{"id":690,"date":"2010-02-10T11:44:00","date_gmt":"2010-02-10T11:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=690"},"modified":"2010-02-10T11:44:00","modified_gmt":"2010-02-10T11:44:00","slug":"o-servico-paroquial-aos-doentes-domiciliarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-servico-paroquial-aos-doentes-domiciliarios\/","title":{"rendered":"O servi\u00e7o paroquial aos doentes domicili\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o sobre os servi\u00e7os paroquiais para os doentes, na proximidade do Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro)<\/p>\n<p>\u201cMaria p\u00f4s-se a caminho e dirigiu-se \u00e0 pressa (\u2026). Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel\u201d (Lc 1,39-56). A disponibilidade sol\u00edcita de Maria para com Isabel e a prontid\u00e3o com que a manifestou define bem a atitude que o visitador de doentes deve ter em id\u00eanticas circunst\u00e2ncias. Maria, ao ter conhecimento da gravidez da sua prima Isabel, apressou-se para ir ao seu encontro para estar presente nesta nova experi\u00eancia de vida de Isabel. Foi ter com Isabel, entrou na sua casa e l\u00e1 permaneceu. Com esta atitude, Maria manifestou uma presen\u00e7a sem limites, uma atitude de servi\u00e7o generoso e incondicional, s\u00edmbolo perfeito da Igreja que representa: a Igreja do acolhimento, da caridade e do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>H\u00e1 par\u00f3quias que reduzem este servi\u00e7o \u00e0 visita que o ministro extraordin\u00e1rio da Comunh\u00e3o faz, ao levar a Eucaristia dominical \u00e0 resid\u00eancia do doente, convencendo-se de que a referida \u201cvisita\u201d, feita muitas vezes \u00e0 pressa, resolve a quest\u00e3o do acompanhamento espiritual e religioso dos doentes. Este servi\u00e7o \u201ceucar\u00edstico-sacramental\u201d, muito importante para o doente acamado, \u00e9 da responsabilidade da comunidade e da Pastoral de Liturgia.<\/p>\n<p>Em muitas par\u00f3quias \u00e9 o p\u00e1roco que assegura este servi\u00e7o pastoral junto dos seus paroquianos doentes \u2013 um servi\u00e7o essencialmente sacramental que, na maior parte das vezes, \u00e9 prestado somente nas proximidades da morte.<\/p>\n<p>Os agentes da pastoral dedicados aos doentes n\u00e3o podem contentar-se em fazer uma pastoral reduzida a uma visita espor\u00e1dica ou a levar ao doente a Sagrada Eucaristia dominical. A primeira e mais importante tarefa a desenvolver \u00e9 sensibilizar toda a diocese para a necessidade de promover, organizar e actualizar a Pastoral da Sa\u00fade nas par\u00f3quias, de modo a que nenhum dos doentes de cada comunidade se sinta desapoiado, isolado, exclu\u00eddo ou esquecido pela comunidade que o viu nascer, crescer, envelhecer e adoecer.<\/p>\n<p>Para que a Pastoral da Sa\u00fade realize a sua miss\u00e3o de evangelizar atrav\u00e9s do servi\u00e7o que presta aos outros e produza os bens humanos e espirituais que se esperam, ao provocar na pessoa doente uma reafirma\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9, radicada em Jesus Cristo, \u00e9 fundamental que se re\u00fanam e convirjam todos os esfor\u00e7os pastorais que hoje s\u00e3o dirigidos \u00e0 pessoa carente e seus cuidadores envolventes, sejam eles crentes ou n\u00e3o. O principal objectivo des-ta ac\u00e7\u00e3o conjunta e co-respons\u00e1vel \u00e9 conseguir, com o esfor\u00e7o e participa\u00e7\u00e3o de todos, a regenera\u00e7\u00e3o total da pessoa, com perspectivas renovadas de esperan\u00e7a salv\u00edficas, evitando o servi\u00e7o isolado, copioso, desorganizado e viciado, de cariz meramente individual e assistencial. Na minha perspectiva, aquilo que o agente de pastoral deve fazer perante a pessoa doente \u00e9 colocar-se ao seu lado e ajud\u00e1-la a vencer os obst\u00e1culos que a impedem de viver como pessoa, procurando, simultaneamente, lev\u00e1-la a adquirir a sua auto-estima e realiza\u00e7\u00e3o pessoal, de modo a ser feliz, a sentir-se valorizada, amada e a recuperar o seu lugar na comunidade e\/ou na sociedade. <\/p>\n<p>Todos os grupos de pastoral da Igreja devem trabalhar em equipa e procurar estar pastoralmente ligados, em total sincroniza\u00e7\u00e3o com os demais grupos da comunidade, criando entre si uma rede de cuidados e servi\u00e7os que contribuem para o bem comum e para a realiza\u00e7\u00e3o total da pessoa doente.