{"id":6711,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6711"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"evangelhos-devolvidos-ao-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/evangelhos-devolvidos-ao-povo\/","title":{"rendered":"Evangelhos devolvidos ao povo"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> O acesso f\u00e1cil \u00e0 leitura dos Evangelhos e \u00e0 B\u00edblia \u00e9 algo de muito recente. T\u00e3o recente que nos pode espantar que tenha sido poss\u00edvel viver tantos s\u00e9culos sem proximidade \u00e0 \u201cfeliz not\u00edcia\u201d. Na verdade, a proximidade \u00e0 Palavra da Vida era feita de outras formas que n\u00e3o a leitura individual. Era feita de audi\u00e7\u00e3o dos pregadores e de vis\u00e3o das esculturas e imagens das igrejas. As catedrais, como \u00e9 vulgar dizer, eram \u201cB\u00edblias esculpidas\u201d, tal era a profus\u00e3o de figuras e cenas b\u00edblias que explicavam em pedra o que estava escrito em letras inacess\u00edveis para a maioria do povo. E, al\u00e9m das esculturas havia as pinturas, os frescos, os vitrais.<\/p>\n<p>Entre cat\u00f3licos, s\u00f3 a partir do s\u00e9culo XX foi poss\u00edvel que o simples crist\u00e3o pudesse ler a B\u00edblia no recanto da sua casa sem sobre ele pairar a suspeita de \u201cprotestante\u201d. Compreende-se. A hist\u00f3ria estava ensanguentada pelas divis\u00f5es que o princ\u00edpio da livre interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras provocou entre crist\u00e3os. Mas o reverso da n\u00e3o permiss\u00e3o (ou pelo menos do n\u00e3o aconselhamento) de leitura da B\u00edblia por parte do catolicismo teve outras consequ\u00eancias negativas, que at\u00e9 nem s\u00e3o propriamente espirituais. A leitura popular da B\u00edblia, nos pa\u00edses protestantes, fez com que o analfabetismo desaparecesse mais rapidamente do que nos pa\u00edses tradicional e maioritariamente cat\u00f3licos. E quem diz analfabetismo, diz subdesenvolvimento.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a B\u00edblia e os Evangelhos nasceram entre o povo. Antes de passarem a escrito, sabe-se hoje, os Evangelhos eram relatos orais. Estavam na mem\u00f3ria e no cora\u00e7\u00e3o dos primeiros crist\u00e3os antes de estar nas folhas de papiro ou nos pergaminhos. E entre os primeiros crist\u00e3os (muitos deles igualmente judeus), saber ler era um requisito fundamental para participar nas assembleias lit\u00fargicas onde se lia a Tora (Pentateuco), os Profetas, os Salmos (saber escrever j\u00e1 era mais raro; ali\u00e1s, para isso havia os escribas \u2013 saber escrever era profiss\u00e3o).<\/p>\n<p>\u201cOs Evangelhos 2006 comentados\u201d, depois de \u201cOs Evangelhos de 2005 comentados\u201d, t\u00eam algo de inaugural porque \u00e9 um reapropriamento popular dos Evangelhos. A interpreta\u00e7\u00e3o saiu das igrejas e entrou no quarto. Na sala de aulas, na empresa, na sinagoga, no consult\u00f3rio do m\u00e9dico&#8230; H\u00e1 nesta obra coment\u00e1rios de pessoas ilustres como o cardeal-patriarca D. Jos\u00e9 Policarpo ou a escritora Agustina Bessa-Lu\u00eds; mas a maior parte dos comentadores \u00e9 desconhecida do grande p\u00fablico. E tanto podem ser cat\u00f3licos como budistas ou mu\u00e7ulmanos, de Portugal ou de Timor, homens e mulheres, religiosos ou ateus&#8230; o que leva o bispo em\u00e9rito brasileiro D. Pedro Casald\u00e1liga a escrever no posf\u00e1cio: \u201cA ideia \u00e9 original. Coment\u00e1rios de especialistas (em B\u00edblia, em Liturgia, em Pastoral) aos Evangelhos de cada domingo h\u00e1 muitos, sempre mais; em livros, revistas, em folhetos, na r\u00e1dio, na TV, e, logicamente, nas celebra\u00e7\u00f5es semanais das comunidades. Mas o tipo de coment\u00e1rios que este livro abriga \u00e9 singular, mesmo ousado. Cientistas e universit\u00e1rios, personalidades de v\u00e1rios segmentos das religi\u00f5es mundiais, invadem um terreno vedado. Alguns puritanos poderiam at\u00e9 rasgar-se as vestes com presum\u00edvel raz\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Este livro foi apresentado na quinta-feira, 9 de Mar\u00e7o, na Universidade de Aveiro, por elementos da editora Firmamento e pelo Pe Alexandre Cruz, do CUFC, numa iniciativa acolhida pela associa\u00e7\u00e3o Civitas.<\/p>\n<p>\u201cDisseram os judeus: \u00abForam precisos quarenta e seis anos para se construir este templo, e Tu vais levant\u00e1-lo em tr\u00eas dias?\u00bb Jesus, por\u00e9m, falava do templo do seu corpo\u201d (Evangelho de Jo\u00e3o 2,20s).<\/p>\n<p>\u00abImergindo nas \u00e1guas abismais da morte onde afogamos Ad\u00e3o, estamos sempre num cont\u00ednuo debate por chegar finalmente \u00e0 superf\u00edcie, com a afli\u00e7\u00e3o urgente de poder respirar. A vida inteira \u00e9 essa emers\u00e3o cont\u00ednua para respirar. Tr\u00eas dias para emergirmos a n\u00f3s. Um corpo, um caminho, uma verdade, uma vida: um s\u00f3 amor\u00bb.<\/p>\n<p>(Excerto do coment\u00e1rio de Ant\u00f3nio de Castro Caeiro, professor de filosofia, sobre o Evangelho de 19 de Mar\u00e7o de 2006)<\/p>\n<p>Os Evangelhos 2006 Comentados<\/p>\n<p>V\u00e1rios autores<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00f5es Firmamento<\/p>\n<p>264 p\u00e1ginas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-6711","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6711\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}