{"id":6572,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6572"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"informaram-nos-que-o-bem-vai-ganhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/informaram-nos-que-o-bem-vai-ganhar\/","title":{"rendered":"&#8220;Informaram-nos que o bem vai ganhar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cInformaram-nos que o bem vai ganhar. O jogo est\u00e1 viciado. Eles n\u00e3o sabem que v\u00e3o perder. Mas v\u00e3o\u201d. Estas palavras foram proferidas por Carlos Ramalheira, perante quatro dezenas de pessoas, no segundo encontro do ciclo sobre a Gaudium et Spes que a par\u00f3quia da Gl\u00f3ria, Aveiro, tem vindo a promover. Ditas fora do contexto, podem parecer estranhas. Precisam de ser descodificadas. Falava-se da fam\u00edlia, a partir do documento do II Conc\u00edlio do Vaticano, a Gaudium et Spes (GS), que fez h\u00e1 pouco quarenta anos.<\/p>\n<p>Essa constitui\u00e7\u00e3o pastoral \u2013 assim se designa na terminologia da Igreja: \u201cconstitui\u00e7\u00e3o\u201d remete para princ\u00edpios doutrinais; \u201cpastoral\u201d remete para a realidade da vida das pessoas \u2013 representou uma forma nova de a Igreja se situar no mundo, uma passagem oficial das atitudes de condena\u00e7\u00e3o para as de di\u00e1logo, um sentir as alegrias e ang\u00fastias da humanidade como sendo as dos disc\u00edpulos de Cristo, um olhar solid\u00e1rio e construtivo para com a sociedade humana, enfim, uma postura nova alicer\u00e7ada nos valores de sempre.<\/p>\n<p>No que respeita \u00e0 fam\u00edlia, como exp\u00f4s Ana Maria Ramalheira, a GS reafirmou-a como \u201cfundamento da sociedade\u201d, lembrou o v\u00ednculo sagrado entre esposos, os filhos como dom do matrim\u00f3nio, a uni\u00e3o de amor que faz com que o casamento seja uma \u201calian\u00e7a indissol\u00favel\u201d mesmo que n\u00e3o haja filhos. Na vis\u00e3o da Igreja reflectida na GS, o amor entre esposos \u201c\u00e9 um testemunho do mist\u00e9rio de Deus que se revelou ao mundo\u201d. Maior dignidade, sobre a fam\u00edlia, n\u00e3o podia ser afirmada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 um reverso da medalha, que d\u00e1 uma \u201cnot\u00e1vel actualidade\u201d \u00e0 GS, como foi afirmado por ambos os elementos do casal de Coimbra. As \u201cideias relativizadoras\u201d que afectam hoje a fam\u00edlia foram j\u00e1 enunciadas h\u00e1 40 anos. De ent\u00e3o para c\u00e1, s\u00f3 ganharam mais for\u00e7a. Tanta, que parece que a \u201cbatalha da fam\u00edlia\u201d est\u00e1 destinada ao fracasso. A GS referia a \u201cepidemia do div\u00f3rcio\u201d, o amor livre e \u201coutras deforma\u00e7\u00f5es\u201d, as \u201cpr\u00e1ticas contra a gera\u00e7\u00e3o\u201d, a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto. O casal Ramalheira acrescentou mais estas: a reprodu\u00e7\u00e3o medicamente assistida (ou, pelo me-nos, algumas das suas pr\u00e1ticas), o \u201ccasamento\u201d homossexual, ou a \u201clegaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o como actividade profissional leg\u00edtima\u201d. E denunciou mesmo uma orquestra\u00e7\u00e3o para introduzir estes temas no debate p\u00fablico. \u201cH\u00e1 equipas a trabalhar nisso. No segundo semestre de 2007, vai aparecer a quest\u00e3o da legaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o em for\u00e7a\u201d, disse Carlos Ramalheira, enquanto Ana Maria acrescentou que, em Novembro de 2006, o aborto estar\u00e1 novamente na ribalta.<\/p>\n<p>Liberdade degradante<\/p>\n<p>Segundo Carlos Ramalheira, trava-se mesmo uma batalha entre o bem e a liberdade, sendo a liberdade entendida como a possibilidade de escolher mesmo o que \u00e9 degradante. \u201cO homem \u00e9 feito \u00e0 imagem de Deus e convenceu-se que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus\u201d, disse. Contudo, esse processo, para o qual contribuem a deforma\u00e7\u00e3o e insensibiliza\u00e7\u00e3o que os meios de comunica\u00e7\u00e3o social produzem, n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. Apesar do panorama negro que a certa altura do encontro parecia estar a gerar-se, Carlos Ramalheira declarou que \u201ceste n\u00e3o \u00e9 o pior dos tempos\u201d, lembrando, como exemplo, que, a quando do referendo do aborto, quando toda a gente julgava que ia vencer a liberaliza\u00e7\u00e3o, ganhou o \u201cn\u00e3o\u201d ao aborto a pedido. O que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 \u201csabermos o que queremos para a nossa vida e a dos nos-sos filhos\u201d, disse o m\u00e9dico e professor universit\u00e1rio de Coimbra. E conclu\u00edu manifestando a sua certeza na vit\u00f3ria do bem. Numa refer\u00eancia \u00e0 mensagem b\u00edblica e \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, confessou o que leva, como cat\u00f3lico, ao compromisso: \u201cInformaram-nos que o bem vai ganhar. O jogo est\u00e1 viciado. Eles n\u00e3o sabem que v\u00e3o perder. Mas v\u00e3o\u201d. Pelo que ficou o conselho: \u201cN\u00e3o nos desestruturemos. Mantenhamo-nos fi\u00e9is\u201d.<\/p>\n<p>Primeiro, a fam\u00edlia<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9c. XX, os ataques \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar vinham de \u201cideologias que prometiam a utopia na terra\u201d. Carlos Ramalheira apontou como o marxismo se uniu ao freudismo e ao anarquismo em Wilhelm Reich e Herbert Marcuse contra a fam\u00edlia: \u201cPara reformar a sociedade, era preciso p\u00f4r em causa os valores sociais e a fam\u00edlia era o primeiro alvo a abater para construir a utopia\u201d.<\/p>\n<p>Hoje os ataques prov\u00eam da liberdade individual, mas mant\u00e9m-se o alvo, como se a fam\u00edlia fosse um entrave \u00e0 felicidade pessoal. Para quem quer impor os seus valores, continua a ser o \u201ca primeira institui\u00e7\u00e3o social a destruir\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cInformaram-nos que o bem vai ganhar. O jogo est\u00e1 viciado. Eles n\u00e3o sabem que v\u00e3o perder. Mas v\u00e3o\u201d. Estas palavras foram proferidas por Carlos Ramalheira, perante quatro dezenas de pessoas, no segundo encontro do ciclo sobre a Gaudium et Spes que a par\u00f3quia da Gl\u00f3ria, Aveiro, tem vindo a promover. 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