{"id":6655,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6655"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"somos-embaixadores-dos-muito-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/somos-embaixadores-dos-muito-pobres\/","title":{"rendered":"&#8220;Somos embaixadores dos muito pobres&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Michel e Colette Gambiez pedem esmola, apanham restos do lixo, dormem em pr\u00e9dios abandonados ou em centros de acolhimento, passam de cidade em cidade, Paris, Lille, Bruxelas, Rouen&#8230; Vivem com os sem-abrigo como op\u00e7\u00e3o de vida. A sua atitude pode incomodar a consci\u00eancia tranquila de muitos que ajudam o pobre como \u201cum superior\u201d ajuda \u201cum inferior\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEmbaixadores dos muito pobres\u201d, este casal franc\u00eas, ele de 59 anos, ex-franciscano, e ela de 48 anos, ex-enfermeira, vem dizer-nos que ao pobre falta principalmente o afecto, a palavra, o aperto de m\u00e3o, coisas que n\u00e3o custam dinheiro. Custam humanidade. Da\u00ed que sejam muito mais raras. E sua falta mais exclus\u00e3o provoque.<\/p>\n<p>O casal veio a Portugal a promover o seu livro, editado com o apoio da C\u00e1ritas Portuguesa. De passagem por Aveiro, concedeu uma entrevista ao Correio do Vouga.<\/p>\n<p>Correio do Vouga &#8211; Qual a grande li\u00e7\u00e3o destes anos de vida na rua?<\/p>\n<p>Michel Collard \u2013 Mas n\u00f3s continuamos a viver na rua! A grande li\u00e7\u00e3o \u00e9 compreender que as pessoas que vivem na rua t\u00eam uma grande fome de presen\u00e7a humana, de serem ouvidos, de um olhar, uma aten\u00e7\u00e3o, um apre\u00e7o. Estarem exclu\u00eddas dessas dimens\u00f5es \u00e9 que as desvaloriza.<\/p>\n<p>Vivem na rua h\u00e1 v\u00e1rios anos. A vossa ac\u00e7\u00e3o sofreu evolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>MC &#8211; O trabalho continua a ser o mesmo. Aproximamo-nos dessas pessoas, partilhando a noite e o dia, hoje tal como quando comecei, em 1983, e quando decidimos prosseguir os dois, em 1992. N\u00e3o houve qualquer mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Antes desta viagem a Portugal, em que cidade estavam?<\/p>\n<p>Colette Gambiez &#8211; Est\u00e1vamos em Lille, que \u00e9 uma grande cidade no Norte da Fran\u00e7a. Regress\u00e1mos l\u00e1, ap\u00f3s um ano, e n\u00e3o encontr\u00e1mos muitas das pessoas que conhec\u00edamos. Alguns tinham falecido, outros tinham partido \u2013 n\u00e3o sabemos para onde \u2013 outros, felizmente, melhoraram a sua situa\u00e7\u00e3o, ainda que muito fragilmente. Mas encontramos muitas pessoas novas. Na rua, hoje, h\u00e1 muitos imigrantes. Sei que acontece o mesmo em Portugal. Mas na Fran\u00e7a e na B\u00e9lgica a realidade \u00e9 mais preocupante. H\u00e1 ainda o fen\u00f3meno impressionante do crescimento de popula\u00e7\u00e3o jovem na rua.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que as pessoas caem nesse \u00faltimo degrau da hierarquia social?<\/p>\n<p>MC &#8211; Efectivamente, temos a imagem de que \u201celes caem\u201d. Mas muitos nunca estiveram em cima para cair. Nasceram na base da sociedade. Por isso, faltou-lhes tudo para se poderem construir como pessoas: o afecto, a educa\u00e7\u00e3o, a escolaridade, o trabalho. Muitos destes elementos faltaram; por isso partiram para a vida muito diminu\u00eddos. N\u00e3o se trata de uma queda, em sentido filos\u00f3fico, na rua. O abatimento \u00e9 extremo, de uma pobreza que est\u00e1 presente h\u00e1 muito tempo e, por vezes, que passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o vosso objectivo ao viver com os pobres? \u00c9 ajud\u00e1-los?