<\/p>\n<p>A pessoa carente, a pessoa idosa ou o doente poder\u00e3o precisar de p\u00e3o e de aten\u00e7\u00e3o mas, e acima de tudo, precisar\u00e3o, com certeza, de que lhe mostremos o caminho da salva\u00e7\u00e3o e o sentido para a sua vida, contribuindo o mais poss\u00edvel para a promo\u00e7\u00e3o da sua pessoa no seu todo. \u00c9 importante tamb\u00e9m que o doente seja ajudado a descobrir e a valorizar a sua dignidade e aprenda a defender e a respeitar a vida, quer na sa\u00fade quer na doen\u00e7a, mesmo que esteja a ser confrontado com a sua pr\u00f3pria impot\u00eancia e vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Os visitadores de doentes na par\u00f3quia e os MEC<\/p>\n<p>Os visitadores de doentes s\u00e3o membros activos da comunidade e, por isso, s\u00e3o os representantes da comunidade e da Igreja junto dos doentes, com um servi\u00e7o pastoral de caridade e de presen\u00e7a permanentes. Sentem-se comprometidos e enviados por Jesus Cristo para ir em miss\u00e3o e em esp\u00edrito de servi\u00e7o a visitar os doentes que conhecem, para os escutar e acompanhar.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o do visitador de doentes \u00e9 diferente da dos ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o (MEC). O visitador leva ao doente disponibilidade para o escutar com carinho e acompanha-o com solicitude e generosidade apost\u00f3lica. Dirige-se ao doente com atitude fraterna e identifica-o com Jesus Cristo. V\u00ea nele o rosto de Cristo sofredor, abrindo-se \u00e0 doa\u00e7\u00e3o total de si mesmo, \u00e0 causa do sofrimento dos irm\u00e3os. Entra na casa do doente e fica com ele o tempo que for necess\u00e1rio, como fez Maria \u00e0 sua prima Isabel.<\/p>\n<p>Visitadores e MEC s\u00e3o grupos que pertencem \u00e0 comunidade e prestam servi\u00e7os em nome desta aos doentes. O servi\u00e7o lit\u00fargico prestado pelos MEC \u00e9 administrado somente a doentes crist\u00e3os baptizados e crentes previamente preparados. <\/p>\n<p>O servi\u00e7o pastoral do visitador \u00e9 um servi\u00e7o de presen\u00e7a e de acompanhamento permanente e \u00e9 dirigido a todos os doentes da comunidade eclesial ou civil, sejam crentes ou n\u00e3o. O visitador de doentes, com o servi\u00e7o humano e de evangeliza\u00e7\u00e3o efectivos, tem como objectivo a liberta\u00e7\u00e3o total da pessoa, levando o doente a acreditar na Palavra de Deus e a desejar os sacramentos que, para n\u00f3s, crentes, s\u00e3o meios de encontro pessoal com Deus e instrumentos de salva\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 um servi\u00e7o que precede o apostolado do MEC. Contudo, ambos completam-se.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, estes dois servi\u00e7os de pastoral podem ser realizados pelo mesmo agente e o doente ser tamb\u00e9m o mesmo receptor dos dois servi\u00e7os, mas como os servi\u00e7os s\u00e3o diferentes, diferentes devem ser tamb\u00e9m os momentos de cada ac\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o que os MEC oferecem aos doentes da comunidade, os bens espirituais que realizam atrav\u00e9s da Palavra de Deus e da Eucaristia, s\u00e3o, ou deveriam ser, o resultado final da pastoral realizada anteriormente, praticada pelos visitadores que, atrav\u00e9s do servi\u00e7o de presen\u00e7a, apoio social e espiritual, levam o doente a acreditar na Palavra que vai escutando e interpretando em cada gesto de amor que recebe gratuitamente do agente de pastoral domicili\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando o doente recebe a Sagrada Comunh\u00e3o realiza o seu encontro pessoal com Deus. Este encontro \u00edntimo deve ser valorizado e respeitado, dando-lhe espa\u00e7o para o acolhimento, recolhimento e ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Di\u00e1c. Jos\u00e9 Carlos Costa<\/p>\n<p>M\u00e9dico. Coordenador da Pastoral dos Doentes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o sobre os servi\u00e7os paroquiais para os doentes, na proximidade do Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro) \u201cMaria p\u00f4s-se a caminho e dirigiu-se \u00e0 pressa (\u2026). Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel\u201d (Lc 1,39-56). 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