{"id":6818,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6818"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-indignacao-e-um-direito-mas-nao-justifica-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-indignacao-e-um-direito-mas-nao-justifica-a-violencia\/","title":{"rendered":"&#8220;A indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito mas n\u00e3o justifica a viol\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista a Rachid Ismael, director do Col\u00e9gio Isl\u00e2mico de Palmela, a prop\u00f3sito das caricaturas do Profeta Maom\u00e9 <!--more--> A religi\u00e3o isl\u00e2mica est\u00e1 no centro das aten\u00e7\u00f5es por v\u00e1rios motivos, nem sempre os melhores. Porque n\u00e3o h\u00e1 paz no mundo sem paz entre as religi\u00f5es e, para isso, o primeiro passo \u00e9 o conhecimento m\u00fatuo, o Correio do Vouga entrevistou Rachid Ismael. O im\u00e3 mu\u00e7ulmano e l\u00edder da comunidade isl\u00e2mica de Palmela esteve em Sever do Vouga, onde participou num debate na Escola Secund\u00e1ria, no \u00e2mbito das aulas de EMRC.<\/p>\n<p>Rachid Ismael \u00e9 director do Col\u00e9gio Isl\u00e2mico de Palmela, escola onde se ensina o curr\u00edculo normal do 1\u00ba ao 3\u00ba ciclo. Paralelamente, os alunos t\u00eam aulas de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana duas horas por dia. Entre os alunos h\u00e1 dez que n\u00e3o s\u00e3o mu\u00e7ulmanos. Desses dez, cinco frequentam as aulas de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>Na margem Sul do Tejo, zona de influ\u00eancia da Mesquita de Palmela, h\u00e1 cerca de 10 mil mu\u00e7ulmanos. Em Portugal, no total, h\u00e1 40 mil seguidores do profeta Maom\u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil ser mu\u00e7ulmano num pa\u00eds de maioria cat\u00f3lica?<\/p>\n<p>A religi\u00e3o isl\u00e2mica \u00e9 uma religi\u00e3o universal, aberta. Cada dia que passa, torna-se mais importante estar aberta. Qualquer pessoa pode estudar, pesquisar e depois fica ao seu crit\u00e9rio aderir ou n\u00e3o. Podemos ser mu\u00e7ulmanos em qualquer local. Em Portugal, n\u00e3o temos tido problemas de maior. A comunidade mu\u00e7ulmana veio maioritariamente das ex-col\u00f3nias e est\u00e1 bem integrada. Na sua maioria s\u00e3o comerciantes. Os jovens de segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o licenciados. Antigamente havia a tradi\u00e7\u00e3o de o pai ter uma loja e o filho continuar essa loja. Agora os filhos aderem a carreiras profissionais. <\/p>\n<p>A comunidade est\u00e1 bem integrada?<\/p>\n<p>Sim, em Portugal temos uma conviv\u00eancia pac\u00edfica. \u00c9 um exemplo de multiculturalismo pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Mas em alguns pa\u00edses h\u00e1 alguma crispa\u00e7\u00e3o com a comunidade mu\u00e7ulmana&#8230;<\/p>\n<p>Em outras \u00e1reas do globo \u00e9 necess\u00e1rio clarificar posi\u00e7\u00f5es: erradicar os pequenos grupos que, pela viol\u00eancia, conseguem manchar a imagem do Isl\u00e3o. Conseguem criar essas crispa\u00e7\u00f5es e diferen\u00e7as t\u00e3o violentas que as pessoas acabam por perguntar: \u201cPara onde estamos a caminhar?\u201d<\/p>\n<p>Penso que est\u00e1 a ser feito um trabalho positivo nas sociedades maioritariamente mu\u00e7ulmanas. Actualmente, nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos h\u00e1 um cuidado em dar uma educa\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as que respeite o pr\u00f3ximo. O conhecimento faz falta \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o. De uma sociedade que se priva desse conhecimento, n\u00e3o se pode esperar bons horizontes. Da sociedade que tenha conhecimento e o aplique, podemos esperar bons resultados.<\/p>\n<p>Como reagiram em Portugal aos cartoons que caricaturaram o profeta Maom\u00e9?