{"id":6600,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6600"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"grandes-investimentos-grandes-dependencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/grandes-investimentos-grandes-dependencias\/","title":{"rendered":"Grandes investimentos &#8211; grandes depend\u00eancias?"},"content":{"rendered":"<p>1. A partir do final de Janeiro, foi anunciada a expectativa de grandes investimentos no nosso pa\u00eds. Investimentos provenientes de grandes empresas e de grupos econ\u00f3micos internacionais. <\/p>\n<p>O an\u00fancio em presen\u00e7a \u00e9 claramente animador, e permite esperar novos desenvolvimentos da economia portuguesa, com reflexos, maiores ou menores, em toda a sociedade. Aguarda-se, naturalmente, que seja estimulado o crescimento, que surjam novas empresas no tecido econ\u00f3mico portugu\u00eas, que sejam criados novos empregos directos e indirectos, que uns e outros sejam mais qualificados e d\u00eaem oportunidades mais gratificantes a in\u00fameros jovens e outros trabalhadores.<\/p>\n<p>2. A par das vantagens previs\u00edveis, os grandes investimentos tamb\u00e9m trazem consigo alguns inconvenientes bastante s\u00e9rios. Entre eles, sobressai a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao capital internacional; as vozes mais cr\u00edticas v\u00e3o at\u00e9 ao ponto de afirmar que o pa\u00eds fica ref\u00e9m do capitalismo internacional e que deixa atrofiar as suas capacidade de desenvolvimento end\u00f3geno. <\/p>\n<p>Para que o pa\u00eds atraia grandes investimentos s\u00e3o concedidas facilidades e benef\u00edcios v\u00e1rios aos seus promotores. Disponibiliza\u00e7\u00e3o de terrenos, facilita\u00e7\u00e3o de burocracias, concess\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es fiscais e de subs\u00eddios diversos figuram entre as vantagens de que empres\u00e1rios e grandes grupos econ\u00f3micos t\u00eam beneficiado e continuar\u00e3o, certamen-te, a beneficiar. As vantagens chegam a ser de tal monta que at\u00e9 se pode falar de \u201cenriquecimento sem causa\u201d.<\/p>\n<p>No momento actual, marcado pela globaliza\u00e7\u00e3o e competitividade internacional, os pa\u00edses competem entre si na concess\u00e3o dessas vanta-gens. Em princ\u00edpio, consegue atrair mais investimento o pa\u00eds que mais concede.<\/p>\n<p>Costuma dizer-se, a prop\u00f3sito, que \u201cos capitais n\u00e3o t\u00eam p\u00e1tria\u201d; e pode acrescentar-se que eles configurar\u00e3o, cada vez mais, as p\u00e1trias, se estas n\u00e3o souberem lidar com eles. Os Estados correm o grave risco de ficar, acentuadamente, na depend\u00eancia deste recurso que, ali\u00e1s, se deslocaliza soberanamente, de uns pa\u00edses para outros, de acordo com as suas conveni\u00eancias. Assim, ganham peso e poder crescentes as empresas e os investimentos transfer\u00edveis, que n\u00e3o se inserem adequadamente nos processos de desenvolvimento dos pa\u00edses onde se v\u00e3o instalando.<\/p>\n<p>3. Poder\u00e1 atenuar-se o grau de depend\u00eancia dos Estados face ao capitalismo internacional? \u2013 Talvez, sim, por duas vias: a promo\u00e7\u00e3o da interdepend\u00eancia e o respeito de valores \u00e9ticos.<\/p>\n<p>Abordaremos estas orienta\u00e7\u00f5es em pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A partir do final de Janeiro, foi anunciada a expectativa de grandes investimentos no nosso pa\u00eds. Investimentos provenientes de grandes empresas e de grupos econ\u00f3micos internacionais. 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