{"id":689,"date":"2010-02-10T09:34:00","date_gmt":"2010-02-10T09:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=689"},"modified":"2010-02-10T09:34:00","modified_gmt":"2010-02-10T09:34:00","slug":"o-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-carnaval\/","title":{"rendered":"O Carnaval"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> Tempo curto e talvez por isso aproveitado com avidez e desbragamento. \u00c9 o tempo das m\u00e1scaras que cada vez chamam menos a aten\u00e7\u00e3o pelo facto de tamb\u00e9m serem usadas, por muitos, durante todo o ano.<\/p>\n<p>H\u00e1 a m\u00e1scara do \u201cimportante\u201d, sempre no topo do progresso, com ar convicto, vivendo como o yuppie americano, preferindo \u00abter\u00bb e \u00abparecer\u00bb a \u00abser\u00bb.<\/p>\n<p>H\u00e1 a m\u00e1scara do bem informado \u2013 tem opini\u00e3o irrefut\u00e1vel, segundo a sua \u00f3ptica, sobre tudo: pol\u00edtica, religi\u00e3o, desporto, economia, etc. Est\u00e1 sempre na \u00abcrista da onda\u00bb.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Humanidade est\u00e1 ligada \u00e0 hist\u00f3ria da procura da verdade nos mais variados campos. A verdade atrai o homem e, se ainda tem um pouco de dignidade, nada o fere tanto como dizer-lhe: \u00abMentiste\u00bb. Ningu\u00e9m gosta que lhe chamem mentiroso, mesmo que tenha a consci\u00eancia de o ser. <\/p>\n<p>Ora, para mim, as m\u00e1scaras s\u00e3o formas de mentira, pois n\u00e3o s\u00f3 escondem a realidade como nos mostram uma outra coisa bem diferente. Umas vezes as m\u00e1scaras favorecem quem as usa, por exemplo: uma senhora cheia de rugas no rosto e que aparece com uma m\u00e1scara de uma rapariga de 25 anos, porque recorreu a uma cirurgia pl\u00e1stica. <\/p>\n<p>A mentira \u00e9 como o dinheiro falso: entra em circula\u00e7\u00e3o, mistura-se com o verdadeiro e s\u00f3 vem a ser descoberto depois de consumadas as consequ\u00eancias nefastas que acarreta.<\/p>\n<p>O homem tem o \u201cinstinto da verdade\u201d. As crian\u00e7as s\u00e3o naturalmente verdadeiras. Somos n\u00f3s, os adultos, que lhes ensinamos a ser mentirosas. O pai chega a casa cansado, o que \u00e9 natural, e coloca-se frente \u00e0 televis\u00e3o a ver um jogo de futebol onde entra o seu clube preferido. Toca o telefone e ele diz ao filho de oito anos: \u201cVai atender; se for para mim diz que eu n\u00e3o estou em casa&#8230;\u201d. Tudo isto j\u00e1 foi ensaiado n\u00e3o v\u00e1 a crian\u00e7a dizer, na sua ingenuidade e \u201cinstinto de verdade\u201d: \u00abO meu pai manda dizer que n\u00e3o est\u00e1 em casa&#8230;\u00bb. <\/p>\n<p>Os romanos eram uns apaixonados da beleza e do aut\u00eantico. Assim n\u00e3o admitiam defeitos nas obras de arte. Quando notavam numa escultura algum defeito, procuravam disfar\u00e7\u00e1-lo com cera. \u00c9 esta a origem da palavra \u201csincera\u201d \u2013 \u201csem cera\u201d, ou seja, sem disfarce. <\/p>\n<p>Vivemos actualmente num mundo onde h\u00e1 muitas e variadas \u00abceras\u00bb, ou seja dissimula\u00e7\u00f5es: as modas, os cosm\u00e9ticos, as perucas, as opera\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas por motivo de um acidente, etc. Estas s\u00e3o normalmente inofensivas e prendem-se com a vaidade ou o gosto de parecer bem. Este \u00faltimo at\u00e9 pode ser uma forma de considera\u00e7\u00e3o e caridade para com os outros. H\u00e1 outras dissimula\u00e7\u00f5es mais graves: a do que faz crer que ganhou a lotaria ou o totoloto, para disfar\u00e7ar os sinais de riqueza que ostenta e s\u00e3o produto de qualquer neg\u00f3cio menos claro, quando n\u00e3o de uma fraude ou \u00abluvas\u00bb recebidas.<\/p>\n<p>No fim da Ter\u00e7a-feira, acaba o Carnaval e portanto o tempo das m\u00e1scaras carnavalescas, mas ficam as outras, as de todo o ano, pegadi\u00e7as e dif\u00edceis de arrancar (\u2026).<\/p>\n<p>Maria Fernanda Barroca   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-689","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=689"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}