{"id":6788,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6788"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"tapar-o-sol-com-a-peneira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tapar-o-sol-com-a-peneira\/","title":{"rendered":"Tapar o sol com a peneira!"},"content":{"rendered":"<p>O di\u00e1rio fazia do tema assunto de gravidade &#8211; e com raz\u00e3o -, embora o tratamento do mesmo n\u00e3o ultrapassasse os lugares comuns. Referia-se que, entre um significativo n\u00famero de candidatos a professores inquiridos, mais de oitenta por cento manifestava receios de abordar a educa\u00e7\u00e3o sexual em sala de aula.<\/p>\n<p>Depois, vinham os motivos, que se esgotavam basicamente no sentimento de falta de prepara\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8211; incompreens\u00edvel no que se refere \u00e0 biologia &#8211; e no medo da reac\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. E aqui faziam-se ju\u00edzos de valor, culpando preconceitos culturais e  sociais, \u201cdenunciando\u201d a \u201cinflu\u00eancia penetrante da Igreja\u201d&#8230; <\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, mergulhando no teor da exposi\u00e7\u00e3o, se percebia claramente que, ao falar de educa\u00e7\u00e3o sexual, se tinha em vista apenas uma informa\u00e7\u00e3o em ordem a quest\u00f5es de sa\u00fade &#8211; e referia-se, nos manuais,  a aus\u00eancia de sugest\u00f5es de actividades concretas que os professores pudessem desenrolar com os alunos.<\/p>\n<p>Uma mistura de confus\u00f5es, resultado da miopia ou estrabismo na abordagem do problema. N\u00e3o se trata de preconceitos religiosos, culturais ou sociais. Trata-se, por um lado, da consci\u00eancia de que a sexualidade \u00e9 uma nobre envolvente de toda a personalidade e crescimento humano &#8211; irredut\u00edvel a uma quest\u00e3o de sa\u00fade reprodutiva; por outro lado, da teimosia de alguns que persistem em considerar a pessoa como uma qualquer m\u00e1quina cujas potencialidades e rendimento t\u00eam de ser equacionadas mecanicamente.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental uma informa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica rigorosa, ministrada gradativamente, como o \u00e9 o desenvolvimento humano. N\u00e3o \u00e9 para dizer tudo de uma s\u00f3 vez! Mas cientes de que, mesmo cientificamente, h\u00e1 outros \u00e2mbitos da pessoa humana que s\u00e3o implicados directamente com a estrutura biol\u00f3gica do nosso corpo: a psicologia \u00e9 hoje uma ci\u00eancia com credenciais! <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o se esgota o conhecimento da pessoa humana naquilo que \u00e9 afer\u00edvel em laborat\u00f3rio, nem sequer em consult\u00f3rio ps\u00edquico. Todos nos reconhecemos como portadores de sentimentos, de convic\u00e7\u00f5es morais e espirituais, que envolvem o nosso desenvolvimento, que resultar\u00e1 harmonioso ou cria desequil\u00edbrios. Todos nos sentimos dotados de uma vontade e afectos, que n\u00e3o podem viver em conflito com a raz\u00e3o. \u00c9 a sinfonia dessas qualidades em ac\u00e7\u00e3o que resulta num crescimento pac\u00edfico.<\/p>\n<p>E esta \u00e9 a quest\u00e3o fundamental. N\u00e3o se pode transformar a educa\u00e7\u00e3o da sexualidade em mera preven\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria &#8211; para evitar gravidezes precoces ou contamina\u00e7\u00e3o. O problema fundamental \u00e9 que o nosso sistema educativo n\u00e3o se preocupa em formar pessoas &#8211; a sua \u00fanica raz\u00e3o de existir -, mas apenas em prevenir comportamentos que arrastem consequ\u00eancias sociais preocupantes. At\u00e9 quando continuaremos a querer tapar o sol com a peneira?!&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O di\u00e1rio fazia do tema assunto de gravidade &#8211; e com raz\u00e3o -, embora o tratamento do mesmo n\u00e3o ultrapassasse os lugares comuns. Referia-se que, entre um significativo n\u00famero de candidatos a professores inquiridos, mais de oitenta por cento manifestava receios de abordar a educa\u00e7\u00e3o sexual em sala de aula. 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