{"id":6606,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6606"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"casal-frances-partilha-vivencias-entre-os-mais-excluidos-da-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casal-frances-partilha-vivencias-entre-os-mais-excluidos-da-sociedade\/","title":{"rendered":"Casal franc\u00eas partilha viv\u00eancias entre os mais exclu\u00eddos da sociedade"},"content":{"rendered":"<p>Por op\u00e7\u00e3o, foram sem-abrigo durante v\u00e1rios anos em grandes cidades francesas e belgas <!--more--> Michel Collard e Colette Gam-biez v\u00e3o estar no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, amanh\u00e3, 2 de Mar\u00e7o, \u00e0s 21h30, para falar da sua experi\u00eancia com os sem-abrigo. Num encontro aberto a todos os interessados, o casal franc\u00eas partilhar\u00e1 a experi\u00eancia de v\u00e1rios anos a viver com os sem-abrigo de grandes cidades francesas e belgas como Paris, Bruxelas, Lille, Rouen, Li\u00e8ge e Amiens.<\/p>\n<p>Michel Collard, desde 1983 que se dedica aos sem-abrigo, primeiro dentro da Ordem Franciscana e depois, a partir de 1992, com a en-fermeira Colette Gambiez, que entretanto se tornou sua mulher. As viv\u00eancias do casal franc\u00eas est\u00e3o parcialmente relatadas no livro \u201cQuando o exclu\u00eddo se torna o eleito. Vida partilhada com os sem-abrigo\u201d, originalmente publicado em 1998 e traduzido em portugu\u00eas em 2005 (o Correio do Vouga apresentou este livro na edi\u00e7\u00e3o de 2 de Novembro do ano passado).<\/p>\n<p>Um caminho de humanidade<\/p>\n<p>A leitura de \u201cQuando o exclu\u00eddo&#8230;\u201d n\u00e3o deixa ningu\u00e9m insens\u00edvel, embora n\u00e3o seja uma reportagem jornal\u00edstica com a pretens\u00e3o de abanar com o leitor. Um jornalista que tivesse passado pelos ambientes e situa\u00e7\u00f5es que o casal enfrentou teria feito um super-sucesso. Ora, em Collard e Gambiez  nota-se uma certa conten\u00e7\u00e3o. Com o seu relato n\u00e3o pretendem chocar. Pretendem transformar. Ou, se calhar, nem isso. Pretendem mudar a nossa vis\u00e3o dos sem-abrigo, aqueles que ocupam o \u00faltimo patamar da escala social, porque tudo falhou: a fam\u00edlia, o Estado, a comunidade, enfim, o pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O casal juntou-se aos sem-abrigo n\u00e3o para os ajudar, como \u00e9 costume fazer, mas para ser como eles, fazer com eles um caminho de humanidade \u2013 e imposs\u00edvel \u00e9 n\u00e3o ver neste gesto uma imita\u00e7\u00e3o da encarna\u00e7\u00e3o de Deus na humanidade. E assim viveu o casal, de pr\u00e9dio em pr\u00e9dio abandonado, de asilo em asilo, de cidade em cidade, de esta\u00e7\u00e3o em esta\u00e7\u00e3o, \u00e0 chuva e ao frio, a comer restos de restaurantes ou de caixotes do lixo, travando conhecimentos com sem-abrigo que \u2013 n\u00e3o adianta idealizar \u2013 s\u00e3o sujos (\u201cd\u00e1 mais resultado a pedir esmola\u201d), cheiram mal, t\u00eam doen\u00e7as, s\u00e3o desconfiados e ainda s\u00e3o capazes de dizer ao casal que \u201cvoc\u00eas andam limpos\u201d, logo n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros sem-abrigo.<\/p>\n<p>Michel Collard e Colette Gambiez est\u00e3o em Portugal h\u00e1 uma semana e visitaram as dioceses de Lisboa, Set\u00fabal e Porto. Em Aveiro, antes do encontro da noite de quinta-feira, s\u00e3o recebidos pelo Di\u00e1c. Jos\u00e9 Alves, presidente da C\u00e1ritas Diocesana, e pelo Pe Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, vig\u00e1rio da Pastoral Social; e t\u00eam um encontro programado com o vereador da Ac\u00e7\u00e3o Social da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, Cap\u00e3o Filipe. Na cidade dos canais, o casal visitar\u00e1 os locais mais frequentados pelos sem-abrigo e jantar\u00e1 com sem-abrigo no Centro de Alojamento Tempor\u00e1rio da C\u00e1ritas Diocesana.<\/p>\n<p>&#8220;Prel\u00fadio da condi\u00e7\u00e3o humana liberta de todos os entraves&#8221;<\/p>\n<p>O problema dos sem-abrigo talvez n\u00e3o seja uma quest\u00e3o de generosidade individual. H\u00e1 \u201cestruturas de pecado\u201d, como disse Jo\u00e3o Paulo II. H\u00e1 uma sociedade que n\u00e3o evita que algumas pessoas se afundem na mis\u00e9ria. Por isso, a aproxima\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria do casal, que n\u00e3o exclui ou nega outras formas de caridade, n\u00e3o \u00e9, nem pretende ser, solu\u00e7\u00e3o para o problema. O que \u00e9, ent\u00e3o? Para qu\u00ea ouvir o casal, amanh\u00e3, no Centro Universit\u00e1rio? Numa das \u00faltimas p\u00e1ginas do livro, surge o que poder\u00e1 ser uma resposta, o sentido desta experi\u00eancia singular: \u201cH\u00e1 v\u00e1rias formas de viver o encontro com o pobre e de o tratar com fraternidade. A nossa consiste actualmente em partilhar a vida com os sofredores da rua, colocando-nos ao n\u00edvel dos mais pobres. Surgem ent\u00e3o deslumbramentos de grande ternura, momentos de uma densidade humana comovedora, como se o sofrimento, pelo despojamento que provoca, nos transportasse para l\u00e1 de tudo o que \u00e9 humano, fazendo-nos entrar numa esp\u00e9cie de transfigura\u00e7\u00e3o e de beatifica\u00e7\u00e3o, prel\u00fadio da condi\u00e7\u00e3o humana liberta de todos os entraves\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por op\u00e7\u00e3o, foram sem-abrigo durante v\u00e1rios anos em grandes cidades francesas e belgas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-6606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}