{"id":677,"date":"2010-02-24T15:49:00","date_gmt":"2010-02-24T15:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=677"},"modified":"2010-02-24T15:49:00","modified_gmt":"2010-02-24T15:49:00","slug":"idosos-mais-velhos-e-autocuidados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/idosos-mais-velhos-e-autocuidados\/","title":{"rendered":"Idosos, mais velhos e autocuidados"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o <!--more--> No espa\u00e7o de duas semanas escutei dezenas de comunica\u00e7\u00f5es e li uns artigos sobre idosos ou mais velhos, como alguns acham que se deve dizer agora. Outros ainda pensam que se deve dizer \u201cos de mais idade\u201d. Tanto na semana de estudo da vida consagrada, F\u00e1tima, como num congresso sobre pessoas com Alzheimer, sa\u00fade mental e idosos, em Barcelos, n\u00e3o faltaram eufemismos, afirma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e alguma, pouca, sobre o lugar dos mais velhos na sociedade, mas menos sobre o respeito das suas compet\u00eancias, iniciativas e direito de gerir o seu tempo e bens at\u00e9 ao limite das suas capacidades. Importa promover o envelhecimento activo, diz-se, mas 80% do discurso vai no sentido de tornar \u201cos mais velhos\u201d sempre mais d\u00f3ceis, passivos e dependentes com um cortejo de t\u00e9cnicos a monitorizar e travar todos os seus movimentos e iniciativas. Afirma-se continuamente a compet\u00eancia dos t\u00e9cnicos; e as doen\u00e7as e incompet\u00eancias das pessoas cuidadas. A cultura tem persistido em elevar as crian\u00e7as e adolescentes \u00e0 categoria de \u00eddolos e os idosos \u00e0 categoria de \u201ccrian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Nas exposi\u00e7\u00f5es, houve algumas posi\u00e7\u00f5es que contrariam esta tend\u00eancia avassaladora, mas foram qual gota de \u00e1gua no oceano. Claro, h\u00e1 mesmo idosos que precisam de cuidados como os que se prestam a um beb\u00e9, mas isso n\u00e3o justifica infantilizar a maioria deles como por vezes transparecia dos discursos e foi criticado por outros colegas. At\u00e9 se afirmou que se o idoso tentasse narrar as experi\u00eancias da sua vida se devia contrariar. Pelos vistos, justificava-se, para o treinar naquilo que o t\u00e9cnico pensa que sabe sempre melhor que o idoso o que lhe conv\u00e9m. <\/p>\n<p>Nos corredores deixei a minha proposta com alguns m\u00e9dicos e outros participantes, mesmo um alto dignit\u00e1rio da pastoral da sa\u00fade do Vaticano, meu amigo. Esta centra-se na necessidade de congressos e encontros sobre o \u201cempowerment\u201d dos cidad\u00e3os nos cuidados da pr\u00f3pria sa\u00fade, isto \u00e9, na forma\u00e7\u00e3o e treino de autocuidados de preven\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o, e de \u201ccuidados continuados\u201d de si mesmo. Ent\u00e3o os cidad\u00e3os t\u00eam que ser treinados em tanta coisa da vida, menos em cuidar de si? Lembram-se de quando diziam que era perigoso os cidad\u00e3os usarem eles mesmos para si e para os outros o term\u00f3metro, verificar a pulsa\u00e7\u00e3o, usar o aparelho de tens\u00e3o arterial, verificar a glicemia, auto-administrar a insulina\u2026 e agora o desfibrilhador depois de treinados. Tudo era perigoso mesmo que os utilizadores tivessem forma\u00e7\u00e3o elevada noutras \u00e1reas. Treinar em autocuidados vai sendo a \u00fanica maneira de responder a muitas situa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, deixando para os t\u00e9cnicos, m\u00e9dicos ou outros, os 50% de tratamentos e cuidados mais especializados e (ainda) menos acess\u00edveis aos auto-cuidados do cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p>N\u00e3o concordo totalmente, mas penso que foi ponto pertinente para obrigar a reflectir a quest\u00e3o que um m\u00e9dico deixou no congresso do norte. Cito de mem\u00f3ria. A quem interessam mais tantos cuidados e tratamentos [especializad\u00edssimos, diria eu]: a pessoas idosas e j\u00e1 muito diminu\u00eddas e muito demenciadas? Aos pr\u00f3prios, nem sempre. A S. Jo\u00e3o de Deus, tamb\u00e9m n\u00e3o [eu diria: se a pessoa j\u00e1 estiver pronta como Jo\u00e3o Paulo II quando disse: \u201cDeixem-me partir\u201d]. Ent\u00e3o a quem interessam mais? Aos que v\u00e3o investindo \u00e0 grande em novos hospitais e estruturas para eles. Tamb\u00e9m interessam ao Instituto S. Jo\u00e3o de Deus e mais ainda aos que nelas conseguem emprego, e, por isso, interessam-me tamb\u00e9m a mim \u2013 arrematou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Deixou um amargo de boca a verifica\u00e7\u00e3o que uma assistente social referiu sobre o terreno em que se move: grande parte, sen\u00e3o a maioria, dos idosos e muito idosos nem sequer t\u00eam uma reforma ou pens\u00e3o que lhes permita comer e muito menos serem acolhidos num lar dos mais simples e menos caros, \u00e0s vezes sem as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas. E muitos desses tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam fam\u00edlia para eles.<\/p>\n<p>Ao leitor deixo esta dica amiga: cuide da sua sa\u00fade desde os vinte ou trinta anos, ou aos sessenta ou setenta, se j\u00e1 n\u00e3o puder ser antes. Fa\u00e7a tudo ao seu alcance para evitar as doen\u00e7as, para gozar de uma velhice o mais saud\u00e1vel poss\u00edvel; tudo menos morrer por sua vontade. Evitar a gan\u00e2ncia, o orgulho do poder e a adi\u00e7\u00e3o aos prazeres poupa a sa\u00fade e est\u00e1 de acordo com o tempo de Quaresma. E, entretanto, treine-se em tudo o que s\u00e3o autocuidados porque no futuro dificilmente haver\u00e1 dinheiro para pagar sal\u00e1rios a t\u00e9cnicos suficientes para a presta\u00e7\u00e3o de todos os cuidados aos mais novos e aos mais velhos. <\/p>\n<p>Aires Gameiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}