{"id":6896,"date":"2006-04-05T17:40:00","date_gmt":"2006-04-05T17:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6896"},"modified":"2006-04-05T17:40:00","modified_gmt":"2006-04-05T17:40:00","slug":"se-a-moda-pega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/se-a-moda-pega\/","title":{"rendered":"Se a moda pega&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Educa bem as crian\u00e7as, se n\u00e3o quiseres <\/p>\n<p>ter problemas com os adultos<\/p>\n<p>Pit\u00e1goras<\/p>\n<p>1. Na nossa vizinha Espanha, o actual Governo, na esteira de altera\u00e7\u00f5es legais sobre o casamento e a filia\u00e7\u00e3o adoptiva, agora permitidos entre pessoas do mesmo sexo, acaba de alterar algumas normas do registo civil, substituindo os \u201ccaducos\u201d termos PAI e M\u00c3E por \u2013 imagine-se! \u2013 PROGENITOR A e PROGENITOR B\u2026<\/p>\n<p>Imagino j\u00e1 o que pode vir a suceder com o avan\u00e7o indiscriminado das novas formas cient\u00edficas da \u201cprocria\u00e7\u00e3o medicamente assistida\u201d. Com as barrigas de aluguer, a fecunda\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga ou at\u00e9 a insemina\u00e7\u00e3o post-mortem\u2026, as crian\u00e7as poder\u00e3o ver acrescentados nos seus registos civis um terceiro, se n\u00e3o mesmo um quarto progenitor: o C e o D!<\/p>\n<p>J\u00e1 agora, por curiosidade, o que passar\u00e1 a ser em Espanha, por exemplo, uma at\u00e9 agora denominada av\u00f3 materna? Ser\u00e1 a progenitora B do progenitor A? Ou a progenitora A do progenitor B? Ou s\u00e9nior A ou s\u00e9nior B? E, na intimidade do lar, (palavra maleficamente conservadora para certas mentes progressistas\u2026), ser\u00e1 que o Estado omnipotente vai \u201cproibir\u201d que a crian\u00e7a diga pai e m\u00e3e, para passar a pronunciar afectuosamente \u201cpr\u00f3pr\u00f3\u201d?<\/p>\n<p>E por que n\u00e3o acabar, no registo civil, com o voc\u00e1bulo fam\u00edlia e substitui-lo por \u201csociedade an\u00f3nima familiar\u201d?<\/p>\n<p>Se a f\u00faria dissolvente dos valores antropol\u00f3gicos essenciais prosseguir, certamente iremos assistir \u00e0 renomea\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, dos filhos e talvez tudo venha a acabar em letras do alfabeto ou na aritm\u00e9tica dos n\u00fa-meros, tipo matr\u00edcula de um autom\u00f3vel\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 caso para se dizer com propriedade\u2026 \u201cde Espanha nem bons ventos\u2026nem bons casamentos!\u201d<\/p>\n<p>2. Assim se caminha no Velho Continente, que anafado, e ego\u00edsta, se dedica agora a fracturar os valores superiores da sociedade, entre os quais o da fam\u00edlia \u00e9 seguramente um dos mais importantes. Uma Europa com mais progresso material e tecnol\u00f3gico e, ao mesmo tempo, caminhando para um empobrecimento espiritual que raia o absurdo.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es diferentes, tamb\u00e9m h\u00e1 anos na China se decretou o filho \u00fanico por casal. Dentro de uma ou duas gera\u00e7\u00f5es deixar\u00e1 l\u00e1 de haver irm\u00e3os, tios, primos, cunhados. A \u201cfam\u00edlia m\u00ednima garantida\u201d na China \u00e9 o retrato da imposi\u00e7\u00e3o do Estado todo-poderoso sobre as fam\u00edlias, as pessoas e a sua individualidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 falta agora essa ideia monstruosa da clonagem reprodutiva, como o passo final para o puro e duro eugenismo e para o aviltamento das rela\u00e7\u00f5es humanas de consanguinidade, maternidade e parentesco. Se nos deixarmos arrastar por estes exerc\u00edcios de ci\u00eancia sem humanidade e sem alma, n\u00e3o nos espantemos, como h\u00e1 tempos escreveu a Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia Pr\u00f3 Vita, que, simultaneamente, \u201cuma crian\u00e7a venha a ser g\u00e9mea de sua m\u00e3e, a faltar-lhe o pai biol\u00f3gico e ser filha do seu av\u00f4!\u201d <\/p>\n<p>3. A fam\u00edlia tem tido ao longo da hist\u00f3ria da humanidade crises de sustenta\u00e7\u00e3o e de reconhecimento. Mas, por mais voltas que se d\u00eaem, ainda n\u00e3o se inventou outra forma de sociedade b\u00e1sica melhor do que a institui\u00e7\u00e3o familiar. Precisamente por ser a \u00fanica que \u00e9 natural, n\u00e3o procede do direito positivo, antes a ele se imp\u00f4s.<\/p>\n<p>Por isso, no respeito da diferen\u00e7a, deve ser respeitada, protegida e promovida, como fundamento da sociedade.<\/p>\n<p>Para os novos arautos do relativismo e do niilismo, onde tudo vale por n\u00e3o valer, a fam\u00edlia \u00e9 vista como um obst\u00e1culo. Por isso, com os ventos f\u00e1ceis e atractivos do hedonismo utilitarista, prosseguem o caminho do enfraquecimento das refer\u00eancias estabilizadoras da fam\u00edlia, umas vezes larvarmente e com falinhas mansas, outras vezes mais despudoradamente.<\/p>\n<p>No fundo, querem uma \u201cnova fam\u00edlia\u201d entre dois p\u00f3los, tamb\u00e9m chamados de reivindica\u00e7\u00f5es da modernidade: o individualismo e o Estado. Subjugada ao prazer, ao circunstancial e ao consumismo.<\/p>\n<p>Adocicada e anestesiadamente, a cultura anti-fam\u00edlia medra com os nossos sil\u00eancios cobardes, o comodismo individualista, a indiferen\u00e7a absurda e o alheamento laxista. <\/p>\n<p>J\u00e1 falta pouco para um dia destes, por c\u00e1 ou pela Europa abastada, se propor o fim da hedionda \u201cburocracia\u201d do div\u00f3rcio transformado numa rescis\u00e3o unilateral de um contrato comercial. Depois da \u201cempresa na hora\u201d viremos a ter o \u201cdiv\u00f3rcio na hora\u201d? Quem sabe se n\u00e3o bastar\u00e1, para um qualquer programa de desburocratiza\u00e7\u00e3o, a simples comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201coutra parte\u201d por SMS ou, mais sofisticadamente, via Net\u2026<\/p>\n<p>Triste progresso!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa bem as crian\u00e7as, se n\u00e3o quiseres ter problemas com os adultos Pit\u00e1goras 1. 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