{"id":6459,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6459"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"cidadania-com-tres-faces-nacional-europeia-e-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cidadania-com-tres-faces-nacional-europeia-e-mundial\/","title":{"rendered":"Cidadania com tr\u00eas faces: nacional, europeia e mundial"},"content":{"rendered":"<p>Adriano Moreira, professor de rela\u00e7\u00f5es Internacionais, membro da Academia de Ci\u00eancias de Lisboa, ministro do Ultramar em 1961-63, ex-l\u00edder do CDS e ex-vice-presidente da Assembleia da Rep\u00fablica e actual presidente do Conselho Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o do Ensino Superior, foi o convidado de Fevereiro do F\u00f3rum::Universal, no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura. Em debate estiveram os temas \u201ccidadania, pol\u00edtica e constru\u00e7\u00e3o social\/global\u201d.<\/p>\n<p>Tr\u00eas faces da cidadania<\/p>\n<p>A cidadania \u00e9 das quest\u00f5es mais actuais. Actualmente, tem tr\u00eas bases: a nacional, a europeia e a mundial. Temos de aprender a exercer essa cidadania de tr\u00eas faces.<\/p>\n<p>Pa\u00eds multicontinental<\/p>\n<p>O estatuto do pa\u00eds mudou aceleradamente. No espa\u00e7o de uma gera\u00e7\u00e3o, alterou completamente as suas fronteiras. Primeiro, foi pa\u00eds multi-continental, mas com fronteiras exclusivamente com soberanias ocidentais: a inglesa, a francesa, a belga, a holandesa. Nessa \u00e9poca, sabia quem eram os amigos e os inimigos. Depois, teve fronteiras com 10 ou 11 pa\u00edses que conquistaram a independ\u00eancia. Eram pa\u00edses portadores de reivindica\u00e7\u00f5es, contestat\u00e1rios do direito internacional e revisionistas. Finalmente, depois de 1974, passou a ter uma \u00fanica fronteira com a Espanha.<\/p>\n<p>Os tempos das mudan\u00e7as<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as aconteceram mais r\u00e1pido do que a capacidade de dar resposta. A mudan\u00e7a cultural d\u00e1-se num tempo acelerado. A mudan\u00e7a de entendimento d\u00e1-se num tempo demorado. Ao mesmo tempo, co-existiram em Portugal tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es: uma presa ao antigo e avessa \u00e0 mudan\u00e7a, outra que assume a mudan\u00e7a e outra para quem o futuro \u00e9 urgente.<\/p>\n<p>Europa n\u00e3o foi escolha<\/p>\n<p>Portugal sempre foi um pa\u00eds com necessidade de apoio externo. J\u00e1 no tempo de D. Afonso Henriques assim foi, com a promessa de onze on\u00e7as de outro em troca da protec\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9. A seguir, foi a alian\u00e7a com a Inglaterra. Agora, \u00e9 o apoio externo da Europa. A Europa, verdadeiramente, n\u00e3o foi uma escolha de Portugal. N\u00e3o havia alternativa.<\/p>\n<p>Dilui\u00e7\u00e3o das fronteiras<\/p>\n<p>As fronteiras passaram a ser um apontamento administrativo. Antes, morria-se na fronteira, pela fronteira. A seguran\u00e7a estava ligada \u00e0 cidadania. Morria-se no rio Minho ou no Guadiana. Agora, as nossas fronteiras f\u00edsicas s\u00e3o as da Nato. Um jovem portugu\u00eas pode ir para as margens de um rio que n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com a nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>As fronteiras s\u00e3o as da economia (a Europa) e as da cultura (a CPLP). As fronteiras do Estado identificado com a na\u00e7\u00e3o perdem sentido.<\/p>\n<p>Vieram para ficar<\/p>\n<p>O descontrolo da imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um grande problema para a Europa. 18 milh\u00f5es de pessoas vieram para ficar. As identidades nacionais come\u00e7am a ser multiculutrais. Por vezes, os imigrantes assumem-se como verdadeiras col\u00f3nias no interior de um pa\u00eds, como acontece na Alemanha com os turcos e na Fran\u00e7a com os magrebinos. Nenhum pa\u00eds est\u00e1 livre dos fluxos migrat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o descuidadas<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de acolhimento foram completamente descuidadas. N\u00e3o existe uma escola inclusiva. H\u00e1 conflitos de valores, por um lado, e um relativismo que confunde toler\u00e2ncia com respeito, por outro.<\/p>\n<p>3\u00aa gera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Somente a terceira gera\u00e7\u00e3o de imigrantes assimila a cultura do pa\u00eds que acolhe.<\/p>\n<p>Alargamento da UE<\/p>\n<p>Admitir a Turquia na Uni\u00e3o Europeia ser\u00e1 um erro grave e uma forma de arranjar conflitos internos. A atitude mu\u00e7ulmana n\u00e3o muda s\u00f3 por ser acolhida pela Europa. Se a Turquia entra na EU, como dizer n\u00e3o a Marrocos, \u00e0 L\u00edbia ou \u00e0 Arg\u00e9lia? O alargamento da EU est\u00e1 a ser feito sem estudos de governabilidade. <\/p>\n<p>L\u00edderes mundiais?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 verdadeiros l\u00edderes mundiais. O \u00faltimo grande l\u00edder foi o Papa Jo\u00e3o Paulo II. H\u00e1 alguma esperan\u00e7a em \u00c2ngela Merkel, chanceler da Alemanha.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos pouco cred\u00edveis<\/p>\n<p>H\u00e1 um problema com a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, por falta de confian\u00e7a no aparelho pol\u00edtico. A rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a est\u00e1 abalada e os povos sentem-se inseguros. O di\u00e1logo passou a espet\u00e1culo. Os poderes pol\u00edticos alienaram-se nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O di\u00e1logo est\u00e1 cortado. Tem int\u00e9rpretes: os meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O eixo e a roda<\/p>\n<p>Vivemos uma crise de valores s\u00e9ria. H\u00e1 um relativismo que acha que deve legitimar tudo o que acontece pelo simples facto de acontecer. Ora, os valores s\u00e3o extra-roda. A roda vai por todas as paisagens. O eixo acompanha a roda, mas n\u00e3o anda. Os valores s\u00e3o o eixo da roda.<\/p>\n<p>Qualifica\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Portugal tem um ministro do Mar [isto \u00e9, das Pescas], mas n\u00e3o tem frota. \u00c9 um pa\u00eds com desafios tremendos. A sa\u00edda est\u00e1 na qualifica\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Isso exige muito investimento, muito ensino e educa\u00e7\u00e3o, que devem ser considerados como despesas de soberania.<\/p>\n<p>Desafio de Jo\u00e3o XXIII<\/p>\n<p>O desafio do Papa Jo\u00e3o XXIII continua actual: saber tudo, compreender tudo, melhorar um bocadinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriano Moreira, professor de rela\u00e7\u00f5es Internacionais, membro da Academia de Ci\u00eancias de Lisboa, ministro do Ultramar em 1961-63, ex-l\u00edder do CDS e ex-vice-presidente da Assembleia da Rep\u00fablica e actual presidente do Conselho Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o do Ensino Superior, foi o convidado de Fevereiro do F\u00f3rum::Universal, no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura. 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