<\/p>\n<p>CG \u2013 Em primeiro lugar e antes de tudo, tomar consci\u00eancia que os pobres sofrem efectivamente pela n\u00e3o-exist\u00eancia e pelo n\u00e3o-reconhecimento. Atrav\u00e9s da nossa disponibilidade e escuta, queremos atenuar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A outra dimens\u00e3o \u00e9 que, desde sempre, quando pensamos nos pobres, vemos as suas necessidades materiais \u2013 e est\u00e1 certo, porque \u00e9 preciso atender a essas necessidades; mas por vezes s\u00f3 vemos isso e esquecemos as pessoas com todas as suas dimens\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es. N\u00f3s decidimos estar dispon\u00edveis para as outras dimens\u00f5es da vida humana, da vida deles. O nosso objectivo \u00e9 aproximarmo-nos deles com do\u00e7ura, \u00e9 deixar que eles nos recebam, onde est\u00e3o, de dia, de noite, na rua, sob o cart\u00e3o, no metro, no centro de acolhimento. E s\u00e3o eles que tomam a iniciativa de nos acolher, de nos aceitar, porque fizemos a escolha de n\u00e3o ser interventivos. \u00c9 em gratuidade total que nos encontramos. Permitimos aos muito pobres que possam dar qualquer coisa deles mesmos.<\/p>\n<p>E o que receberam dos sem-abrigo?<\/p>\n<p>MC \u2013 A escolha de pobreza em que estamos conduz a uma rela\u00e7\u00e3o de tipo fraternal. Quando nos aproximamos deles, tecemos com eles liga\u00e7\u00f5es de fraternidade e amizade e nunca de ajuda de um superior a um inferior. Um pouco na linha de S. Francisco de Assis, queremos ir ao encontro de uma real fraternidade humana.<\/p>\n<p>Eles, que nunca tiveram a experi\u00eancia de dar amizade, d\u00e3o-nos o presente da sua vida, do seu sofrimento, mas tamb\u00e9m a sua esperan\u00e7a. Eles lembram-nos que o mais importante da vida n\u00e3o \u00e9 o trabalho, o saber, o poder, mas ter um nome, ter um rosto e ser pessoa.<\/p>\n<p>T\u00eam objectivos evang\u00e9licos?<\/p>\n<p>CG \u2013 N\u00e3o. O Evangelho e S. Francisco s\u00e3o figuras de refer\u00eancia para n\u00f3s, mas nunca tivemos a inten\u00e7\u00e3o de estar entre os pobres para evangelizar. A nossa partilha de vida pode ser uma palavra de Evangelho, mas silencioso.<\/p>\n<p>Depois desta experi\u00eancia de vida, qual \u00e9 a vossa vis\u00e3o da pobreza? Uma vis\u00e3o tr\u00e1gica, rom\u00e2ntica?<\/p>\n<p>CG \u2013 \u00c9 preciso distinguir entre mis\u00e9ria e pobreza. Eu e o Michel fizemos uma escolha da pobreza, para viver esta fraternidade. Mas eles n\u00e3o escolheram. Foram conduzidos \u00e0 mis\u00e9ria. A mis\u00e9ria n\u00e3o tem nada invej\u00e1vel, quer seja em Portugal, na Fran\u00e7a ou em qualquer parte do mundo. \u00c9 preciso fazer tudo para a destruir. N\u00e3o h\u00e1 nada de rom\u00e2ntico. As pessoas que est\u00e3o nas ruas est\u00e3o em processos dram\u00e1ticos de desumaniza\u00e7\u00e3o. O apelo \u00e9 que estejamos atentos a todos aqueles e aquelas que est\u00e3o nestes territ\u00f3rios marginais, exclu\u00eddos e abandonados.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que deixam de ser sem-abrigo ou esse \u00e9 um destino final?