{"id":6469,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6469"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ria-de-aveiro-e-alteracoes-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ria-de-aveiro-e-alteracoes-climaticas\/","title":{"rendered":"Ria de Aveiro e Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>Documento da Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz, a prop\u00f3sito do Dia Mundial das Zonas H\u00famidas<\/p>\n<p>Com certeza que qualquer um de n\u00f3s, ao observar e sentir a natureza, deu por si a entoar intimamente um\u00a0salmo de louvor ao Senhor. \u00c9 imposs\u00edvel a indiferen\u00e7a \u00e0 beleza da nossa Ria de Aveiro, em particular naquelas horas do fim do dia, em que adquire uma luz e uma serenidade especiais. Um pequeno reflexo da Luz e da Calma do Senhor&#8230;<\/p>\n<p>A Ria de Aveiro, como zona h\u00famida* que, para al\u00e9m da sua beleza, \u00e9 rica em peixes e aves aqu\u00e1ticas e possui grandes planos de \u00e1gua, locais de elei\u00e7\u00e3o para a\u00a0 pr\u00e1tica de desportos n\u00e1uticos. A produ\u00e7\u00e3o de sal e os barcos moliceiros s\u00e3o tamb\u00e9m identificados com a tradi\u00e7\u00e3o aveirense e est\u00e3o intimamente ligados \u00e0 Ria, um dos ex-libris da Diocese de Aveiro. <\/p>\n<p>Dia Mundial das Zonas H\u00famidas<\/p>\n<p>No passado dia 2 de Fevereiro, comemorou-se o Dia Mundial das Zonas H\u00famidas. Tamb\u00e9m na passada semana, voltou \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social o tema das Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas. Ser\u00e1 que existe alguma rela\u00e7\u00e3o entre zonas h\u00famidas, ou seja a nossa Ria de Aveiro, e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas? Claro que sim! As altera\u00e7\u00f5es previstas do clima afectar\u00e3o as zonas h\u00famidas nacionais. Os estudos cient\u00edficos para compreens\u00e3o e previs\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e dos seus potenciais efeitos apontam para um aumento da temperatura m\u00e9dia global do Planeta entre 1,4 e 5,8\u00baC, no per\u00edodo 1990-2100, o que implicar\u00e1 impactos significativos diversos, que diferem de regi\u00e3o para regi\u00e3o e de esta\u00e7\u00e3o do ano para esta\u00e7\u00e3o do ano. Na Europa, o Sul \u00e9 a sub-regi\u00e3o mais vulner\u00e1vel, prevendo-se que: <\/p>\n<p>\u2022 haja uma diminui\u00e7\u00e3o do escoamento de Ver\u00e3o, da disponibilidade h\u00eddrica e da humidade do solo;<\/p>\n<p>\u2022 nas \u00e1reas costeiras, o risco de cheias, eros\u00e3o e perda de \u00e1reas h\u00famidas aumente substancialmente, com implica\u00e7\u00f5es para as estruturas humanas, ind\u00fastria, turismo, agricultura e habitats naturais das zonas costeiras;<\/p>\n<p>\u2022 a produtividade agr\u00edcola decres\u00e7a;<\/p>\n<p>\u2022 a perda de habitats importantes (zonas h\u00famidas, habitats isolados) seja uma amea\u00e7a para algumas esp\u00e9cies;<\/p>\n<p>\u2022 temperaturas mais elevadas e ondas de calor possam alterar os destinos tur\u00edsticos tradicionais.<\/p>\n<p>\u00a0Estar\u00e1 o leitor, neste momento, num dilema: por um lado, identifica alguns dos impactos descritos como algo que j\u00e1 constatou no nossos pa\u00eds e que suspeita estar j\u00e1 a acontecer; por outro lado, pensa que n\u00e3o tem muito a ver com esta problem\u00e1tica e que 2100 est\u00e1 muito longe.<\/p>\n<p>Ria de Aveiro em risco<\/p>\n<p>Pois bem, a Ria de Aveiro \u00e9 uma das zonas h\u00famidas potencialmente em risco, com as inevit\u00e1veis consequ\u00eancias em diversas actividades da regi\u00e3o, nomeadamente turismo e agricultura; e os seus filhos ou netos viver\u00e3o com uma Ria diferente. <\/p>\n<p>Poderemos n\u00f3s ficar de bra\u00e7os cruzados, imp\u00e1vidos, tranquilizando alguma preocupa\u00e7\u00e3o que nos espreite a mente, com a ideia de que \u201cn\u00e3o podemos fazer nada que altere estas coisas das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d? N\u00e3o! Ap\u00f3s algum debate e muita investiga\u00e7\u00e3o, foi