{"id":6483,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6483"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"shakespeare-e-os-morangos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/shakespeare-e-os-morangos\/","title":{"rendered":"Shakespeare e os Morangos"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito de uma tert\u00falia sobre \u201cp\u00fablicos juvenis para a cultura\u201d <!--more--> O tema era \u201cp\u00fablicos juvenis para a cultura\u201d e juntou numa tert\u00falia pessoas que trabalham com jovens e para jovens na \u00e1rea da cultura. Foi na noite de 8 de Fevereiro, no bar do Teatro Aveirense. No ar havia perguntas como: Quem ser\u00e1 o p\u00fablico de amanh\u00e3? Como fidelizar o p\u00fablico jovem? Como levar jovens aos espect\u00e1culos culturais? De que \u00e9 que eles gostam? Quais s\u00e3o os seus interesses culturais?<\/p>\n<p>O debate foi animado, mas inconclusivo, at\u00e9 porque, logo de in\u00edcio, se notou uma aus\u00eancia. Os jovens, os destinat\u00e1rios, n\u00e3o estavam l\u00e1. Estava quem pensa neles, o IPJ, a Casa Municipal da Juventude, o Teatro Aveirense, elementos de companhias teatrais e de associa\u00e7\u00f5es, pol\u00edticos&#8230; Mas eles n\u00e3o. Notaram-se, sim, quando, noite dentro, passaram na rua a gritar pelo clube de futebol que acabara de passar a eliminat\u00f3ria, depois das grandes penalidades.<\/p>\n<p>O debate n\u00e3o foi conclusivo nem tinha que ser. Cada pessoa tinha as suas ideias e, provavelmente, com elas continuar\u00e1. Mas a partilha enriqueceu. J\u00e1 dizia Baden Powell: \u201cSe eu te der um c\u00eantimo e tu me deres um c\u00eantimo, cada um de n\u00f3s fica com um c\u00eantimo. Mas se eu te der uma ideia e tu me deres uma ideia, cada um de n\u00f3s fica com duas ideias\u201d.<\/p>\n<p>Ora, das ideias partilhadas na noite, vale a pena reter algumas:<\/p>\n<p>&#8211; O p\u00fablico jovem \u00e9, contra as apar\u00eancias (disse uma soci\u00f3loga), o maior consumidor de cultura (m\u00fasica, cinema, teatro).<\/p>\n<p>&#8211; Quando se prepara uma actividade cultural para os jovens (um curso, um debate, um espect\u00e1culo), adianta pouco pensar em \u201cquais s\u00e3o os seus problemas?\u201d ou \u201cquais s\u00e3o os seus gostos?\u201d A ades\u00e3o \u00e9 imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8211; Os jovens (alguns) podem  ir ver o \u201cRomeu e Julieta\u201d (como h\u00e1 semanas, no Aveirense) sem ligarem grande coisa \u00e0 hist\u00f3ria escrita por William Shakespeare, a n\u00e3o ser quando aparecem uns \u201cMorangos\u201d no palco.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 importante formar os gostos, mas n\u00e3o pensemos que h\u00e1 uma esp\u00e9cie de fidelidade cultural. Os jovens, como quaisquer outros, escolhem a cultura de que gostam. O mais importante \u00e9 que gostem do que v\u00eaem, ouvem, l\u00eaem.<\/p>\n<p>&#8211; Levar um grupo a ver um teatro (quer seja uma pe\u00e7a, quer seja como funciona o espa\u00e7o teatral em si) pode fazer milagres. Passam a estar atentos \u00e0 programa\u00e7\u00e3o, passam a telefonar, passam a ver.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 mais crian\u00e7as, adolescentes e jovens a levar pais, tios e av\u00f3s aos espect\u00e1culos do que o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; Os jovens e os seus gostos mudam mais depressa do que a capacidade de percep\u00e7\u00e3o dos adultos, das institui\u00e7\u00f5es e mesmo das ind\u00fastrias culturais (as grandes editoras musicais s\u00f3 agora est\u00e3o a perceber que os jovens sacam tudo da net).<\/p>\n<p>&#8211; Os jovens funcionam em regime de grupo; quem se dirige ao p\u00fablico jovem tem de saber trabalhar as rela\u00e7\u00f5es de amizade.<\/p>\n<p>Como tudo muda t\u00e3o r\u00e1pido, por este conjunto de frases at\u00e9 parece que a tert\u00falia s\u00f3 serviu para desfazer ideias. N\u00e3o. Uma das ideias foi v\u00e1rias vezes sublinhada: o asso-ciativismo juvenil. Para \u201cfazer coisas\u201d, para dar asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, para educar o pr\u00f3prio gosto e promover a cultura, para mexer com o seu meio, uma associa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 o melhorzinho que meia d\u00fazia de jovens pode fazer.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito de uma tert\u00falia sobre \u201cp\u00fablicos juvenis para a cultura\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-6483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6483\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}