<\/p>\n<p>CG \u2013 H\u00e1 os dois casos. Alguns morrem na rua. Felizmente, outros, longamente acompanhados, s\u00e3o capazes de, pouco a pouco, passar a outra etapa de exist\u00eancia. Mas n\u00e3o se pode enunciar uma f\u00f3rmula em termos de efic\u00e1cia. As pessoas s\u00e3o t\u00e3o marcadas que continuam fr\u00e1geis. E podem entrar em novos processos de fragiliza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 sa\u00eddas da rua, mas \u00e9 dif\u00edcil prever a longo prazo se v\u00e3o regressar ou n\u00e3o \u00e0 mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O vosso estilo de vida, que passou a livro, \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0 ac\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de caridade?<\/p>\n<p>MC \u2013 N\u00e3o propriamente uma cr\u00edtica. Mas pass\u00e1mos a outra forma de agir e, portanto, deix\u00e1mos a caridade, que muitas vezes assume caracter\u00edsticas paternalistas. O crit\u00e9rio que propomos \u00e9: o que oferecemos aos pobres como servi\u00e7o \u00e9 o que n\u00f3s queremos para n\u00f3s pr\u00f3prios? O que lhes damos para comer, vestir, dormir&#8230; Ser\u00e1 que fic\u00e1vamos felizes por receber isso?<\/p>\n<p>Penso que convidamos a deixar o moralismo de dizer ao pobre o que deve fazer, de dar conselhos, de evitar ju\u00edzos&#8230; O que propomos \u00e9 fazer uma parceria. Em vez de os assistir eternamente, dar-lhes, por exemplo, oportunidade de falar, escut\u00e1-los, fazer festa com eles, ir ao cinema, conversar. Podemos restaurar outras necessidades humanas, porque a vida \u00e9 muito mais do que comer, beber e dormir. H\u00e1 mais que a dimens\u00e3o biol\u00f3gica. H\u00e1 a dimens\u00e3o cultural. Alertamos os poderes p\u00fablicos, as associa\u00e7\u00f5es e os cidad\u00e3os para que tenhamos esta atitude fundamental: o pobre \u00e9 verdadeiramente um irm\u00e3o, um igual em humanidade e n\u00e3o algu\u00e9m a quem devo dar uma li\u00e7\u00e3o, uma moral, uma prega\u00e7\u00e3o, uma esmola.<\/p>\n<p>A vossa op\u00e7\u00e3o \u00e9 radical. N\u00e3o \u00e9 para todas as pessoas. O que pode um crist\u00e3o fazer pelos pobres&#8230;<\/p>\n<p>MC &#8211; &#8230;sem fazer o que n\u00f3s fazemos, claro.<\/p>\n<p>CG \u2013 Creio que um crist\u00e3o n\u00e3o se compreende sem olhar para o Evangelho e para o seguimento de Jesus, o qual fez uma escolha priorit\u00e1ria dos exclu\u00eddos do seu tempo. Hoje, cada um \u00e9 convidado a fazer essa mesma escolha. Os exclu\u00eddos n\u00e3o s\u00e3o apenas os que andam na rua. S\u00e3o pessoas da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, deficientes, os abandonados nos lares e nos hospitais, as pessoas que morrem s\u00f3s, os presos, os idosos. H\u00e1 muita gente que sofre terrivelmente. Mais do que um convite, h\u00e1 a interpela\u00e7\u00e3o vigorosa a que os crist\u00e3os estejam presentes e vigilantes. Jamais tivemos a pretens\u00e3o de gerar um grande n\u00famero de pessoas que sejam como n\u00f3s. Mas queremos deixar a cada um esta interpela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>MC \u2013 Podem n\u00e3o assumir um compromisso t\u00e3o profundo, mas, mesmo numa rela\u00e7\u00e3o muito ef\u00e9mera com algu\u00e9m com que me cruzo na rua, posso ter um olhar diferente. O olhar humano pode significar para o outro que \u00e9 verdadeiramente uma pessoa, mesmo que ele n\u00e3o tenha comportamentos normais, ou esteja desfigurado&#8230; O crist\u00e3o tem de olhar olhar para esta pessoa&#8230;<\/p>\n<p>CG \u2013 &#8230;porque, como diz aquela bela frase da B\u00edblia: \u201cTu \u00e9s valioso aos meus olhos e eu amo-te\u201d. Isto \u00e9 verdade para n\u00f3s e para todos.<\/p>\n<p>Pelo que viram em Portugal, a situa\u00e7\u00e3o dos sem-abrigo \u00e9 semelhante \u00e0 de Fran\u00e7a?