{"id":6661,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6661"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-desassossego-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-desassossego-do-coracao\/","title":{"rendered":"O desassossego do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o faltam s\u00edtios para percorrer nesta Quaresma. Contagem decrescente para a P\u00e1scoa, corresponde a um itiner\u00e1rio pessoal e comunit\u00e1rio que se assemelha ao confronto da constru\u00e7\u00e3o vertical com o fio do prumo, ou ao olhar da b\u00fassola (ou GPS) em qualquer atalho, ou ao desfazer-se do acess\u00f3rio para alcan\u00e7ar o principal, ou ainda \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de estorvos para melhor ver a luz da plenitude, raz\u00e3o e atrac\u00e7\u00e3o \u00faltima de qualquer ser que tem consci\u00eancia do limite e, por isso, nunca deixa de tecer interiormente o desiderato do ilimitado.<\/p>\n<p>Tudo isto se pode instalar no sal\u00e3o de vaidades dos nossos questionamentos metaf\u00edsicos ou religiosos. Mas adquire verdade quando desce ao concreto das nossas vidas e das comunidades que constitu\u00edmos. Pensando no momento que atravessamos, captamos alguns acenos de esperan\u00e7a \u00e0 mistura com muitos motivos de apreens\u00e3o. S\u00e3o vis\u00edveis as situa\u00e7\u00f5es de desemprego, de fam\u00edlias endividadas, de gente sem abrigo, de marginalizados compulsivos, de crian\u00e7as e idosos atingidos pela viol\u00eancia ou pelo desamor, de desigualdades flagrantes que continuam a gritar com pouca gente disposta a ouvir, de vazios clamorosos que enchem o real e o imagin\u00e1rio de tantas pessoas, de alimentos superabundantes de trivialidade med\u00edocre a ecoar pelas pra\u00e7as p\u00fablicas da informa\u00e7\u00e3o e do divertimento, de discursos ocos de feirantes de pol\u00edtica, cultura e religi\u00e3o. E da natureza que por vezes parece mais madrasta que m\u00e3e. De tudo isto se reveste o nosso planeta, rural ou urbano, numa aldeia alargada que a todos envolve e onde n\u00e3o se sente chover em abund\u00e2ncia o amor e o apre\u00e7o pela vida. Todo este peregrinar se envolve no tempo de Quaresma. Para n\u00e3o falar da descida \u00e0 obscuridade dos nossos redutos \u00edntimos e indiz\u00edveis, povoados de v\u00edcios e erros ardilosamente reciclados. N\u00e3o faltam, aos indiv\u00edduos e comunidades, temas de convers\u00e3o, muito para al\u00e9m dos discursos morais do abstracto ou das elucubra\u00e7\u00f5es que iludem a realidade para nunca a transformar. E a visita aos ascetas e m\u00edsticos, monges e anacoretas e, no dizer de Cristina Campo, \u201cao lugar onde ecoa \u00edntegra a beleza, desde o metal do sino ao gr\u00e3o de trigo\u201d. A Quaresma n\u00e3o tem o exclusivo das grandes viragens da vida. Mas \u00e9 uma hora invulgar de escuta dos sinais do tempo e do apelo que Deus nunca cessa de lan\u00e7ar a cada cora\u00e7\u00e3o. Em constante desassossego at\u00e9 que O alcance.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o faltam s\u00edtios para percorrer nesta Quaresma. Contagem decrescente para a P\u00e1scoa, corresponde a um itiner\u00e1rio pessoal e comunit\u00e1rio que se assemelha ao confronto da constru\u00e7\u00e3o vertical com o fio do prumo, ou ao olhar da b\u00fassola (ou GPS) em qualquer atalho, ou ao desfazer-se do acess\u00f3rio para alcan\u00e7ar o principal, ou ainda \u00e0 remo\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-6661","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6661\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}