<\/p>\n<p>Houve duas reac\u00e7\u00f5es. Uma manifesta\u00e7\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o foi atrav\u00e9s de comunicados que a mesquita da comunidade de Lisboa enviou \u00e0 Lusa e a outros \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o, manifestando a sua profunda indigna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pelas caricaturas em causa, como eventualmente por outras caricaturas de outros profetas, sejam Jesus, Mois\u00e9s ou outras personagens de Deus. A outra foi um dia de jejum que se celebrou&#8230;<\/p>\n<p>Em desagravo pela falta de respeito?<\/p>\n<p>Sim. Desde a aurora ao p\u00f4r do Sol, n\u00e3o comemos nem bebemos, para manifestar a indigna\u00e7\u00e3o pelo desrespeito pelo profeta Maom\u00e9.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o houve um claro rep\u00fadio das manifesta\u00e7\u00f5es violentas&#8230;<\/p>\n<p>As imagens de viol\u00eancia n\u00e3o ajudaram a imagem do Isl\u00e3o, como as imagens de outras viol\u00eancias de outras religi\u00f5es n\u00e3o ajudam essas religi\u00f5es. Temos por obriga\u00e7\u00e3o separar as \u00e1guas. \u00c9 o que estamos a fazer, quer aqui em Portugal, quer noutros pa\u00edses. Houve pa\u00edses que travaram as manifesta\u00e7\u00f5es, porque notaram que a quest\u00e3o de religiosa passou a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas essas reac\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiveram grandes ecos&#8230;<\/p>\n<p>Mas houve decretos-leis a travar as manifesta\u00e7\u00f5es. Houve delega\u00e7\u00f5es que se deslocaram \u00e0 Dinamarca e a outros pa\u00edses, dando a entender que a indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito, mas n\u00e3o justifica a viol\u00eancia que ocorreu.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia foi aproveitada por um grupo restrito de pessoas que conseguiu tirar proveitos pol\u00edticos. Dois pa\u00edses [S\u00edria e Ir\u00e3o] tiraram dividendos pol\u00edticos, visto que as caricaturas foram publicadas em Setembro de 2005 e a quest\u00e3o s\u00f3 explodiu em finais de Janeiro de 2006, por uma quest\u00e3o pol\u00edtica. A indigna\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 um direito, mas n\u00e3o justifica a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco [no debate p\u00fablico que antecedeu a entrevista], referiu a reac\u00e7\u00e3o do profeta  Maom\u00e9 a um caso de viol\u00eancia&#8230; <\/p>\n<p>A jornada de Ta\u00edf. Costumo contar esse caso nas minhas interven\u00e7\u00f5es nas mesquitas. Durante a sua vida em Meca, o profeta foi a essa localidade. Quando l\u00e1 chegou, para pregar a mensagem de Deus, as pessoas n\u00e3o o aceitaram e mandaram jovens e crian\u00e7as atr\u00e1s de Maom\u00e9, perseguindo-o, apedrejando-o e maltratando-o de toda a forma. O profeta saiu de l\u00e1 a escorrer sangue e, quando chegou a um s\u00edtio com alguma seguran\u00e7a, sentou-se e, levantando as m\u00e3os, disse: \u201c\u00d3 Deus, exponho a minha fraqueza diante de ti e pe\u00e7o perd\u00e3o\u201d. Ele julgava que n\u00e3o tinha sabido transmitir a mensagem. Deus mandou um anjo das montanhas para esmagar a localidade que tinha tratado t\u00e3o mal um profeta de Deus. Mas o Profeta pediu que Deus aben\u00e7oasse aquela terra. A miss\u00e3o do Profeta n\u00e3o era a destrui\u00e7\u00e3o, mas a salva\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>Essa jornada de Ta\u00edf deve ser o exemplo vivo da atitude do mu\u00e7ulmano quando \u00e9 perseguido ou mal-tratado: ignorar a pessoa que o maltratou; n\u00e3o retribuir o mal com o mal, mas com o bem; e voltar a sua aten\u00e7\u00e3o para Deus e expor-lhe a sua necessidade e fraqueza. Quando o homem toma as r\u00e9deas nas suas m\u00e3os e vai ele pr\u00f3prio fazer justi\u00e7a, a ajuda divina desaparece.