{"id":6599,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6599"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"caricaturas-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/caricaturas-da-liberdade\/","title":{"rendered":"Caricaturas da liberdade!"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> N\u00e3o sou um apreciador de caricaturas, mas possuo algumas de que gosto muito. Uma delas \u00e9 a minha. Tenho algum gozo e prazer em mostr\u00e1-la, porque transmite com fidelidade a minha pr\u00f3pria pessoa e, segundo alguns dizem, tamb\u00e9m a minha personalidade, embora eu n\u00e3o acredite muito nisso.<\/p>\n<p>Creio que j\u00e1 est\u00e3o a vislumbrar o alcance desta breve introdu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 ouvi muita gente falar acerca das caricaturas de Maom\u00e9, j\u00e1 muitas opini\u00f5es foram dadas, e, j\u00e1 agora, n\u00e3o terei eu tamb\u00e9m o direito de dar a minha? Pois \u00e9 isso que eu vou fazer, correndo o risco, como sempre, de estar ou entrar noutra onda.<\/p>\n<p>S. Paulo n\u00e3o foi ouvido nem achado sobre o assunto, mas falou, aos Cor\u00edntios, sobre o respeito a ter para com os judeus, os gregos (pag\u00e3os) e os crentes em Jesus Cristo, e n\u00e3o falou dos isl\u00e2micos, porque ainda n\u00e3o existiam: (utilizo a tradu\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica da B\u00edblia) n\u00e3o ofendam a consci\u00eancia nem dos judeus, nem dos pag\u00e3os, nem dos crentes em Cristo. (Domingo &#8211; 12 de Fevereiro). <\/p>\n<p>Esta express\u00e3o de S. Paulo bem podia ser escrita nos jornais de todo o mundo!<\/p>\n<p>H\u00e1 hoje por a\u00ed uma mentalidade, dita democr\u00e1tica, que pretende impor a toda a gente, em nome dos valores da democracia e da liberdade, a sua ditadura ideol\u00f3gica, pol\u00edtica, cultural, religiosa ou anti-religiosa. A sua ideia, os seus projectos e os seus ideais t\u00eam de se sobrepor a tudo e a todos. N\u00e3o faltam por a\u00ed ditadores camuflados de libertadores, desde a pol\u00edtica at\u00e9 \u00e0 religi\u00e3o e ao desporto. Todos os dias nos cruzamos, pelo menos na Comunica\u00e7\u00e3o Social e na pol\u00edtica, com esta gente para quem est\u00e1 tudo bem, desde que n\u00f3s estejamos de acordo com eles!<\/p>\n<p>N\u00e3o quero com isto dizer que n\u00e3o haja necessidade de quem tenha e desenvolva ideias diferentes das nossas. Isso \u00e9 saud\u00e1vel! O que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel \u00e9 querer que todos os outros se pautem pelos nossos crit\u00e9rios, ainda que socialmente correctos. O Ocidente n\u00e3o tem o monop\u00f3lio da verdade, da liberdade. Podemos e devemos reconhecer que j\u00e1 percorremos um caminho longo e que j\u00e1 realiz\u00e1mos coisas fant\u00e1sticas, mas n\u00e3o temos o direito de obrigar os outros a realizarem esse percurso t\u00e3o depressa ou ao mesmo tempo que n\u00f3s, porque nem todos corremos a par. Querer estabelecer uma medida igual para todos \u00e9 o ideal; mas impor a obrigatoriedade de todos chegarem ao fim milimetricamente a par \u00e9 impens\u00e1vel. Tentar consegui-lo \u00e9 bom, tentar imp\u00f4-lo, n\u00e3o respeitando o ritmo de cada um, \u00e9 clara ditadura. Este \u00e9 o princ\u00edpio da coloniza\u00e7\u00e3o. Foi por aqui que se saltou para as Am\u00e9ricas, para a \u00c1frica e para a \u00c1sia. <\/p>\n<p>Estarmos, porventura, certos da superioridade dos nossos valores n\u00e3o nos pode levar a destruir ou a violar os valores dos outros. E, quando tal se realiza pela for\u00e7a,&#8230; ainda mais complicado se torna. A Europa nunca deixou o mundo ser ele pr\u00f3prio, porque tudo tem de ser feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do colonizador (dominador).<\/p>\n<p>Noutros tempos n\u00e3o havia reac\u00e7\u00e3o, ou, se havia, era controlada pela for\u00e7a. Hoje n\u00e3o \u00e9 assim, porque os outros povos t\u00eam consci\u00eancia da sua for\u00e7a e mostram-nos que a usam sem qualquer restri\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao mais reprov\u00e1vel fanatismo!<\/p>\n<p>E aqui entra a outra face da medalha: nada justifica a reac\u00e7\u00e3o sem medida e a viol\u00eancia brutal utilizadas como moeda de repres\u00e1-lia. Diz o ditado que \u201cSe um burro te d\u00e1 um coice, n\u00e3o \u00e9 caso para lhe cortar a perna\u201d. Consequentemente, todo o movimento que gera viol\u00eancia, guerra e morte, \u00e9 sempre desproporcionado. Perde-se toda a raz\u00e3o quando, para se defender uma posi\u00e7\u00e3o, mesmo que leg\u00edtima, se entra pelos caminhos sempre escorregadios da viol\u00eancia que gera viol\u00eancia. Nada, absolutamente nada, pode justificar a viol\u00eancia e a morte, e o \u00f3dio entre as pessoas. <\/p>\n<p>N\u00e3o estamos em tempo de cruzadas. Os valores, de um e de outro lado, aceitam-se, acolhem-se, vivem-se e respeitam-se mutuamente. E teremos de ser n\u00f3s, os ditos mais evolu\u00eddos, a praticar primeiro, para ensinar depois este caminho, mas sempre no respeito pela consci\u00eancia e pela cultura de cada povo.<\/p>\n<p>A caricatura que rebaixa e o rid\u00edculo que destr\u00f3i, tal como a intoler\u00e2ncia, a viol\u00eancia e o sangue, n\u00e3o podem ser metidos no mesmo saco que o respeito, a liberdade e a toler\u00e2ncia activa, valores por todos proclamados.<\/p>\n<p>Por isso, lamento o rid\u00edculo e a baixeza de uns, lamento o fanatismo e os excessos de outros. Num caso e noutro, faces diferentes mas com mensagem comum: duas verdadeiras caricaturas da liberdade. Ambas t\u00eam que ser banidas do espa\u00e7o das nossas rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos restaurar nem criar uma nova Inquisi\u00e7\u00e3o: quem n\u00e3o pensa como eu tem que ser abatido, porque nenhum humano transporta em si a verdade total; n\u00e3o somos portadores sen\u00e3o de uma pequena parte da verdade. A plenitude de Deus est\u00e1 fora do nosso alcance. S\u00f3 Ele \u00e9 a Verdade total. E, se uns e outros acreditamos nesse mesmo Deus,&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}