<\/p>\n<p>CG \u2013 N\u00e3o pudemos ter uma rela\u00e7\u00e3o directa com os sem-abrigo, porque n\u00e3o falamos portugu\u00eas. Mesmo com tradutor seria dif\u00edcil. Pelo que nos disseram, em Lisboa, dorme muita gente ao relento, mais do que nas cidades que conhecemos, mas o fundo do problema \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>S\u00e3o sempre bem aceites pelos sem-abrigo?<\/p>\n<p>CG \u2013  Sim, de bra\u00e7os abertos. Aproximamo-nos com suavidade, nunca com qualquer viol\u00eancia. Eles sentem que procuramos uma rela\u00e7\u00e3o de respeito.<\/p>\n<p>No livro, descrevem uma situa\u00e7\u00e3o em que um sem-abrigo critica a vossa limpeza&#8230;<\/p>\n<p>MC \u2013 N\u00f3s estamos com eles como estamos consigo. Por irmos para a rua, n\u00e3o vamos come\u00e7ar a beber, ou a degradar-nos. Estamos com eles na diferen\u00e7a e \u00e9 nesta diferen\u00e7a que as coisas t\u00eam import\u00e2ncia. Eles sofrem por estarem fechados com eles mesmos. \u00c9 importante que tenham algu\u00e9m que lhes leve alguma qualidade de humanidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de \u201cQuando o exclu\u00eddo se torna o eleito\u201d, escreveram \u201cEt si les pauvres nous humanisaient\u201d (\u201cE se os pobres nos humanizassem\u201d). Desejam chegar a mais pessoas\u2026<\/p>\n<p>CG &#8211; Por um lado, queremos ser a voz dos nossos companheiros que n\u00e3o t\u00eam palavra, n\u00e3o s\u00e3o escutados. Somos embaixadores dos muito pobres. O livro traduzido em portugu\u00eas foi feito a partir de notas escritas no nosso quotidiano, nos nossos pequenos cadernos. Tentamos transmitir a palavra recebida de cada uma dessas pessoas invis\u00edveis.<\/p>\n<p>Escreveram no livro traduzido que \u201cningu\u00e9m \u00e9 capaz de escolher a mis\u00e9ria\u201d, mas voc\u00eas escolheram-na&#8230;<\/p>\n<p>MC \u2013 N\u00e3o escolhemos a mis\u00e9ria! Escolhemos encontrar as pessoas que sofrem a mis\u00e9ria. \u00c9 diferente! Fazemos um caminho em direc\u00e7\u00e3o a eles e com eles vivemos fraternidade. Mas n\u00e3o escolhemos a mis\u00e9ria. Partilhamos, sim, as suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A vossa atitude inspira-se na \u201ckenosis\u201d (aniquilamento, abaixa-mento) de Deus em Jesus Cristo? Ele, que era de condi\u00e7\u00e3o divina, fez-se um de n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>MC \u2013 H\u00e1 qualquer coisa disso, mas muito modestamente.<\/p>\n<p>CG \u2013 Fal\u00e1mos, h\u00e1 pouco, de passagem, do Evangelho, e \u00e9 verdade que a Encarna\u00e7\u00e3o de Deus&#8230;<\/p>\n<p>MC \u2013 &#8230;d\u00e1 um impulso \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Mas, ao mesmo tempo, h\u00e1 muita diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>CG \u2013 N\u00e3o h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o total com os pobres. Ali\u00e1s, h\u00e1 rupturas que, precisamente, d\u00e3o for\u00e7a a este encontro.<\/p>\n<p>MC \u2013 Se estiv\u00e9ssemos na mis\u00e9ria como eles, ser\u00edamos apenas mais uns miser\u00e1veis. E eles n\u00e3o nos pedem que sejamos como eles. Est\u00e3o contentes por estarmos com eles, mas n\u00e3o por causa da mis\u00e9ria; por causa do sinal de humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michel e Colette Gambiez pedem esmola, apanham restos do lixo, dormem em pr\u00e9dios abandonados ou em centros de acolhimento, passam de cidade em cidade, Paris, Lille, Bruxelas, Rouen&#8230; Vivem com os sem-abrigo como op\u00e7\u00e3o de vida. 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