<\/p>\n<p>Com exemplos t\u00e3o vivos, por que \u00e9 que sobressai uma linha fundamentalista e violenta do islamismo?<\/p>\n<p>Em todas as religi\u00f5es h\u00e1 extremismos. Mas penso que h\u00e1 um papel preponderante daquilo que se vende. A comunica\u00e7\u00e3o social tem um peso enorme no que se difunde. H\u00e1 uma vontade de pequenos grupos usarem a m\u00e1quina da comunica\u00e7\u00e3o social para fomentar esse tipo de extremismos. E conseguem. A nossa manifesta\u00e7\u00e3o de jejum praticamente n\u00e3o foi noticiada. S\u00f3 houve um jornal que a referiu numa pequena nota. Esses grupos s\u00e3o desconhecedores da ess\u00eancia isl\u00e2mica e aproveitam-se dessa m\u00e1quina para fins apenas pol\u00edticos, para fins n\u00e3o-isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>Considera, ent\u00e3o, que o islamismo sabe lidar com a cr\u00edtica?<\/p>\n<p>Quando o Profeta diz que todo o ser humano \u00e9 pecador, e o melhor \u00e9 aquele que pede perd\u00e3o; quando o Profeta diz que h\u00e1 duas virtudes: pedir desculpa e saber desculpar; quando o Alcor\u00e3o diz que n\u00e3o se deve pagar o mal com o mal, mas com o bem, porque ent\u00e3o o teu ini-migo compadecer-se-\u00e1 e tornar-se-\u00e1 amigo \u00edntimo&#8230; tudo isto gera toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A liberdade de express\u00e3o \u00e9 valor fomentado?<\/p>\n<p>Na religi\u00e3o isl\u00e2mica h\u00e1 direito e liberdade de express\u00e3o, ao ponto de Omar (dois anos ap\u00f3s a morte de Maom\u00e9), segundo califa da era isl\u00e2mica, numa sexta-feira, que \u00e9 o dia santo, em plena assembleia, deixar-se interrogar por uma mulher bedu\u00edna. Se houvesse dificuldade em assimilar a cr\u00edtica, ela n\u00e3o teria direito de questionar. Se o pr\u00f3prio califa concordou com a mulher, isso significa que o Isl\u00e3o n\u00e3o pode temer a cr\u00edtica. Pelo contr\u00e1rio, deve saber tolerar a cr\u00edtica e dar o exemplo, ou divulgando a verdadeira mensagem ou ignorando e deixando as pessoas criticar. Eu n\u00e3o posso impor a minha vontade aos outros, como n\u00e3o gosto que os outros me imponham a sua vontade. O califa Omar tinha um conselheiro financeiro que era um grego crist\u00e3o \u2013 exemplo de multiculturalismo. Era um lugar de destaque num estado isl\u00e2mico. O Isl\u00e3o tem uma dimens\u00e3o multicultural. Infelizmente, pequenos grupos querem fazer e mostrar o oposto.<\/p>\n<p>Vemos, no entanto, que entre v\u00e1rios grupos isl\u00e2micos h\u00e1 \u00f3dios de morte. \u00c9 o que est\u00e1 a acontecer entre mu\u00e7ulmanos xiitas e mu\u00e7ulmanos sunitas, no Iraque&#8230;<\/p>\n<p>95 ou mais  por cento dos mu\u00e7ulmanos s\u00e3o sunitas \u2013 como eu. Os xiitas denominam-se seguidores de Ali. Uma das raz\u00f5es para a viol\u00eancia \u00e9 a ignor\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Quando o Isl\u00e3o come\u00e7ou a expandir-se, havia cidades e havia bedu\u00ednos, que eram n\u00f3madas e n\u00e3o tinham tanto acesso ao conhecimento. Foi um bedu\u00edno mu\u00e7ulmano que, devido \u00e0 sua ignor\u00e2ncia, assassinou Ali, o genro do Profeta. Hoje o que acontece \u00e9 a mesma situa\u00e7\u00e3o. Alguns mu\u00e7ulmanos, ignorando completamente a sua f\u00e9, chegam ao ponto de agir radicalmente contra a pr\u00f3pria ess\u00eancia religiosa.<\/p>\n<p>Os sunitas acreditam em Deus e no profeta Maom\u00e9. A partir da\u00ed n\u00e3o h\u00e1 mais profetas, n\u00e3o h\u00e1 mais mensageiros de Deus. Os xiitas dizem que h\u00e1 doze im\u00e3s ou doze l\u00edderes que v\u00eam ou vir\u00e3o. H\u00e1 mais algumas pequenas diferen\u00e7as&#8230;<\/p>\n<p>Volta a insistir no conhecimento e na recusa de ignor\u00e2ncia. O Profeta insistiu v\u00e1rias vezes na necessidade de aprender, n\u00e3o foi?