8211; VI Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano B<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-6436","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6436\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}