{"id":6950,"date":"2006-04-12T17:23:00","date_gmt":"2006-04-12T17:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=6950"},"modified":"2006-04-12T17:23:00","modified_gmt":"2006-04-12T17:23:00","slug":"a-arte-moderna-tem-capacidade-para-nos-aproximar-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-arte-moderna-tem-capacidade-para-nos-aproximar-de-deus\/","title":{"rendered":"&#8220;A Arte Moderna tem capacidade para nos aproximar de Deus&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Rego, jornalista e padre, abriu com uma comunica\u00e7\u00e3o a exposi\u00e7\u00e3o \u201cO sentido da vida: Que horizontes?\u201d (ver CV de 5 de Abril). No final, acedeu a responder a algumas perguntas do Correio do Vouga, sobre a rela\u00e7\u00e3o do trabalho art\u00edstico com o Transcendente.<\/p>\n<p>Da exposi\u00e7\u00e3o \u201cO sentido da vida: Que horizontes?\u201d o que real\u00e7a?<\/p>\n<p>Gostava de real\u00e7ar a minha surpresa desta iniciativa ter convidado gente t\u00e3o diferente e eles terem percebido, no conjunto dos quadros, a ideia que estava aqui, que era a procura do sentido da vida, com uma express\u00e3o mais transcendente ou menos, mais pr\u00f3xima do real, mais pr\u00f3xima da inquieta\u00e7\u00e3o e da d\u00favida, da desordem, at\u00e9, mas que \u00e9 uma busca do sentido da vida. Nestas 40 obras, no fundo, expressam-me muitas das nossas inquieta\u00e7\u00f5es e procuras, mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao transcendente.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do sentido \u00e9 uma ponte para o transcendente?<\/p>\n<p>Foi muito feliz esta palavra \u201csentido\u201d para arranjar linguagens e um mote comum para artistas e sensibilidades diferentes.<\/p>\n<p>A Arte Moderna \u00e9 capaz de dizer Deus?<\/p>\n<p>\u00c9 capaz de dizer Deus com a mesma limita\u00e7\u00e3o com que Arte Antiga dizia. Cri\u00e1mos a ideia de que um grande mosteiro g\u00f3tico respirava espiritualidade. Mas podemos encontrar essa respira\u00e7\u00e3o de espiritualidade, e portanto de Deus \u2013 dizer Deus \u00e9 algo muito complexo \u2013 na Arte Moderna. Nenhuma arte disse completamente Deus. Aproximou-se. E a Arte Moderna n\u00e3o tem menos capacidade de se aproximar de Deus, no seu expressar de transcendente, do que a Arte Antiga.<\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 Arte Moderna que n\u00e3o vale nada e tamb\u00e9m h\u00e1 Arte Antiga que n\u00e3o valia nada. Ou melhor, alguma s\u00f3 vale porque atravessou os s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Os artistas continuam despertos para o transcendente?<\/p>\n<p>Existe em todo o mundo, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal ou em Aveiro, uma gera\u00e7\u00e3o de artistas, na pintura, na escultura, na arquitectura, que tem um discurso religioso interessant\u00edssimo. Porqu\u00ea? Porque tem muito a ver com o nosso tempo. Tem a ver com o que sentimos hoje. A arte \u00e9 express\u00e3o de cada \u00e9poca e enquadra o religioso nesse sentir do homem de hoje.<\/p>\n<p>De que modos se expressa o religioso?<\/p>\n<p>H\u00e1 luzes, h\u00e1 sombras, h\u00e1 desenhos, h\u00e1 inquieta\u00e7\u00f5es, h\u00e1 procuras, h\u00e1 felicidades que se expressam nas obras. Tal como esta sala tem um discurso de envolv\u00eancia por ser um audit\u00f3rio, uma igreja tem um discurso de Deus. H\u00e1 artistas, sobretudo com sensibilidade crist\u00e3, que expressam nas cores do nosso tempo \u2013 e n\u00e3o apenas nas convencionais \u2013 e com as volumetrias que n\u00f3s temos. Nova Iorque \u00e9 uma cidade que desenha o nosso tempo. Uma catedral, feita hoje, deve desenhar tamb\u00e9m, tal como a cidade, o nosso tempo.<\/p>\n<p>Parece, no entanto, que a arquitectura moderna deu forma \u00e0s Igrejas, enquanto a m\u00fasica moderna ou as artes pl\u00e1sticas modernas ficaram de fora.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o vis\u00edveis dentro da Igreja, at\u00e9 porque as pessoas t\u00eam no seu imagin\u00e1rio refer\u00eancias cl\u00e1ssicas. T\u00eam dificuldade em transpor o religioso do passado para o presente. Mas isso n\u00e3o nega que existam hoje formas de expressar o religioso com a mesma profundidade que as artes antigas.<\/p>\n<p>Pode dar um exemplo?<\/p>\n<p>Muitos. Posso falar de Nuno Teot\u00f3nio Pereira, do ponto de vista da arquitectura, posso falar da igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus em Lisboa, da Igreja de Siza Vieira, em Marco de Canavezes. Entramos ali dentro e sentimos que h\u00e1 uma modernidade, uma express\u00e3o do nosso tempo e, ao mesmo tempo, do religioso.<\/p>\n<p>Com a particularidade de alguns artistas n\u00e3o se identificarem com a Igreja, como \u00e9 o caso de Siza Vieira&#8230;<\/p>\n<p>Na Igreja de Nossa Senhora de F\u00e1tima, em Lisboa, os vitrais s\u00e3o de Almada Negreiros, que n\u00e3o se identificava com a Igreja. O que interessa \u00e9 que sejam capazes de transmitir o transcendente da forma que o sentem e para utiliza\u00e7\u00e3o numa igreja, obviamente. Os problemas, muitas vezes, s\u00e3o mais funcionais do que est\u00e9ticos, apesar de haver igrejas de mau gosto. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 muitas igrejas barrocas, rom\u00e2nicas e g\u00f3ticas de mau gosto. N\u00e3o \u00e9 o moderno que faz o mau gosto.<\/p>\n<p>\u2022 A exposi\u00e7\u00e3o \u201cO sentido da vida: Que horizontes?\u201d est\u00e1 patente na antiga Capitania, em Aveiro.<\/p>\n<p>\u2022 No dia 20 de Abril, \u00e0s 21h30, D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar de Lisboa, profere no local uma confer\u00eancia sobre o sentido da vida \u00e0 luz da arte crist\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Rego, jornalista e padre, abriu com uma comunica\u00e7\u00e3o a exposi\u00e7\u00e3o \u201cO sentido da vida: Que horizontes?\u201d (ver CV de 5 de Abril). No final, acedeu a responder a algumas perguntas do Correio do Vouga, sobre a rela\u00e7\u00e3o do trabalho art\u00edstico com o Transcendente. 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