{"id":6848,"date":"2006-04-05T15:20:00","date_gmt":"2006-04-05T15:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6848"},"modified":"2006-04-05T15:20:00","modified_gmt":"2006-04-05T15:20:00","slug":"o-exemplo-vem-de-cima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-exemplo-vem-de-cima\/","title":{"rendered":"O exemplo vem de cima!"},"content":{"rendered":"<p>Seria louco pensar que a gest\u00e3o da democracia \u00e9 tarefa simples, leve, linear, de import\u00e2ncia menor. Pelo contr\u00e1rio: manter o rigor de servi\u00e7o ao bem comum, enquadrando-o como o benef\u00edcio do maior n\u00famero poss\u00edvel de cidad\u00e3os, com respeito pela dignidade da pessoa humana, \u2026 \u00e9 tarefa gigantesca, sobretudo quando se sabe que isso implica a coragem de romper com interesses instalados, estar permanentemente atento \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de novas mordomias e corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos sabemos \u00e9 que, apesar de tal responsabilidade, h\u00e1 sempre o apetite da governa\u00e7\u00e3o. Os programas anunciados em campanha eleitoral prometem a melhoria da situa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, surgem envolvidos na capa inocente de uma entrega total ao servi\u00e7o da Comunidade nacional\u2026, mas trazem subtis inten\u00e7\u00f5es de colher proveitos, pessoais, para os grupos pol\u00edticos respectivos, para os grupos de interesse pr\u00f3ximos de quem concorre.<\/p>\n<p>Certo \u00e9 que a saga real do quotidiano nacional se revela sempre surpreendente. E a\u00ed \u00e9 que se joga a per\u00edcia de conciliar os \u201cinteresses subterr\u00e2neos\u201d com o bem comum (ou, ao menos, a sua apar\u00eancia). A miss\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es ser\u00e1 de vigil\u00e2ncia atenta, de den\u00fancia firme mas civilizada, de sugest\u00e3o desinteressada em ordem a correc\u00e7\u00f5es ou melhorias.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es e cargos, nas institui\u00e7\u00f5es que d\u00e3o corpo \u00e0 governa\u00e7\u00e3o, tem de se basear essencialmente em dois pilares: a compet\u00eancia e a lealdade na coopera\u00e7\u00e3o. Todavia, esta lealdade n\u00e3o tem que ver com a proximidade de cor partid\u00e1ria, nem pode diluir a diversidade de \u00f3rg\u00e3os do poder. Nenhum dos poderes constitucionais poder\u00e1 ter a pretens\u00e3o de anular, diminuir ou bloquear qualquer outro.<\/p>\n<p>Aqui, sim, parece que a nossa democracia \u00e9 ainda demasiado jovem. Quando menos se espera, declaram-se perdas de confian\u00e7a. Por mais que se diga o contr\u00e1rio, nem sempre se prima pelo crit\u00e9rio da compet\u00eancia nas nomea\u00e7\u00f5es (n\u00e3o sei se os concursos n\u00e3o seriam um processo mais correcto?!), todos est\u00e3o \u00e0 espreita de quem possa ser bafejado, para ver se se abrem \u201cportas do cavalo\u201d mais favor\u00e1veis\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o exemplo tem de vir de cima! E v\u00e3o sendo raros os servidores da P\u00e1tria. S\u00f3 os que s\u00e3o fi\u00e9is em coisas pequenas merecem o cr\u00e9dito para gerirem coisas grandes. A ascens\u00e3o meteor\u00edtica de \u201cluzeiros\u201d pol\u00edticos n\u00e3o traz bons ventos! E s\u00e3o tantos os que saltam do r\u00e9s-do-ch\u00e3o para o terceiro ou quarto andar, s\u00f3 porque mostraram os dentes a um candidato vencedor ou deram uma m\u00e3ozinha para a vit\u00f3ria! Compet\u00eancia, senhores! Lealdade sem servilismos! E que o exemplo venha de cima!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria louco pensar que a gest\u00e3o da democracia \u00e9 tarefa simples, leve, linear, de import\u00e2ncia menor. 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