{"id":6943,"date":"2006-04-12T17:03:00","date_gmt":"2006-04-12T17:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6943"},"modified":"2006-04-12T17:03:00","modified_gmt":"2006-04-12T17:03:00","slug":"convento-das-carmelitas-deve-voltar-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/convento-das-carmelitas-deve-voltar-a-igreja\/","title":{"rendered":"Convento das Carmelitas deve voltar \u00e0 Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Para corrigir um erro hist\u00f3rico com 95 anos <!--more--> \u201cReparar um erro hist\u00f3rico cometido exclusivamente por motivos ideol\u00f3gicos, h\u00e1 95 anos\u201d, \u00e9 como o padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves comenta o desejo de ver regressar \u00e0 tutela da Igreja o antigo convento de S. Jo\u00e3o Evangelista, mais conhecido por convento das Carmelitas, edif\u00edcio propriedade da C\u00e2mara Municipal de Aveiro e que, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, esteve ocupado pela PSP.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1910, a propriedade do convento passou para a C\u00e2mara Municipal de Aveiro, facto que s\u00f3 aconteceu por motivos ideol\u00f3gicos e anticlericais ent\u00e3o vigentes. Por isso, o p\u00e1roco da Gl\u00f3ria afirma que \u201cquando temos um bem que n\u00e3o nos foi legitimado, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para continuarmos a manter a sua propriedade\u201d, facto que ainda \u00e9 mais grave \u201cquando os seus leg\u00edtimos propriet\u00e1rios existem e reivindicam os seus direitos\u201d. O convento foi feito para o servi\u00e7o da Igreja, pelo que deve regressar \u00e0 tutela da Igreja.<\/p>\n<p>Opini\u00e3o id\u00eantica tem o padre Jos\u00e9 Belinquete, autor do livro \u201cAs Carmelitas em Aveiro \u2013 Ontem e Hoje\u201d, publicado em 1996, considerando que a entrega do im\u00f3vel \u00e0 Igreja era uma forma da autarquia aveirense \u201csaldar\u201d uma \u201cinjusti\u00e7a cometida contra o pr\u00f3prio edif\u00edcio conventual\u201d, quando, em 1905, o executivo municipal de ent\u00e3o, liderado por Gustavo Ferreira Pinto Basto, conseguiu convencer o governo a entregar \u00e0 C\u00e2mara a propriedade do edif\u00edcio, para que esta pudesse avan\u00e7ar com o seu projecto, que implicava a demoli\u00e7\u00e3o de parte do convento, e da respectiva igreja, para abrir a actual Pra\u00e7a Marqu\u00eas de Pombal.<\/p>\n<p>Para o monsenhor Jo\u00e3o Gaspar, o \u00fanico aveirense membro da Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria, o executivo municipal tem compet\u00eancia para ceder \u00e0 Igreja, por um per\u00edodo de cinquenta anos, o direito de utiliza\u00e7\u00e3o do convento, mantendo a autarquia a propriedade do im\u00f3vel, tal como aconteceu durante o per\u00edodo em que o edif\u00edcio esteve ocupado pela Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>O convento deve \u201cvoltar \u00e0s origens religiosas\u201d \u00e9 o desejo do padre Jos\u00e9 Belinquete, que sublinha que n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo a autarquia p\u00f4-lo ao servi\u00e7o de outras fun\u00e7\u00f5es civis, como tem acontecido desde a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\u201d, como parece ser o desejo do actual executivo municipal de autorizar a instala\u00e7\u00e3o do Ju\u00edzo Tribut\u00e1rio, agregado ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu, no referido im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Para o autor do livro \u201cAs Carmelitas em Aveiro &#8211; Ontem e Hoje\u201d, o convento de S. Jo\u00e3o Evangelista deveria acolher um museu de arte sacra, que poderia funcionar como p\u00f3lo do Museu de Aveiro, no qual teria um destaque especial o esp\u00f3lio que pertenceu ao antigo convento e que est\u00e1 depositado no Museu de Aveiro. De acordo com este padre, \u00e9 f\u00e1cil saber qual o recheio do antigo convento das Carmelitas, j\u00e1 que existem dois invent\u00e1rios detalhados desse esp\u00f3lio, um realizado em 1834 (da altura da extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas em Portugal), e outro de 1911 (data em que o governo cedeu a propriedade do convento \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Aveiro e a igreja conventual ficou alocada ao Museu de Aveiro.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o de um museu de arte sacra no antigo convento \u00e9 ainda mais premente ap\u00f3s as obras de restauro da igreja, que est\u00e1 classificada como monumento nacional e tutelada pelo IPPAR (Instituto Portugu\u00eas do Patrim\u00f3nio Arquitect\u00f3nico), instituto que se prepara para abrir uma loja na antiga \u201ccasa do capel\u00e3o\u201d, situada nas traseiras da igreja. O museu seria tamb\u00e9m uma forma de rentabilizar e valorizar o investimento efectuado no restauro da igreja.<\/p>\n<p>O padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves real\u00e7a que a par\u00f3quia tem projectos que podem \u201crentabilizar o edif\u00edcio do convento, dando-lhe uma finalidade de servi\u00e7o \u00e0 comunidade\u201d. Para o espa\u00e7o n\u00e3o ocupado pelo museu de arte sacra, o p\u00e1roco prop\u00f5e o seu aproveitamento para diversas fun\u00e7\u00f5es, dando \u201cvida ao edif\u00edcio e movimento \u00e0 pr\u00f3pria pra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Convento \u201cinutilmente mutilado\u201d<\/p>\n<p>Em 1905, Jaime de Magalh\u00e3es Lima escreveu: \u201cPensa o governo em mutilar o convento das carmelitas de Aveiro, antigo pa\u00e7o ducal nesta cidade e uma das poucas rel\u00edquias das suas grandezas. A comiss\u00e3o dos monumentos nacionais, tendo conhecimento do facto, encarregou o senhor Ramalho Ortig\u00e3o de examinar o assunto e apresentar o seu parecer. E esse parecer, que est\u00e1 aprovado por aquela corpora\u00e7\u00e3o e ainda impresso, constitui n\u00e3o s\u00f3 a defesa do convento amea\u00e7ado, mas uma soberba li\u00e7\u00e3o sobre as obriga\u00e7\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, enquanto lhe cumprir educar o sentimento c\u00edvico pelo respeito pelo passado e continuidade da tradi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, esse parecer de nada serviu, porque o desejo da autarquia aveirense, e do seu presidente de ent\u00e3o, Gustavo Ferreira Pinto Basto, conseguiu concretizar o seu objectivo, e o convento (e tamb\u00e9m a igreja) foi mutilado, com a consequente demoli\u00e7\u00e3o de parte consider\u00e1vel do im\u00f3vel conventual. <\/p>\n<p>Sobre este assunto, no livro \u201cInvent\u00e1rio Art\u00edstico de Portugal \u2013 Distrito de Aveiro &#8211; Zona Sul\u201d, publicado em 1959, A. Nogueira Gon\u00e7alves escreveu: \u201cConvento e igreja foram inutilmente mutilados, para se regularizar uma pra\u00e7a e destacar a modesta arquitectura do edif\u00edcio do poente (onde est\u00e1 o Governo Civil); eliminaram a ala norte daquele e todo o coro alto, o do fundo da igreja; certamente por simples acaso \u00e9 que n\u00e3o abrangeram o topo da igreja com as suas belas talhas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para corrigir um erro hist\u00f3rico com 95 anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}