{"id":6662,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6662"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"compaixao-grandeza-de-um-sentimento-fraterno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/compaixao-grandeza-de-um-sentimento-fraterno\/","title":{"rendered":"Compaix\u00e3o, grandeza de um sentimento fraterno"},"content":{"rendered":"<p>Aqui h\u00e1 uns anos, quando disse, perante uma situa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ainda dolorosa e dif\u00edcil de compreender e de aceitar, que o sentimento mais respeitador e estimulante era a compaix\u00e3o, rasgaram-se as vestes pelo esc\u00e2ndalo de uma tal opini\u00e3o. Tratava-se de um programa de televis\u00e3o, preparado com grande publicidade, na qual n\u00e3o faltava pimenta suficiente para estimular, convidar a ver e a n\u00e3o perder.<\/p>\n<p>A compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem d\u00f3 nem pena, mas sintonia interior com a situa\u00e7\u00e3o e os sentimentos do outro ou dos outros, que leva ao gesto fraterno de fazer o que \u00e9 poss\u00edvel para ajudar, a fim de que a pessoa n\u00e3o se sinta s\u00f3 e perceba que h\u00e1 sempre um ombro amigo que se pode encostar ao seu, dividir o peso da sua cruz e convidar a prosseguir.<\/p>\n<p>O Deus de Israel teve compaix\u00e3o do povo, escravizado no Egipto. Jesus Cristo mostrou a sua compaix\u00e3o para com a multid\u00e3o que, no deserto, estava esva\u00edda de cansa\u00e7o e de fome, sem meios para responder \u00e0 sua necessidade. Este sentimento divino encontrou resposta para um e outro caso.<\/p>\n<p>A mensagem quaresmal do Papa fala deste sentimento de compaix\u00e3o, porque, no mundo de hoje, h\u00e1 multid\u00f5es famintas de p\u00e3o, de sa\u00fade, de alegria, de paz, de amor, de respeito, de justi\u00e7a, de apre\u00e7o. Onde n\u00e3o houver aten\u00e7\u00e3o a esta realidade e considera\u00e7\u00e3o pelo que ela tem de doloroso, nada muda, a n\u00e3o ser para pior, no sentimento e na dor de quem se sente marginalizado, desatendido, n\u00e3o amado nem respeitado.<\/p>\n<p>Um irm\u00e3o sente a dor do irm\u00e3o e partilha-a, \u00e9 cireneu de quem se verga ao peso da cruz e, como o samaritano da par\u00e1bola, muda projectos pessoais para ser al\u00edvio consolador e eficaz. Um irm\u00e3o n\u00e3o passa ao lado de quem sofre, nem \u00e9 indiferente aos esfor\u00e7os de quem vai avan\u00e7ando na vida com confian\u00e7a e esfor\u00e7o. Um irm\u00e3o n\u00e3o julga nem condena, antes compreende e ama. \u00c9 esta a grandeza e a beleza da compaix\u00e3o fraterna, da solidariedade aberta para com aquele,  de perto ou de longe, que precisa de estima e de apoio.<\/p>\n<p>A pobreza da nossa sociedade est\u00e1 no ego\u00edsmo que torna est\u00e9ril o espa\u00e7o das rela\u00e7\u00f5es pessoais, mata os sentimentos nobres, capazes de compaix\u00e3o e de partilha, e estabelece, a partir de crit\u00e9rios pouco honestos e fal\u00edveis, que n\u00e3o reconhecem dignidade, nem direitos e deveres, a todos por igual. <\/p>\n<p>O calor da fraternidade, afectiva e efectiva, humaniza a sociedade. A frieza ego\u00edstica, que s\u00f3 tem lugar  para os interesses pessoais, satisfeitos a qualquer pre\u00e7o, \u00e9 um vendaval selvagem que destr\u00f3i a justi\u00e7a, mina a verdade, levanta muros de divis\u00e3o e disc\u00f3rdia, torna imposs\u00edvel os sentimentos gratuitos. O amor compassivo traduz a procura serena do bem do outro, mormente quando ele j\u00e1 o n\u00e3o consegue por si ou encontra fechadas todas as portas de acesso para o poder alcan\u00e7ar e desfrutar.<\/p>\n<p>Para um crente, o projecto de Deus, revelado em Jesus Cristo, \u00e9 um desafio que o leva a p\u00f4r os p\u00e9s na terra de todos os que sofrem e a cultivar um cora\u00e7\u00e3o fraterno. Ao crente, verdadeiro e sincero, amarga o p\u00e3o da abund\u00e2ncia, quando cruza os seus olhos com os olhos inc\u00f3modos e o rosto desfigurado do faminto.<\/p>\n<p>A compaix\u00e3o, express\u00e3o de amor e de caridade efectiva, n\u00e3o dispensa nem ilude a justi\u00e7a. Por\u00e9m, a vida do dia a dia vai-nos mostrando como \u00e9 dif\u00edcil a justi\u00e7a para um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sente a dor do pr\u00f3ximo e \u00e9 incapaz de compaix\u00e3o e de sintonia com quem quer que seja, tanto nos momentos de sofrimento, como das pequenas alegrias. <\/p>\n<p>A Quaresma, bem compreendida e vivida, molda o cora\u00e7\u00e3o ao bem, um cora\u00e7\u00e3o de carne n\u00e3o de pedra. No respeito sem condi\u00e7\u00f5es e na partilha generosa, permite e alimenta rela\u00e7\u00f5es fraternas, as \u00fanicas que humanizam o mundo das pessoas e d\u00e3o gosto \u00e0 nossa vida em sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqui h\u00e1 uns anos, quando disse, perante uma situa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ainda dolorosa e dif\u00edcil de compreender e de aceitar, que o sentimento mais respeitador e estimulante era a compaix\u00e3o, rasgaram-se as vestes pelo esc\u00e2ndalo de uma tal opini\u00e3o. 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