{"id":6634,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6634"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"revigoroar-o-compromisso-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/revigoroar-o-compromisso-cristao\/","title":{"rendered":"Revigoroar o compromisso crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC) realizou, de 17 a 19 de Fevereiro, umas jornadas de reflex\u00e3o sobre a sua presen\u00e7a na Igreja e no mundo de hoje. Este movimento, que tem como finalidade o despertar da f\u00e9 adormecida nos adultos, procurou novos caminhos para a sua miss\u00e3o de sempre. As jornadas foram, de certa forma, um despertar do vigor do MCC, agora pelo diapas\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o e do lema da diocese, que impele a uma presen\u00e7a crist\u00e3 ao servi\u00e7o das pessoas e da sociedade.<\/p>\n<p>O Movimento dos Cursilhos de Cristandade decidiu reflectir o seu modo e a sua presen\u00e7a na sociedade. Convidou para isso bispos e te\u00f3logos, \u201ccursilhistas\u201d (os que fizeram esses tr\u00eas ou quatro dias de retiro para redescoberta da f\u00e9 crist\u00e3), de dentro e de fora da diocese, e n\u00e3o cursilhistas (acederam poucos ao convite), e organizou uma jornadas de reflex\u00e3o. Sendo especificamente sobre o MCC, na verdade, muito do que foi dito \u00e9 aplic\u00e1vel a todos os movimentos de Igreja.<\/p>\n<p>Arnaldo Pinho, padre e te\u00f3logo do Porto, descrevendo como \u201cera do vazio\u201d o ambiente cultural em que vivemos, afirmou a necessidade de o crist\u00e3o ser como a azinheira: \u201cra\u00edzes profundas, caule duro, ramos frondosos\u201d. Ra\u00edzes profundas para se alimentar bem e ter estabilidade, caule forte para aguentar o vento e ramos que proporcionem boa sombra. Para este te\u00f3logo do Porto, vi-vemos numa sociedade em que \u201ctudo est\u00e1 colado com arames\u201d, em que as pessoas circulam \u201centre coisas inconsistentes, entre fragmentos. Viajam, mas n\u00e3o evoluem\u201d. Neste ambiente, no pr\u00f3prio cristianismo sente-se uma \u201ctend\u00eancia para o desassoreamento\u201d. Necess\u00e1rio ser\u00e1, por isso, convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o saber estar nos debates culturais, de forma a ultrapassar \u201co fosso entre a cultura e a f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>D. Manuel Clemente, que falara antes de Arnaldo Pinho, abordou igualmente o fosso f\u00e9\/cultura, para sublinhar a necessidade do testemunho de crist\u00e3os reconhecidos pela sua compet\u00eancia. \u201cO mundo aceita melhor as testemunhas do que os mestres, e s\u00f3 aceita os mestres se eles forem testemunhas\u201d, disse o bispo auxiliar de Lisboa, citando Paulo VI. Numa vertente mais pastoral, D. Manuel sublinhou que os cursilhos, \u201cmais uma movimenta\u00e7\u00e3o do que um movimento\u201d, \u201cs\u00e3o das experi\u00eancias mais consequentes e frescas, apesar do meio s\u00e9culo de vida\u201d e compreendeu que os padres nem sempre possam dar assist\u00eancia como o movimento deseja, pois, num \u00fanico fim de semana, podem ter de marcar presen\u00e7a em reuni\u00f5es de escuteiros, casais, jovens, catequeses infantis, noivos\u2026<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos crist\u00e3os marcados pelo Cursilho de Cristandade (uma express\u00e3o que algumas vezes foi criticada, pois n\u00e3o estamos em \u201c\u00e9poca de cristandade\u201d) no ambiente social foi o tema do Pe Georgino Rocha, que defendeu a necessidade de uma \u201ccaridade pol\u00edtica\u201d, al\u00e9m da \u201ccaridade social\u201d. Para que se realize o projecto de Jesus Cristo, a pol\u00edtica \u00e9 uma das formas mais nobres de compromisso\u201d, disse o padre da diocese de Aveiro.