<\/p>\n<p>O Profeta Maom\u00e9 disse duas coisas. Primeiro, \u201cadquirir o conhecimento \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o de cada crente\u201d. Segundo, \u201cprocurem o conhecimento nem que se desloquem \u00e0 China\u201d. Ele disse China. Mas n\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o esse pa\u00eds. O que ele quis dizer \u00e9 que mesmo que seja do outro lado do mundo, v\u00e3o l\u00e1 aprofundar os vossos conhecimentos. H\u00e1 um outro vers\u00edculo do Alcor\u00e3o muito curioso: \u201cAcima de um s\u00e1bio h\u00e1 sempre outro\u201d. Ou seja, por mais que eu saiba, nunca posso dizer que sei tudo. H\u00e1 um prov\u00e9rbio \u00e1rabe que diz que o conhecimento \u00e9 como um oceano: quanto mais a gente mergulha, mais percebe que ele n\u00e3o tem fim. No Alcor\u00e3o diz-se ainda que se aprende desde o ber\u00e7o da m\u00e3e at\u00e9 \u00e0 hora da morte.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o mu\u00e7ulmana acompanha as descobertas cient\u00edficas?<\/p>\n<p>Claramente. Sobre quest\u00f5es como a clonagem ou se h\u00e1 vida ou n\u00e3o noutros planetas, e sobre o que o Isl\u00e3o pensa disso, h\u00e1 um vers\u00edculo que diz \u201cDeus tornar\u00e1 acess\u00edvel a v\u00f3s tudo o que est\u00e1 nos c\u00e9us e na terra\u201d. Este vers\u00edculo \u00e9 muito amplo e consegue absorver muitas novas pesquisas. Significa que a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem fim. O limite \u00e9 quando o homem disser: \u201cEu posso criar o ser humano\u201d. Isso \u00e9 o limite, porque a\u00ed tem de optar entre se acredita no Criador ou se se autodenomina criador.<\/p>\n<p>Eu gosto muito de astronomia. A mim, aumenta-me a f\u00e9. Mas h\u00e1 pessoas que, com algum conhecimento cient\u00edfico, se tornam n\u00e3o crentes. Quanto mais conhe\u00e7o, mais motivos encontro para louvor.<\/p>\n<p>Segundo o calend\u00e1rio isl\u00e2mico, estamos no ano 1427. Os mu\u00e7ulmanos, em Portugal, seguem o calend\u00e1rio isl\u00e2mico ou o ocidental?<\/p>\n<p>Seguimos o calend\u00e1rio ocidental em tudo, excepto para as nossas festas. O Ramad\u00e3o \u00e9 o nosso 9\u00ba m\u00eas do ano. No ano passado, foi em Outubro. Este ano, ser\u00e1 em finais de Setembro. Com o calend\u00e1rio isl\u00e2mico lunar, os meses t\u00eam 29 ou 30 dias, conforme o ciclo da Lua. Os nossos anos s\u00e3o 10 dias mais pequenos que no calend\u00e1rio ocidental. Quando cheguei a Portugal, o Ramad\u00e3o era em Dezembro. Muito f\u00e1cil. Tinha de jejuar das 6 de manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0s 4 ou 5 da tarde.<\/p>\n<p>Quer dizer que, quando o Ramad\u00e3o coincide com o Ver\u00e3o, \u00e9 muito mais dif\u00edcil?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. J\u00e1 viu o que \u00e9 estar em jejum desde as 5 da manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0s 9 da noite? [durante todo o m\u00eas do Ramad\u00e3o, o jejum \u00e9 obrigat\u00f3rio para todos os mu\u00e7ulmanos, excepto crian\u00e7as, gr\u00e1vidas e doentes; depois do p\u00f4r do Sol, podem voltar a comer]. As pessoas podem perguntar: mas por que \u00e9 que sofrem, n\u00e3o comem, n\u00e3o bebem, porqu\u00ea? O jejum tem um objectivo muito efectivo. Vai logo direito ao assunto. Faz-nos sentir na pele aquilo que os outros sentem por for\u00e7a da natureza. Aquilo que os pobres passam, porque n\u00e3o t\u00eam p\u00e3o para comer ou \u00e1gua para beber e n\u00e3o sabem onde ir, n\u00f3s sentimos na pele. Isto cria solidariedade, quer queiramos quer n\u00e3o. Uma pessoa, por mais forreta que seja, com o jejum d\u00e1 aos outros, porque sente na pele a sede e a fome.