{"id":6783,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6783"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"recusa-da-socializacao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/recusa-da-socializacao-humana\/","title":{"rendered":"Recusa da socializa\u00e7\u00e3o humana"},"content":{"rendered":"<p>1. A recusa da socializa\u00e7\u00e3o humana verificou-se no dom\u00ednio da sa\u00fade (abordado nos artigos anteriores) e em quase todas as outras \u00e1reas. Tal socializa\u00e7\u00e3o (baseada no enraizamento pessoal, na responsabilidade solid\u00e1ria e na co-responsabilidade do Estado) traduzir-se-ia na inexist\u00eancia de necessitados ou pobres. Esta orienta\u00e7\u00e3o foi consagrada nos Actos dos Ap\u00f3stolos e foi assumida no pr\u00f3prio Manifesto Comunista, embora com orienta\u00e7\u00f5es s\u00f3 parcialmente coincidentes.<\/p>\n<p>Em Portugal, a socializa\u00e7\u00e3o humana sofreu duros golpes nas \u201crevolu\u00e7\u00f5es\u201d liberal, republicana, do Estado Novo e de 1974. Vasta produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, jur\u00eddica, art\u00edstica, cient\u00edfica\u2026 alimentou esta desumaniza\u00e7\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o, com actos de f\u00e9 fundamentalista nas capacidades ilimitadas do Estado. <\/p>\n<p>2. At\u00e9 ao s\u00e9culo XIX, desenvolveram-se v\u00e1rias realidades socializantes, como por exemplo: a fam\u00edlia; a economia familiar; a luta pela subsist\u00eancia at\u00e9 ao limite das for\u00e7as humanas; a entreajuda solid\u00e1ria; a aprendizagem no trabalho; o mercado local; a assist\u00eancia social\u2026 Ao longo do s\u00e9culo XIX, desenvolveram-se, na mesma linha de socializa\u00e7\u00e3o, as mutualidades, as cooperativas e as colectividades de cultura e recreio e as pr\u00f3prias empresas, nomeadamente.<\/p>\n<p>Apesar dos contrastes flagrantes entre o s\u00e9culo XIX e a \u00e9poca anterior, mantiveram-se intactos alguns valores fundamentais, especialmente, os valores \u201cfam\u00edlia\u201d \u201cresponsabilidade\u201d e \u201centreajuda solid\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, a partir do mesmo s\u00e9culo XIX, foi ganhando terreno a socializa\u00e7\u00e3o estatizante, em preju\u00edzo da socializa\u00e7\u00e3o humana. Sem nenhuma raz\u00e3o v\u00e1lida, o aumento das responsabilidades do Estado e dos direitos dos cidad\u00e3os levou \u00e0 atrofia e menosprezo das potencialidades que vinham do passado. Tal atrofia e menosprezo atingiram, fortemente, aqueles tr\u00eas valores.<\/p>\n<p>4. Neste momento, v\u00eam-se tornando patentes as limita\u00e7\u00f5es financeiras do Estado. Tal facto aconselha \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos valores do passado \u2013 que, ali\u00e1s, nunca se perderam \u2013 mas sem preju\u00edzo das garantias consagradas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Nesta ordem de ideias (e voltando \u00e0 sa\u00fade), n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que os cidad\u00e3os e fam\u00edlias mais pobres continuem t\u00e3o sobrecarregados. \u00c9 natural que os detentores de rendimentos m\u00e9dios e altos contribuam mais. E, enfim, \u00e9 completamente inadmiss\u00edvel que os encargos com a sa\u00fade ultrapassem determinadas percentagens dos rendimentos familiares. N\u00e3o podemos voltar ao tempo do liberalismo prim\u00e1rio, em que as doen\u00e7as graves destru\u00edram a base financeira de in\u00fameras fam\u00edlias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A recusa da socializa\u00e7\u00e3o humana verificou-se no dom\u00ednio da sa\u00fade (abordado nos artigos anteriores) e em quase todas as outras \u00e1reas. Tal socializa\u00e7\u00e3o (baseada no enraizamento pessoal, na responsabilidade solid\u00e1ria e na co-responsabilidade do Estado) traduzir-se-ia na inexist\u00eancia de necessitados ou pobres. 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