<\/p>\n<p>Ao Pe Ant\u00f3nio Cruz, p\u00e1roco de Oliveira do Bairro e director espiritual do movimento, coube a \u00faltima comunica\u00e7\u00e3o das jornadas e delinear, de alguma forma, a \u201cmensagem de encerramento\u201d. Nela se l\u00ea que \u201cuma Igreja que n\u00e3o serve, n\u00e3o presta\u201d, e apontam-se crit\u00e9rios evang\u00e9licos para ler e transformar o \u201cmeio ambiental\u201d, isto \u00e9, os espa\u00e7os como a fam\u00edlia, o trabalho ou os tempos livres, onde decorre a vida. Vale a pena citar:<\/p>\n<p>\u201cO Evangelho diz-nos:<\/p>\n<p>que a pobre vi\u00fava deu mais que o rico &#8211; um crit\u00e9rio: \u00e9 a d\u00e1diva;<\/p>\n<p>que as sementes caem em todas as terras &#8211; outro crit\u00e9rio: \u00e9 a presen\u00e7a;<\/p>\n<p>que \u00e9 preciso conter a ceifa at\u00e9 \u00e0 colheita &#8211; outro crit\u00e9rio: \u00e9 a paci\u00eancia;<\/p>\n<p>que o mundo \u00e9 um campo onde se semeou o bom e o mau &#8211; outro crit\u00e9rio ainda: \u00e9 a pondera\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>que os de fora (o centuri\u00e3o romano), \u00e0s vezes, s\u00e3o melhores que os de dentro (os fariseus) \u2013 vis\u00e3o desapaixonada &#8211; \u00e9 tamb\u00e9m outro crit\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Braga, presidente do MCC na diocese de Aveiro, avaliou as jornadas como sendo muito proveitosas e recolheu algumas orienta\u00e7\u00f5es para o interior do movimento. O essencial \u00e9, como afirma, \u201cser coerente no testemunho. O movimento n\u00e3o se pode deixar acomodar. Se se acomoda, vai-se diluindo\u201d.<\/p>\n<p>Dois testemunhos<\/p>\n<p>Nascido em Espanha, em meados do s\u00e9culo passado, o MCC est\u00e1 presente na diocese de Aveiro desde a d\u00e9cada de 60.  Ao longo de 74 cursilhos de homens e 58 de senhoras, ter\u00e1 tocado no cora\u00e7\u00e3o de mais de 3500 homens e mulheres nesta diocese. O cursilho, tr\u00eas ou quatro dias intensos de ora\u00e7\u00e3o, an\u00fancio e testemunho, marca para sempre quem nele participa \u2013 como referiram v\u00e1rias pessoas ao longo das jornadas. O Correio do Vouga ouviu dois testemunhos.<\/p>\n<p>\u201cReconhecer Cristo nos irm\u00e3os\u201d<\/p>\n<p>Maria da Gra\u00e7a Rato, da Palha\u00e7a (Oliveira do Bairro), fez o seu Cursilho de Cristandade h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. \u201cNele aprendi a reconhecer Cristo nos irm\u00e3os, principalmente nos mais pobres e mar-ginalizados\u201d. Esse reconhecimento teve um consequ\u00eancia. \u201cJuntamen-te com outras pessoas \u2013 algumas delas tamb\u00e9m cursilhistas \u2013 form\u00e1mos um grupo C\u00e1ritas, do qual ainda fa\u00e7o parte\u201d. O Cursilho \u201cabriu novos horizontes para a vida\u201d, diz Maria da Gra\u00e7a. \u201cAjudou-me a ter consci\u00eancia do meu papel como m\u00e3e e como esposa. Ajudou-me a ser crist\u00e3 na fam\u00edlia e no mundo em que vivemos\u201d. Tamb\u00e9m na dimens\u00e3o familiar a viv\u00eancia crist\u00e3 teve consequ\u00eancias bem concretas. Maria da Gra\u00e7a, m\u00e3e de cinco filhos, criou mais \u201cduas mo\u00e7as\u201d, suas afilhadas, como filhas.<\/p>\n<p>Renascimento aos 30 anos<\/p>\n<p>Para Tito Queir\u00f3s participar num cursilho \u201csignificou um renascimento\u201d. \u201cFoi quase um nascimento biol\u00f3gico aos 30 anos, porque n\u00e3o tinha a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o do que era ser crist\u00e3o, nem do que era a Igreja. Ajudou-me a descobrir que tamb\u00e9m sou Igreja\u201d. <\/p>\n<p>Este aveirense fez o cursilho na diocese do Porto, o 19\u00ba, em Novembro de 1963, e a partir da\u00ed empenhou-se na pastoral juvenil. Ainda h\u00e1 dias \u2013 contou em p\u00fablico \u2013 ouviu da boca de um presidente de Junta de Freguesia que este, jovem, ficara marcado por palavras de testemunho crist\u00e3o do ent\u00e3o jovem adulto Tito. <\/p>\n<p>Nas jornadas, Tito Queir\u00f3s confessou que sentiu uma \u201ccomo\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas\u201d ao ouvir c\u00e2nticos e pormenores t\u00edpicos deste movimento e recordou ao Correio do Vouga um epis\u00f3dio que antecedeu a entrada do MCC na diocese de Aveiro. D. Manuel de Almeida Trindade era ent\u00e3o o bispo de Aveiro e quis participar num Cursilho, fora da diocese, para provar o sabor do movimento. F\u00ea-lo como \u201cpadre Manuel\u201d. E assim foi tratado por todos os cursilhistas. S\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o sabia que ele era o bispo de Aveiro. Na celebra\u00e7\u00e3o final, todos ficaram espantados, quando o \u201cpadre Manuel\u201d presidiu \u00e0 missa como bispo que de facto era.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC) realizou, de 17 a 19 de Fevereiro, umas jornadas de reflex\u00e3o sobre a sua presen\u00e7a na Igreja e no mundo de hoje. Este movimento, que tem como finalidade o despertar da f\u00e9 adormecida nos adultos, procurou novos caminhos para a sua miss\u00e3o de sempre. 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