{"id":6532,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6532"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"as-coisas-boas-e-as-coisas-mas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-coisas-boas-e-as-coisas-mas\/","title":{"rendered":"As coisas boas e as coisas m\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia <!--more--> O tempo voa, a vida corre e os dias s\u00e3o vividos quase sempre numa vertigem. S\u00e3o mais as coisas que ficam por fazer do que aquelas que deixamos feitas.<\/p>\n<p>Permanentemente acelerados, condicionados ou pressionados, temos poucas oportunidades para saborear aquilo que nos acontece ou, em circunt\u00e2ncias mais ou menos adversas, para perceber o que est\u00e1 a ser dito atrav\u00e9s deste acontecimento ou daquela pessoa.<\/p>\n<p>Falta-nos tempo para recuar, para medir e para ponderar. E j\u00e1 nem sequer falo do tempo que nunca sobra para contemplar e meditar, pois esse tempo requer ainda mais tempo.<\/p>\n<p>No meio deste turbilh\u00e3o que \u00e9 o dia-a-dia, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel parar para pensar nas quest\u00f5es mais \u00edntimas e, porventura, mais sens\u00edveis ou delicadas. Aquilo a que poder\u00edamos chamar uma avali\u00e7\u00e3o consistente e coerente da nossa vida fica eternamente adiada. Falo por mim, claro.<\/p>\n<p>Neste sentido, e porque sinto cada vez mais falta desse tempo regenerador, todos os anos \u201cbloqueio\u201d uma semana inteira para fazer Exerc\u00edcios Espirituais (EE), nome que Santo In\u00e1cio, o fundador da Companhia de Jesus, deu \u00e0quilo a que tamb\u00e9m podemos chamar retiros de sil\u00eancio, espiritualmente orientados.<\/p>\n<p>Sei que, para muitos, isto que digo soa estranho. At\u00e9 h\u00e1 dez anos atr\u00e1s, altura em que comecei a fazer EE, eu pr\u00f3pria seria a primeira a estranhar esta necessidade de sil\u00eancio para exercitar a alma e o pensamento, por assim dizer. Agora, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o estranho como preciso radicalmente deste sil\u00eancio exterior e interior para me centrar no essencial. E n\u00e3o falo apenas das quest\u00f5es de f\u00e9; mas, de uma forma especial, das d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es e dilemas da vida do dia-a-dia. Este tempo de sil\u00eancio \u00e9 um tempo que se usa acima de tudo para \u201carrumar a casa\u201d interior e para fazer a dita avalia\u00e7\u00e3o de vida, aprofundando o conhecimento de n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Vem tudo isto a prop\u00f3sito de algumas pistas que s\u00e3o dadas nos EE e que, embora extraordinariamente simples (ou aparentemente \u00f3bvias), nos escapam com frequ\u00eancia e, uma vez identificadas, ajudam a fazer caminho. Falo concretamente da capacidade de distinguir as coisas boas das coisas m\u00e1s. Ou seja, aquilo que nos faz bem, nos permite crescer e avan\u00e7ar, daquilo que nos faz mal, porque nos impede de ir mais longe.<\/p>\n<p>Contra todas as evid\u00eancias, n\u00e3o existem coisas boas nem coisas m\u00e1s. Tudo depende do uso que fazemos delas. As boas podem revelar-se trai\u00e7oeiras; e aquelas que, \u00e0 partida, parecem m\u00e1s podem converter-se em oportunidades de crescimento.<\/p>\n<p>Vasco Pinto de Magalh\u00e3es, o padre jesu\u00edta com quem tenho feito EE nos \u00faltimos anos, insiste sempre muito neste ponto, para que n\u00e3o haja equ\u00edvocos e, por isso, cabe-nos interiorizar esta verdade de que nada \u00e9 completamente bom ou inteiramente mau.<\/p>\n<p>Todos temos, ali\u00e1s, experi\u00eancia disso; mas nunca \u00e9 demais voltar \u00e0 quest\u00e3o. Digo eu, que facilmente me distraio do essencial, para me concentrar no que \u00e9 acess\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6532","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6532\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}