{"id":675,"date":"2010-02-17T11:26:00","date_gmt":"2010-02-17T11:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=675"},"modified":"2010-02-17T11:26:00","modified_gmt":"2010-02-17T11:26:00","slug":"gestos-que-traduzem-vida-e-fazem-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/gestos-que-traduzem-vida-e-fazem-a-historia\/","title":{"rendered":"Gestos que traduzem vida e fazem a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>No meio da mediocridade e da luta acirrada pelo seu prest\u00edgio, surgem pessoas, humildes e discretas, grandes de seu tamanho interior, com gestos lindos que s\u00e3o sinal de uma vida e de um humanismo que redime mis\u00e9rias. A hist\u00f3ria n\u00e3o grava todos os nomes, muitos her\u00f3is an\u00f3nimos, mas constr\u00f3i-se com o contributo de todos eles.<\/p>\n<p>Nelson Mandela foi, durante anos, cidad\u00e3o de segunda no seu pa\u00eds. A mais n\u00e3o lhe permitia a cor da pele. Empenhou-se numa luta dif\u00edcil e perigosa contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial, que era a lei anti-humana da sua terra. Foi preso. Esteve vinte e sete anos numa pris\u00e3o, onde ele e os seus companheiros eram, diariamente, humilhados e maltratados.<\/p>\n<p>Com as voltas que o mundo d\u00e1, a sua luta deu frutos. E ele regressou \u00e0 liberdade. Sem \u00f3dios, sem rancores, sem prop\u00f3sitos de vingan\u00e7a. O que desejava e pelo que sempre lutara, estava alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Fundou um partido pol\u00edtico. Elegeram-no Presidente da Rep\u00fablica. Deram-lhe o Nobel da Paz. Nada disso o inebriou. Manteve o seu sorriso pacificador, avan\u00e7ou com leis de igualdade para negros e brancos, lutou pela reconcilia\u00e7\u00e3o entre todos, que \u00e9 sempre esse o caminho para a paz e para o progresso.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o, com os tormentos a que o submetera, ensinou-lhe ainda mais a certeza que do \u00f3dio s\u00f3 nasce \u00f3dio. S\u00f3 o amor que perdoa e acolhe pode gerar o clima que leva ao respeito m\u00fatuo e \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o. Era este o seu caminho. Sem perder tempo, sem grandes discursos, mas com gestos convincentes, passou a mensagem ao seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Celebrou h\u00e1 dias vinte anos de liberta\u00e7\u00e3o e sa\u00edda da pris\u00e3o. Quis ter \u00e0 sua mesa, como convidado especial, um dos guardas prisionais que, ao longo de anos, com outros seus colegas, tinha sido um dos seus duros e impiedosos algozes. S\u00f3 homens grandes s\u00e3o capazes destes gestos que ficam na hist\u00f3ria e fazem a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m assim Jo\u00e3o Paulo II. N\u00e3o se limitou a dizer que perdoava a quem o quis matar. Foi \u00e0 pris\u00e3o, conversar com ele, ouvir as suas confid\u00eancias, transmitir-lhe amor e coragem. N\u00e3o podia libert\u00e1-lo das grades, mas podia ajudar a ser interiormente livre.<\/p>\n<p>Barack Obama, recordando Luther King, faz do discurso de vit\u00f3ria, um apelo ao perd\u00e3o m\u00fatuo, dado e recebido, e \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o, sem excep\u00e7\u00e3o, de todos os que haviam lutado pelo mesmo objectivo.<\/p>\n<p>Teresa de Calcut\u00e1 viveu at\u00e9 ao extremo, um amor, sem fronteiras, em favor dos mais exclu\u00eddos da sociedade. N\u00e3o quis outra recompensa, nem sequer a da satisfa\u00e7\u00e3o do bem realizado. Somente a que lhe vinha da sua f\u00e9 e da sua entrega \u00e0 gente sem nome.<\/p>\n<p>A sociedade precisa destes gestos e tem de os estimular. No cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa, homem ou mulher, existe uma capacidade sem medida para o bem. Mais do que para o mal. Somos pessoas, n\u00e3o somos feras. Nascemos solid\u00e1rios, n\u00e3o ego\u00edstas. Acompanha-nos, do ber\u00e7o ao final do tempo que nos \u00e9 dado, a necessidade m\u00fatua e a depend\u00eancia enriquecedora que o amor torna liberdade e n\u00e3o submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Os med\u00edocres, orgulhosos e ego\u00edstas n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m de her\u00f3is passageiros da historieta. S\u00f3 os capazes de gestos solid\u00e1rios, os pacificados e pacificadoras, os que denunciam o mal com a for\u00e7a geradora do bem, s\u00e3o construtores de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o escapam a persegui\u00e7\u00f5es e invejas, a cal\u00fanias e leituras tendenciosas. Mas resistem. A sua t\u00eampera \u00e9 mais determinante que a for\u00e7a do tempo, malsinado e pobre, que os cerca.<\/p>\n<p>O sorriso pacificador de Mandela n\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o de fraqueza. \u00c9 a manifesta\u00e7\u00e3o da sua grandeza interior. Foi assim, ser\u00e1 assim com todos os verdadeiramente grandes. Os \u00fanicos que a Hist\u00f3ria guarda e liberta da poeira do tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio da mediocridade e da luta acirrada pelo seu prest\u00edgio, surgem pessoas, humildes e discretas, grandes de seu tamanho interior, com gestos lindos que s\u00e3o sinal de uma vida e de um humanismo que redime mis\u00e9rias. A hist\u00f3ria n\u00e3o grava todos os nomes, muitos her\u00f3is an\u00f3nimos, mas constr\u00f3i-se com o contributo de todos eles. 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