{"id":6719,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6719"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"respostas-para-novas-perguntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/respostas-para-novas-perguntas\/","title":{"rendered":"Respostas para novas perguntas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei. \u201cOpini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 a opini\u00e3o que se publica\u201d (Mill\u00f4r Fernandes). A ironia tem sempre uma porta aberta nas mentes inteligentes. Mas a intelig\u00eancia, na raiz etimol\u00f3gica, n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil de exercer, parece estigma e vai evoluir lentamente, pois a leitura fundamentalista cresce. H\u00e1 conflito de interpreta\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, no ser humano uma coisa \u00e9 cert\u00edssima: a sua capacidade infinita de adapta\u00e7\u00e3o. Ao bom, ao mau, e ao vil\u00e3o. Ser\u00e1 a disputa na harmonia dos contr\u00e1rios? <\/p>\n<p>Num acesso de generosidade, tudo nos \u00e9 pratic\u00e1vel. Por desigual compara\u00e7\u00e3o, entre n\u00f3s, grassam os felizes antiher\u00f3is p\u00f3s-modernos. Somos capazes de saldar a alma alheia, pela liberta\u00e7\u00e3o dos hereges. Estes s\u00e3o sempre mais farisaicos do que as nossas pr\u00f3prias mentalidades autorais. Uma frase, tipo chav\u00e3o homil\u00e9tico, aparece na ponta da l\u00edngua: \u201cComece fazendo o que \u00e9 necess\u00e1rio. Depois, o que \u00e9 poss\u00edvel e, de repente, voc\u00ea estar\u00e1 fazendo o que \u00e9 imposs\u00edvel\u201d (S. Francisco de Assis). O \u201ccomece\u201d, \u201cdepois\u201d e \u201cde repente\u201d quando \u00e9? Como dura a sua passagem? Devem ser os quarenta dias\/noites ou anos de que fala na B\u00edblia.<\/p>\n<p>A procura de rigor est\u00e1 em tudo o que queremos fazer: quando o fazemos. Mas a\u00ed coloco-me diante do espelho da alma, e pergunto-me: o que fazes \u00e9 apenas \u00e9tico ou \u00e9 j\u00e1 crist\u00e3o? \u00c9 \u00e9tico, a maioria do que fa\u00e7o, mas a minoria tem apenas cheiro de crist\u00e3o. Embora (em+boa+hora) ou m\u00e1 hora estas divaga\u00e7\u00f5es me surgem, por isso, n\u00e3o des\u00e7o ou subo ao campo dos exemplos. A raz\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no falso brilhantismo das associa\u00e7\u00f5es de palavras, mas no facto l\u00f3gico de que ser \u00e9tico \u00e9 menos do que ser crist\u00e3o. N\u00e3o se op\u00f5em, \u00e9 evidente. \u00c9 evidente, tamb\u00e9m, que \u00e9 impens\u00e1vel ser crist\u00e3o, sem ser \u00e9tico primeiro. Mas ser crist\u00e3o \u00e9 mais do que ser \u00e9tico. Um suspiro por Soren Kierkegaard. At\u00e9 onde podemos ir?<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o devo identificar-me precipitadamente com o arqu\u00e9tipo do m\u00e1rtir. Isso seria masoquismo. Posso aguentar uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil somente se me sinto livre, e quando tenho consci\u00eancia da intocabilidade da minha dignidade\u201d (Anselm Grun). A rigor, inspira-me um desejo de n\u00e3o ser med\u00edocre e banal. \u201cO que quer que aconte\u00e7a, entretanto, quero que saibam de que altura ca\u00ed\u201d (Michel Montaigne) ou melhor ainda: \u201cEu nunca aceitarei de bom grado a impot\u00eancia, por \u00fatil que me possa ser\u201d (Idem). Vamos recusar o desperd\u00edcio da experi\u00eancia?<\/p>\n<p>Sou a favor. No in\u00edcio, meia d\u00fazia de temas perseguem-me, no bom sentido, pois a centraliza\u00e7\u00e3o ajuda a apurar os dividendos. Fazer o d\u00edzimo do tempo e dos bens, fica para depois. A omiss\u00e3o \u00e9 que \u00e9 a pedra-de-toque presa ao meu pesco\u00e7o (cfr. Mc 9,42). O meu tempo est\u00e1 imaturo. Ainda bem que somos a qualidade da nossa conviv\u00eancia comunit\u00e1ria. Os ouvidos para decifrar o sil\u00eancio da injusti\u00e7a. Os olhos para reparar na beleza desprezada. As m\u00e3os e os p\u00e9s que se decidem \u2013 ainda que n\u00e3o atravessando rios caudalosos em noites sem estrelas \u2013 gastando-se na pobreza do servi\u00e7o digno, s\u00e9rio e prof\u00e9tico.<\/p>\n<p>Agora sim, o respeito a si mesmo. Reconhe\u00e7o todo o v\u00edcio sob a m\u00e1scara da vol\u00fapia, bem como, n\u00e3o desconhe\u00e7o toda a vol\u00fapia sob a m\u00e1scara do v\u00edcio. \u00c9, apenas, isso mesmo, o que muitos n\u00e3o suportam: respostas para novas perguntas! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei. \u201cOpini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 a opini\u00e3o que se publica\u201d (Mill\u00f4r Fernandes). A ironia tem sempre uma porta aberta nas mentes inteligentes. Mas a intelig\u00eancia, na raiz etimol\u00f3gica, n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil de exercer, parece estigma e vai evoluir lentamente, pois a leitura fundamentalista cresce. H\u00e1 conflito de interpreta\u00e7\u00f5es. 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