{"id":6899,"date":"2006-04-05T17:57:00","date_gmt":"2006-04-05T17:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6899"},"modified":"2006-04-05T17:57:00","modified_gmt":"2006-04-05T17:57:00","slug":"perguntas-fatais-para-um-processo-educativo-valido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/perguntas-fatais-para-um-processo-educativo-valido\/","title":{"rendered":"Perguntas fatais para um processo educativo v\u00e1lido"},"content":{"rendered":"<p>Um pedagogo argentino, de nome consagrado, ao passar por Portugal, como orador num Curso de Ver\u00e3o sobre problemas da educa\u00e7\u00e3o, deixou-nos esta reflex\u00e3o final: \u201cInterrogar-se acerca da forma\u00e7\u00e3o da personalidade \u00e9, afinal, formular as perguntas fatais da educa\u00e7\u00e3o: para qu\u00ea e para onde queremos educar\u201d. Um pouco atr\u00e1s, fez outra pergunta, que ele mesmo classificou de fundamental: \u201cComo ensinar e promover as capacidades exigidas a um cidad\u00e3o democr\u00e1tico?\u201d<\/p>\n<p>Quem faz perguntas, procura respostas. Quem n\u00e3o se interroga, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para progredir. Ouvir de outros e fazer perguntas a si mesmo pode ser inc\u00f3modo; por isso, as respostas ou n\u00e3o existem ou s\u00e3o tolas e desfasadas. Em educa\u00e7\u00e3o, as perguntas pertinentes podem determinar o processo educativo.<\/p>\n<p>O \u201cpara qu\u00ea\u201d e o \u201cpara onde\u201d ou o \u201cem que sentido\u201d t\u00eam de iluminar e orientar toda ac\u00e7\u00e3o educativa da fam\u00edlia e da escola e, de modo igual, das diversas inst\u00e2ncias educativas. De outro modo, o esfor\u00e7o para educar ser\u00e1 in\u00fatil e o tempo perdido.<\/p>\n<p>N\u00e3o vai para parte nenhuma quem n\u00e3o sabe para onde vai, nem para onde quer ir. N\u00e3o ser\u00e1, porventura, esta fatalidade, que explica fracassos e insucessos na educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Num suplemento de fim-de-semana, que um dos jornais di\u00e1rios anexava h\u00e1 dias ao caderno principal, fazia-se a publicidade de um famoso grupo rock estrangeiro, nestes termos: \u201cPara acabar de vez com as boas maneiras!\u201d. O mesmo era dizer que n\u00e3o havia regras para apreciar ou para presenciar, e que destruir conceitos e preconceitos era a palavra de ordem. Na m\u00fasica e na vida. Muito aliciador, para gente sem peso nem norte.<\/p>\n<p>Como nessa semana o prato forte das minhas actividades andou \u00e0 volta de encontros com professores e de reflex\u00e3o sobre a educa\u00e7\u00e3o e a escola que temos, vieram-me \u00e0 mem\u00f3ria as perguntas fatais e fundamentais, do mestre argentino.<\/p>\n<p>Educar \u00e9 sempre construir com projecto e, por isso, precisa de horizontes e regras. As regras geram constrangimento para quem julga que ser livre \u00e9 fazer tudo quanto lhe apetece e n\u00e3o aceita qualquer interven\u00e7\u00e3o de outrem na sua vida. Ora, educar \u00e9 sempre um processo relacional que permite permuta e possibilita transmiss\u00e3o de saber j\u00e1 adquirido e de experi\u00eancias de vida, torna livremente activo quem est\u00e1 em aprendizagem mais evidente, e n\u00e3o dispensa o horizonte do porqu\u00ea, do para qu\u00ea, do como e do para onde, para que haja motiva\u00e7\u00e3o para aprender, desenvolver capacidades, ter op\u00e7\u00f5es com crit\u00e9rios, agir com discernimento e vontade, ter alegria de viver e de realizar, dispor, enfim, de um sentido na vida e para a vida.<\/p>\n<p>Um horizonte reduzido acaba por n\u00e3o apaixonar. Largo e a perder-se no longe do tempo, obriga a persist\u00eancia, criatividade, necessidade de ajuda, vontade determinada, esperan\u00e7a e utopia. As desist\u00eancias, os insucessos e os desvios conden\u00e1veis de um agir sem regras, maneiras e \u00e9tica, mostram que as interroga\u00e7\u00f5es que motivam a agir da pessoa, n\u00e3o funcionaram. H\u00e1, por vezes, estrangulamentos no processo educativo, influ\u00eancias estranhas com poder, medos justific\u00e1veis de educadores, desinteresse ostensivo de educandos, leis patetas de t\u00e9cnicos e psic\u00f3logos sonhadores e ineptos, omiss\u00f5es graves de quem determina o processo, desconhecendo a realidade e a vida, institui\u00e7\u00f5es que andam \u00e0 ca\u00e7a de fracassos nos espa\u00e7os educativos dos outros, para desviar a aten\u00e7\u00e3o da noite que cobre os seus campos de ac\u00e7\u00e3o, de teor id\u00eantico. Os que querem, acabam por ser prejudicados pelos que n\u00e3o querem ou n\u00e3o sabem, passando o mal a ter hist\u00f3ria e o esfor\u00e7o do bem a ser esquecido, quando n\u00e3o mesmo vilipendiado.<\/p>\n<p>Admiro cada vez mais os educadores que n\u00e3o desistem e os jovens que prosseguem no caminho que tra\u00e7aram, resistindo \u00e0s influ\u00eancias que os rodeiam. Nenhuma sociedade tem futuro sem uma educa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, que n\u00e3o tenha medo das interroga\u00e7\u00f5es fatais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pedagogo argentino, de nome consagrado, ao passar por Portugal, como orador num Curso de Ver\u00e3o sobre problemas da educa\u00e7\u00e3o, deixou-nos esta reflex\u00e3o final: \u201cInterrogar-se acerca da forma\u00e7\u00e3o da personalidade \u00e9, afinal, formular as perguntas fatais da educa\u00e7\u00e3o: para qu\u00ea e para onde queremos educar\u201d. 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