<\/p>\n<p>Aos olhos dos ocidentais, a mulher parece que \u00e9 claramente inferiorizada pelo Isl\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>O Isl\u00e3o d\u00e1 \u00e0 mulher os mesmos direitos que d\u00e1 ao homem. Claro que o homem \u00e9 o chefe da fam\u00edlia. A mulher n\u00e3o \u00e9 escrava da fam\u00edlia nem escrava do marido. \u00c9 senhora de si. O Isl\u00e3o deu \u00e0 mulher o direito de propriedade. A mulher tem um papel muito importante no Isl\u00e3o. Enquanto mulher, passa por tr\u00eas fases. \u00c9 filha. E o Profeta diz que o nascimento de uma filha \u00e9 uma miseric\u00f3rdia de Deus. Depois \u00e9 esposa. E o Profeta diz que \u00e9 uma perten\u00e7a de Deus que est\u00e1 na m\u00e3o no marido. Por isso, trate-a bem. E \u00e9 m\u00e3e. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e, o profeta diz: \u201cDebaixo dos p\u00e9s da m\u00e3e est\u00e1 o para\u00edso\u201d. Se voc\u00ea tratar bem dos p\u00e9s da m\u00e3e pode ganhar o para\u00edso; imagine se tratar bem a m\u00e3e toda!<\/p>\n<p>Uma vez perguntaram ao profeta: \u201cEntre todos os seres, quem \u00e9 que eu devo tratar bem?\u201d E ele respondeu: \u201cA sua m\u00e3e\u201d. \u201cE a seguir?\u201d \u201cA sua m\u00e3e\u201d. \u201cE depois?\u201d \u201cA sua m\u00e3e\u201d. \u00c0 quarta diz: \u201cO pai\u201d. Por que \u00e9 que o profeta valorizou tr\u00eas vezes mais a m\u00e3e do que o pai? Porque ela passa por tr\u00eas fases que o homem n\u00e3o tem: a gravidez, tempo de in\u00fameras dificuldades; o parto; e a amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUma mulher, depois do parto, ganhou uma nova vida da parte de Deus\u201d, diz o Profeta. Aquilo que ela sofre um homem nunca consegue saber. Conto um caso. Um homem carregou a sua m\u00e3e aos ombros e levou-a em peregrina\u00e7\u00e3o a Meca. O Profeta perguntou-lhe: \u201cQuem \u00e9 esta senhora\u201d. \u201c\u00c9 minha m\u00e3e\u201d, disse o peregrino. \u201cEla n\u00e3o pode andar, mas como me criou, estou a fazer isto por ela\u201d. O Profeta disse: \u201cAque-e uf que ela disse na altura do parto, voc\u00ea, mesmo trazendo-a 70 vezes, n\u00e3o faz o mesmo uf que ela fez\u201d.<\/p>\n<p>O nascimento de uma filha \u00e9 uma miseric\u00f3rdia. Antigamente os \u00e1rabes enterravam as filhas vivas. O Alcor\u00e3o condenou e tornou o nascimento de uma filha uma miseric\u00f3rdia. A mulher mu\u00e7ulmana \u00e9 dona de si e do que ganha. N\u00e3o tem de dar ao marido. Ela pode trabalhar desde que cumpra algumas regras, como as do vestir. O homem tem de se cobrir do umbigo aos p\u00e9s; a mulher cobre o corpo todo, para preservar a castidade, excepto o rosto, as m\u00e3os e os p\u00e9s.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, algumas tribos paquist\u00e2nicas, afeg\u00e3s e africanas que denigrem e diabolizam a mulher.<\/p>\n<p>Quer dizer que a inferioriza\u00e7\u00e3o \u00e9 cultural e n\u00e3o religiosa?<\/p>\n<p>Quando se fala do Isl\u00e3o tem-se uma ideia machista. Mas um dia perguntaram \u00e0 esposa do Profeta: \u201co que \u00e9 que ele faz em casa?\u201d E ela responde: \u201cquando ele entra, sorri. Depois, a primeira coisa que ele faz \u00e9 limpar os dentes, para que a mulher n\u00e3o sinta mau odor. Quando est\u00e1 em casa, o Profeta limpa a roupa, remenda e tira o leite \u00e0 cabra&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Se o Profeta fazia isso, hoje o mu\u00e7ulmano n\u00e3o pode ficar sentado e exigir que a comida esteja pronta. As tradi\u00e7\u00f5es machistas v\u00eam de influ\u00eancias culturais das pr\u00f3prias tribos. Ganharam o r\u00f3tulo da religi\u00e3o, mas n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o Isl\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a Rachid Ismael, director do Col\u00e9gio Isl\u00e2mico de Palmela, a prop\u00f3sito das caricaturas do Profeta Maom\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-6818","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6818\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}