tamb\u00e9m poss\u00edvel \u00e0 comunidade cient\u00edfica atribuir \u00e0 actividade humana um papel nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, devido ao seu contributo para o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gases com efeito de estufa na atmosfera. Da actividade humana, numa sociedade altamente dependente da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, tem resultado a emiss\u00e3o de gases para a atmosfera, nomeadamente o di\u00f3xido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o \u00f3xido nitroso (N2O). Estes gases, gases com efeito de estufa, t\u00eam um papel importante no balan\u00e7o de energia do nosso Planeta; e a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica indica que o aumento exponencial das suas concentra\u00e7\u00f5es na atmosfera, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, se esteja a reflectir num aumento da temperatura m\u00e9dia global da Terra. Todos somos respons\u00e1veis! Jo\u00e3o Paulo II n\u00e3o se cansa de o repetir.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ter em conta a natureza de cada ser e as liga\u00e7\u00f5es m\u00fatuas entre todos, num sistema ordenado, que \u00e9 precisamente o cosmos.\u201d SRS 34.<\/p>\n<p>Apelo \u00e0 responsabilidade pessoal<\/p>\n<p>A responsabilidade do contributo do homem para a altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do sector industrial e energ\u00e9tico, ou numa postura ainda mais c\u00f3moda, do outro&#8230; Tem tudo a ver connosco. Somos respons\u00e1veis cada vez que utilizamos o nosso carro, provavelmente para ir ao caf\u00e9 da esquina, que fica a 200 m, que nos esquecemos duma luz acesa durante horas e horas, ou que mantemos um aquecedor ligado e simultaneamente uma janela aberta para arejar um pouco.<\/p>\n<p>E n\u00e3o pense o leitor que a sua atitude individual n\u00e3o altera nada! \u00c9 da atitude individual, de cada um dos 6000 mil milh\u00f5es de homens, que dever\u00e1 resultar o equil\u00edbrio do nosso planeta em respeito pela Cria\u00e7\u00e3o Divina. O leitor n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais um, a sua preocupa\u00e7\u00e3o e o seu agir ir\u00e3o fazendo a diferen\u00e7a. N\u00e3o a diferen\u00e7a imediata e \u201cestrondosa\u201d, que muitas vezes passa depressa, mas a diferen\u00e7a continuada no tempo, assente no Amor e na certeza de que estamos a contribuir para uma Humanidade melhor e para um Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, conceito t\u00e3o bem expresso, j\u00e1 em 1967, por Paulo VI.<\/p>\n<p>\u201cHerdeiros das gera\u00e7\u00f5es passadas e benefici\u00e1rios do trabalho dos nossos contempor\u00e2neos, temos obriga\u00e7\u00f5es para com todos, e n\u00e3o podemos desinteressar-nos dos que vir\u00e3o depois de n\u00f3s aumentar o c\u00edrculo da fam\u00edlia humana. A solidariedade universal \u00e9 para n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 um facto e um benef\u00edcio, mas tamb\u00e9m um dever\u201d. PP, 17.<\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Aveiro<\/p>\n<p>* de acordo com a Conven\u00e7\u00e3o de Ramsar, definem-se como zonas h\u00famidas \u201c\u00e1reas de p\u00e2ntano, charco, turfa ou \u00e1gua, natural ou artificial, permanente ou tempor\u00e1ria, com \u00e1gua estagnada ou corrente, doce salobra ou salgada, incluindo \u00e1reas de \u00e1gua mar\u00edtima com menos de seis metros de profundidade na mar\u00e9 baixa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento da Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz, a prop\u00f3sito do Dia Mundial das Zonas H\u00famidas Com certeza que qualquer um de n\u00f3s, ao observar e sentir a natureza, deu por si a entoar intimamente um\u00a0salmo de louvor ao Senhor. \u00c9 imposs\u00edvel a indiferen\u00e7a \u00e0 beleza da nossa Ria de Aveiro, em particular naquelas horas do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6469","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6469\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}